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27-02-2011 – Último dia missionário na Índia

Desde que chegamos na Índia, esse foi o dia mais agitado. Primeiro fomos a um vilarejo perto da cidade no estado de Haryana. Ficamos surpresos pelo lugar e a quantidade de gente. O culto foi em cima do telhado da casa de um obreiro, fomos recebidos com comida e segundo a cultura desse estado nós temos que comer o que eles ofereceme toda vez que recebe uma visita eles devem dar algo para comer, ou seja, se você visitar 10 casas num dia, vai ter que comer as 10 vezes.

O culto foi em céu aberto por se tratar de uma região onde não há tanta perseguição (a primeira vez que fomos num lugar assim até agora), mas percebemos que as pessoas eram mais frias em relação onde a perseguição é algo grave e forte. Enfim, pudemos ministrar com liberdade, oramos pelos enfermos, expulsamos demônios e glorificamos o nome de Jesus. Fomos para outro vilarejo.

No vilarejo seguinte fomos recebidos com muita honra como nunca antes. Famíliares, amigos e vizinhos estávam nos aguardando com tapete vermelho, confetes e muita alegria. O anfitrião, um homem muito humilde e especial, se convertera a apenas 3 meses atrás. Deixa eu contar a sua história: Hindú seguidor de Shiva, bancário, casado e com quatro filhos. A mulher depois de ter sido liberta de demônios entregou a vida pra Jesus e desde então orava para que o marido tivesse uma experiência forte com Jesus. Atéque 3 meses atrás Jesus apareceu em pessoa pra ele e disse “Eu sou o Verdadeiro Deus, é a mim que você vai seguir e essa situação em sua vida vai mudar”, aconteceu como Jesus disse a ele e a partir de então está servindo a Ele fervorosamente.

Lá tivemos que comer 2 vezes, assim que chegamos e no almoço. Comi demais. Logo fomos para o culto, ali no quintal do irmão. Tinha praticamente só crianças, umas 30, aos poucos os adultos foram aparecendo e mais crianças. A maioria estava ouvindo o evangelho pela primeira vez e todos eles sem exceção nunca tinha visto um extrangeiro pessoalmente. Nos sentimos honrados, ministramos uma palavra de salvação, oramos por todos eles, mais de 100, vimos milagres no físico de alguns deles, Jesus foi exaltado, todos eles entregaram suas vidas pra Jesus, do menor ao maior. Ali vimos uma igreja, que já estava sendo gerada, nascer.

Fomos para casa do pastor, o mais novo obreiro do pastor Marcelo, e adivinha? Comemos mais, já não aguentava mais, estava muito cheio. Então oramos com sua família e vimos a avó da esposa dele de 100 anos, cega, sendo guiada por um bebê de menos de 2 anos ao banheiro, pode acreditar, e você tinha que ver a seriedade que aquela coisinha que nem anda direito coloca em sua função.

Após ali fomos em outra casa, sem muita supresa, comemos mais uma vez. Era uma família de sikhs. O assunto da roda foi por que a Bíblia fala pra comermos carne, pois eles, como 95% da Índia, são vegetarianos (e radicais), foi um papo não muito agradável, mas no fim deu tudo certo. Fomos embora e quando cheguei em casa fui direto pro banheiro e então descansar.

Esse foi o último dia da viagem missionária propriamente dito. Os próximos quatro dias é apenas as conexões que vamos pegar até chegar em Nairobe passando por Delhi, Mombai, Addis Ababa e enfim my home.


25-02-2011 – Himachal Pradesh

Direto de Himachal Pradesh, estado fronteirisso com o Tibet, após experimentar uma cura divina em meu corpo, escrevo essas palavras com louvores a Deus. Acordei como se nada tivesse acontecido comigo nesses últimos 2 dias; até consegui tomar meu café da manhã!

Logo cedo fomos visitar mais uma igreja “underground”. O nosso jovem obreiro é um ex-Sikh, sério e muito simples. Acredito que foi o culto mais cheio da presença de Deus até agora, tinha apenas 15 pessoas. Aqui é uma região de 65% hindu, 25% budista e 10% mulçumano, os cristãos não chegam a 1% (segundo eles nos informaram).

Acredito que por ser vizinho do Tibet, aqui a arquitetura e roupas são muito parecida com a de lá. Tivemos a oportunidade de visitar o monastério onde Dalai Lama mora (ele vive como exilado), parece realmente que estamos no Tibet. No fundo uma paisagem deslumbrante do pré-Himalaia, tibetanos e monges por todo lado, cada templo budista mais suntuoso que o outro e muito frio.

Aproveitamos para comprar roupas de frio para nós, pois a que trouxemos não era adequada e também aproveitamos para comprar para duas crianças que estávam conosco no culto, uma doente e a outra tremia de frio, pois não tinha nenhuma blusa.

Aqui foi um tempo muito curto, mas precioso, amanhã sairemos bem cedo daqui.


24-02-2011 – Nova viagem, novo estado

Hoje acordei muito ruim, na verdade nem dormi direito, quando levantei parece que alguém tinha me espancado. Pelos sintomas parecia febre tifóide. Logo íamos viajar, então tive que tomar um remédio senão seria muito difícil viajar.

Começamos nossa viagem por volta das 10h e chegamos no nosso destino às 18h, Himachal Pradesh. De onde estamos podemos ver o pré-Himaláia, esse estado faz fronteira com o Tibet. Tudo muito lindo e frio.

A noite tentei comer um pouco, mas consegui só uma colher de arroz. Fui pra cama cedo, e um pouco antes disso meus irmãos oraram comigo. Acho que por causa da fraqueza eu tremia de frio, mesmo debaixo de cobertas e edredons, foi preciso alugar um aquecedor aqui mesmo do hotel. Só assim consegui dormir. Espero acordar sarado.


22-02-2011 – Mais uma igreja

Acordamos cedo, tomamos um café da manhã e logo fomos para a casa do obreiro. Lá já tinha algumas pessoas nos esperando. Um lugar muito interessante, íamos subindo escadas que viram aqui e ali, que liga muitas casas até chegar na dele, parecia um labirinto o caminho. Fomos muito bem recebidos. Enquanto discutíamos como ia ser nosso tempo ali escutamos nossos irmãos darem início as orações no cômodo ao lado. Fomos até lá uma sala bem pequena quase cheia, talvez com umas 15 pessoas sentadas no chão.

Logo no fundo havia um homem muito estranho, era um mulçumano que estava indo pela primeira vez. Ficamos um pouco preocupado, pois se for um olheiro poderia por todos em risco e até mesmo um homem-bomba que é normal na Índia, ainda mais numa região de conflito entre hindus e mulçumanos como aquela. Bom, voltando ao culto, por ser uma igreja que chamamos de “underground” do tipo escondida, é uma igreja muito barulhenta, outro motivo que nos deixaram preocupados, vai que um vizinho nos escute e denuncie… Após os cânticos no estilo “curdu” (não sei se é assim que escreve) teve o momento das boas vindas e uma palavra tremenda do pastor Marcelo, oramos por eles, muitos vieram pedir oração, inclusive um senhorzinho cego. Nessa hora já havia mais de 30 pessoas naquela sala tão pequena.

Como é de costume, são os líderes religiosos que dão os nomes as crianças. O obreiro pediu para o pastor Marcelo dar o nome ao garoto, agora ele chama-se Isaac, mas na língua deles é algo mais ou menos Disaic. Aproveitaram para celebrar o aniversário do filho mais velho, 3 anos. Oramos com eles, almoçamos e por conta do risco tivemos que ir embora.

Segundo o pastor que nos levou lá, aquele lugar é só de cristãos liberado pelo governo para fazerem suas reuniãos, mas sem proselitismo, então fez sentido a barulheira. Chegamos em casa um pouco antes das cinco da tarde e aproveitamos o restante do dia para descansar, exceto o pastor Marcelo que teve reunião até a hora do jantar. O próximo dia haverá novas experiências no Senhor.


21-02-2011 – Um novo estado

A previsão para nossa viagem de trem era de 24 horas, gastamos apenas 30 minutos a mais. Em relação a viagem em si não tem nada de interessante pra contar, se resumiu em comer, ler, dormir, acordar e conversar. Pela cama ser muita estreita junto com o balanço e barulho do trem foi difícil dormir, na verdade só cochilos.

Chegamos na estação de trem em Jammu, capital da Kachimira, um dos estados mais radicais contra o cristianismo (na verdade é o segundo). É uma cidade totalmente diferente das outras que já visitamos, havia soldados e policiais pra todo lado, acredito que seja por conta dos frequentes conflitos militares com seus vizinhos Afeganistão e China.

Paramos numa praça para pegar o carro que algumas, mas o obreiro que o conseguiu cometeu um grave erro que colocou todos em risco, ele alugou um carro privado que segundo a lei do estado é proivido extrangeiros andar. Corremos para pegar um taxi e enquanto colocávamos as malas uma multidão nos cercaram e vimos o motorista do carro privado ser arrastado para uma sala aos tapas e pontapés, uma cena terrível, então entramos para o carro e esperamos o pastor nativo resolver a questão. Sentimos muito pressionados.

Logo continuamos a viagem, que os próximos destinos dentro desse Estado não poderei revelar os nomes das cidades e nem dos obreiros. Viajamos mais cerca de 70 quilômetro até chegar ao hotel onde comeríamos e descasaríamos. O que vimos no caminho foram belíssimas paisagens montanhosas e com árvores gigantescas e nas cidades muitos soldados, centros de treinamentos de exército, fortes, guaritas e mais guaritas. Agora faz sentido quando dizem que a Índia é um dos países com o maior contigente militar.

Chegamos no hotel, comemos um lanche e fomos andar na vizinhança. Entramos num lugar cheio de pequenos templos hindus, parecia mais uma cidadezinha de templos e bem no final deparamos com uma estátua de Shiva de bronze com aproximadamente 20 metros de altura… macabro. Voltamos para o hotel, precisávamos urgente de um banho e comidad de verdade. Pedimos para o jantar uma comida típica chamada Hawain Chicken Steak Sizzler, é um prato quente enfumaçado com saladas e frango, aproveitamos para celebrar o aniversário do Nicolau, um dos brasileiros da nossa equipe, 53 anos. Fomos logo cedo pra cama, os próximos dias serão puxados.


19-02-2011 – Gaya e região

Acordamos cerca de 3h, nos arrumamos e as 3:40h deixamos o hotel rumo ao estado de Bihar, fronteira com o Nepal, região conhecida pelas “cidades sem lei”. A estrada estava tranquila até o dia amanhecer, e que ao invés de ver muita gente, nos deparamos com muitos caminhões ainda estacionados. Milhares e milhares de caminhões, foram mais de hora e a linha de caminhões não acabava. Cada hora que passava a estrada ficava mais movimentada.

Fizemos uma parada em Gaya, o segundo lugar mais importante para o budismo, uma cidade quase que toda tibetana. Fomos ao templo Mahabalhi Mahavihrev, o maior que vi até agora com mais gente. Monges fazendo seus mantras por todos os lados. Uma arquitetura fantástica cercada de túmulos (bom, pelo menos parecia túmulos). Na entrada lebrosos, deficientes, pessoas sem pernas e braços e muitas mulheres e crianças mendigando. Ficamos apenas meia hora.

Quanto mais nos aproximávamos do nosso destino, mais pobre ficavam as cidades. Chegamos lá 1:30h depois do esperado, a igreja nos esperávamos. Tudo muito simples, nos cederam o quarto do pastor como é de costume para fazerem uma “salinha” antes de irmos para o culto que seria na casa do visinho. Nos ofereceram água que consegui tomar só um gole, pois era muito amarga. Ouvimos os cânticos começarem, então fomos para lá. Era apenas uma salinha cheia de tapetes, colocaram cadeiras apenas para nós 5. O costume em toda Índia é de sentar no tapete. Após terminarem os cânticos de adoração a Jesus vieram nos dar as boas vindas com colares de flores amarelas para cada um de nós. Nos apresentamos e o pastor Marcelo deixou uma palavra forte sobre fé em Jesus, oramos pelos enfermos e então terminamos o culto.

Uma garotinha de talvez 10 aninhos nos chamou muito a a atenção de nós brasileiros. Desde o momento em que chegamos, ela se destacava em tudo, na beleza, no comportamento, na devoção a Deus, na autoridade e intensidade de como lia a Bíblia, realmente muito além do que se espera de uma criança daquela idade, até mesmo não se vê muitos jovens e adolescentes como ela. Em quanto almoçávamos (uma pequena porção de batata com um molho delicioso e picante servido com uns dois pãezinhos típico, era o melhor que podiam oferecer) ouvíamos a história dessa garota. Recentemente o pai quando ia para o trabalho foi atropelado por um trem e morreu na hora. Sua mãe não tem condições de bancar os estudos, por esse motivo ela teve que sairo da escola. Assim como ela, na Índia há milhares, talvez milhões com histórias parecida. Só das crianças das igrejas ligadas ao pastor Marcelo aqui na Índia são cerca de 250 que recebiam bolsa-escola, mas que por uma razão, que fomos descobrir apenas agora nessa visita, a bolsa foi retirada e elas tiveram que deixar suas escolas. Segundo o pastor que coordena as igrejas, com apenas 400 dólares mensais é o suficiente para colocá-las novamente na escola, estamos falando de menos que 3 reais por criança.

Não nos demoramos muito, pois já era tarde. Pegamos o carro e voltamos para casa. Chegamos já era mais de 20h muito cansados da viagem, mas felizes de ver o trabalho naquela vila funcionando, segundo informações, é uma vila dominado por feiticeiros, onde agora a luz do evangelho tem brilhado.


16 e 17/02 – Varanasi

Eram cerca de 3:30h da manhã quando dispertei. Não consegui dormir mais, então fui passar as próximas horas orando buscando uma palavra de Deus sobre a nossa viagem. De tempo em tempo eu parava para anotar alguma coisa que estava faltando para comprar, na sétima coisa me atentei ao que estava acontecendo, então anotei na lista “entrar no descanso de Deus”. Minha oração mudou o foco e após alguns minutos consegui entrar nesse descanso.

Documentos checados, mochilas prontas, às 14:30h deixamos nossas casas rumo ao aeroporto. Fizemos o check-in, tudo em paz fomos para o avião. Às 17:45 partipos de Nairobe/Quênia para Addis Abbaba/Etioópia para trocarmos de avião, poucas horas depois sem nenhuma dificuldade chegamos em Mombai cerca de 5:30h da madrugada (já com as 2:30h a mais do fuso-horário). Supostamente decolaríamos para Nova Delhi às 9:45h, mas por motivos que desconheço decolamos quase 11h rumo a Lucknow e de lá fomos para Varanasi, estado de Uttar Pradesh. Aterrizamos cerca de 13:30h bastante surpresos com o novo aeroporto que havia sido inaugurado a poucas semanas, um aeroporto de primeiro mundo cheirando a casa nova.

O pastor indiano (principal obreiro na Índia) que seria o nosso guia para os próximos dias já estava nos esperando. Pegamos um carro para o hotel. O percurso entre o aeroporto e o hotel foi de quase uma hora, e sabe a coisa que mais vi? Pessoas, por todos os lados muita gente. E a coisa que mais ouvi? Buzina. Aqui no trânsito o único sinal que existe é a buzina, você não vai encontrar semáforos que funcionam, faixas e pouquíssimos retrovisores que seriamente não sei para o que eles usam.

Chegamos no hotel, apenas tomamos um banho e já saímos para almoçar e conhecer o rio Ganges (que é um dos mais adorado deus dos hindús). A comida totalmente diferente no tempero que, mesmo pedindo para não colocarem nenhum tipo de pimenta, veio apimentado. Muito gostosa a coimda por sinal. Pegamos um taxi para o centro e adivinha o que vi e ouvi? Isso mesmo, muita gente, muita buzina, realmente o trânsito mais louco que eu já vi, essa é a palavra: “louco”, não consigo imaginar nada pior ou até mesmo igual em algum outro lugar. Numa certa parte o carro não podia ir mais, então pegamos um “bicycle-hikichó” (acho que é assim que escreve), isso é um carinha que puxa tipo uma charrete para duas ou 3 pessoas por uma bicicleta. O cara pedala naquela multidão por vários quilômetros cobrando uma micharia, um cara desse ganha em média 80 reais por mês.

Gente pra todo lado, e digo, é muita gente mesmo e fazendo um barulho de louco. Descemos do bicycle-hikichó e entramos numas ruas muito extreitas que pareciam labirintos, tipo um cortiço, tudo muito sujo, simples e com um cheiro muito particular de insenso e outros aromas que não consegui identificar. Passamos por vacas que mal cabiam nos corredores, mutios templos pequenos e dezenas e dezenas de mercadores de todos os tipos. Após meia hora de caminhada percebi que quanto mais descíamos, mais pesado ficava o clima. Logo chegamos nas Casas da Morte, onde literalmente os idosos e doentes vão para morrer. Na parte de traz pilhas e pilhas de madeiras sendo conrtadas pelos “Intocáveis” (que é a casta mais baixa do hinduísmo) e de criança a adulto. E do outro lado das casas, às margens do rio Ganges, várias fogueiras com corpos sendo cremados. E claro, uma grande multidão, gente e mais gente. Aquele cheiro que não identifiquei no princípio agora sei, é dos copors sendo creimados.

Quando os parentes dos falecidos tem dinheiro eles compram madeira o suficiente para creimar todo o copro, daí jogam apenas as cinzas no Ganges crendo que assim estará libertando e purificando aquela infeliz alma. O que não tem dinheiro, às vezes compram madeira suficiente apenas para dar uma leve queimada no corpo, então jogam o corpo no rio do jeito que tá. Nesse dia não tinha correnteza, então pudemos ver um corpo sendo disputado e comido por dois carrochos ali na marge do rio. Você quer ver as fotos né? Um dos que estavam comigo estava tentando tirar fotos meio que escondido até que veio um indiano chamando ele de louco e o entregou para a polícia, mas por sorte o pastor indiano conseguiu resolver tudo em paz com o policial.

Pegamos um barco e fomos conhecer a região central do hinduísmo onde acontece todos os dias do ano duas vezes ao dia uma cerimônia de adoração aos deuses e elementos chamado Puja. Devia ter milhares de pessoas nas escadarias da margem e em barcos no rio, um som extremamente alto ao rítmo compassado de tambores, pandeiros e sinos, muito insenso e em pouco tempo pudemos ver pessoas em transe. Ali mesmo travei uma guerra no espírito que me causou muito cansaço físico, por fim fiquei envergonhado de saber que aquelas pessoas tão cegas espiritualmente adoram com tanto mais fervor seus falsos deuses do que eu que conheço o Deus Todo-Poderoso. Esses milhões de hindús que vivem em Varanasi e em outras partes da Índia precisam ver a manifestação dos filhos de Deus.

Voltamos para o hotel depois de enfrentarmos mais uma grandíssima multidão no centro da cidade. Cansados nos retiramos, já eram mais de 22h.


14/11/2010 – Culto africano e pré-casamento

Essa última noite não foi tão tranquila quanto as outras. 00:15h acordei com um rato mexendo nas comidas e um pernilongo dentro do meu “mosquito-net” (aquelas redinhas que coloca por sobre a cama). Levei uns 30min para espantá-los sem acordar o Rodrigo. Estava muito quente e abafado.

Consegui dormir novamnete, mas por volta das 3:00h sonhei com uma feiticeira típica da região com dois acompanhantes. No sonho, muito real por sinal, a feiticeira invade a casa onde eu estava e diz para mim: “É melhor você acreditar no seu Deus senão não vai conseguir sair daqui”, na mesma hora o Rodrigo começou a definhar desesperadamente e muito rápido. No tempo em que eu declarei “te repreendo em nome de Jesus” a feiticeira me levanta pelo pescoço e então acordo. No quarto não conseguia ver nem um palmo na minha frente, mas pude sentir uma presença muito malígna. Só me restou orar e depois de algum tempo consegui dormir. Quando acordei pela manhã entendi que era uma guerra espiritual por que hoje eu seria o pregador do dia (e acredite se quiser, a partir desse sonho minha garganta ficou muito ruim, como se tivesse realmente levado uma pancada muito forte nela, custava engolir até minha própria saliva, só foi melhorar quando cheguei em Nairobi).

O culto começou as 7:00h e foi até umas 14:00h (muito diferente do Brasil que geralmente os cultos tem apenas cerca de 2 horas de duração). Muita música, muita dança e apresentações. Chegou minha vez de pregar. Apesar de conseguir me comunicar bem em inglês preferi pregar em português, assim seria mais fácil pra mim. O pr Marcelo me traduziu para inglês e uma mulher o traduziu para árabe. Me senti importante com esse tanto de tradutores! Foi uma mensagem simples e edificante sobre o obstinado amor de Deus manifesto na Cruz para nos salvar. Voltamos correndo pra casa para fazer almoço, pois em pouco tempo iniciaria o pré-casamento.

O evento foi na mesma igreja “Redeemed Church” do pr Joshua. Ao entrar, Rodrigo e eu tivemos que pagar cerca de R$ 7,00 e o pr Marcelo uns R$ 40,00 por ser um convidado especial. Teve música e pregação. Depois os noivos foram apresentados e iniciam um momento de recolher dinheiro dos convidados. Todo esse dinheiro é para ajudar a pagar o dote da noive (16 vacas no valor de mais ou menos R$ 350,00 cada) mais a festa que dura de 3 a 7 dias dando comida para os convidados e penetras, e ái do noivo se a comida não for boa.

Nesse pré-casamento os convidados especiais fazem tipo de uma comitiva ali mesmo para decidir como vão distribuir o dinheiro arrecadado. Os noivos não podem palpitar em nada. Saímos antes de acabar (começou as 15h e foi acabar depois das 20h). Não estávamos legal, pois além do calor estar muito forte nesse dia o som estava super ultra alto. Voltamos para guest house e fomos descansar.

Aqui na guest tem um barzinho funcionando junto. Das 18h às 22h o gerador de energia é ligado, então a TV fica ligada e os vizinhos vem para cá. Nesse dia passou futebol. Achei muito interessante, os sudaneses para assistir um jogo é muito parecido com os brasileiros, vibram, gritam, sofrem e aplaudem.

Fomos jantar e por mais de uma hora conversamos sobre missões e o papel das escolas de treinamneto missionário, mais uma grande aula com o pr Marcelo.  No outro dia seria só para descanso, sem nada para fazer, então não terei nada para escrever. Os dias em Torit estão chegando ao fim, daqui dois dias partiríamos para Kakuma, norte do Quênia com muitas experiências novas.


11/11/2010 – Viagem para Kapoeta

Cada dia que passa as noites se tornam melhores e o calor tolerável, na verdade já até acostumei com o calor. Hoje pude escutar as crianças cantando e louvando a Deus por volta das 5h. Não consegui dormir mais, então fui me preparar para mais uma viagem. Agora iríamos para Kapoeta, uma pequena, mas importante cidade a uns 150km de Torit. Lá é a terra da tribo Toposa, são um povo muito primitivo e um tanto selvagem. A fronteira terrestre entre Sudão e Quênia foi fechada por que os Toposas estavam entrando no Quênia para matar e roubar o gado dos Turkanas que vivem perto da fronteira.

Por volta das 8h saímos para comprar e arrumar algumas coisas que faltavam e as 9h pegamos a estrada. Desta vez não paramos em nenhum lugar a não ser nas barreiras entre os distritos. Levamos quatro horas e meio para chegar lá. Segundo o pr Marcelo, a última vez que ele fez aquele mesmo percurso gastou cerca de sete horas e meio, mas agora algumas partes da estrada foram restauradas. No caminho vimos menos vilas do que no caminho para Ikotos, pois Capoeta fica numa região desértica. Muita poeira, ficamos todos marrom, sem exagero. Em particfular uma aldeia me chamou a atenção, ela ficava numa montanha de aproximadamente 2000m, lá de baixo apenas víamos as pontas dos tukos que se diferenciavam das árvores. Como será que subiram lá? Essa era minha pergunta. Provavelmente nunca viram um extrangeiro. Assim como eles existem milhares e milhares de pessoas que nunca viram ou ouviram falar de Jesus.

Na medida que nos aproximávamos de Capoeta avistávamos alguns Toposas todos adornados e com seus cajados e banquinhos. Quando chegmaos ficamos surpreendidos, pois vimos postes de eletricidade. Capoeta é a primeira cidade do Sudão do Sul a ter energia elétrica. A razão disso é que os Toposas controla todo gado do Sul além de terem minas de diamante e ouro.

A cidade em sim não é muito diferente das outras que fomos. Homens sentados por todo lado conversando e as mulheres carregando grandes sacos de farinha e toras de madeira na cabeça. Em todo lugar é assim, o homem conversa a mulher trabalha. Ninguém nos cumprimentava, todos muito sérios. Alguns com trajes normais e outros bem típicos com seus adornos, principalmente as mulheres e adolescentes. As mulheres são lindas com postura de bailarina, mas muito sisudas. Quase não vimos sorrisos, diferente de Ikotos e Dongotono onde todo mundo ria, vinham nos cumprimentar ou faziam festa. Em Kapoeta só uma mulher que ficou pulando (detalhe, com os seios de fora), é como se fosse um sinal de boas-vindas para os Toposas.

Chegamos na casa de Lorem, um obreiro que a MCM assiste naquela cidade. Conversamos e fomos preparar nosso almoço, pois já eram 15h. Quebramos todos os paradgmas possíveis naquela tarde. Três homens brancos fazendo comida e além disso para todos. Estávamos em 11 pessoas contando com a família do Oryen e pr Joshua. Comemos macarronada, as crianças riam muito, pois comiam usando a mão, estava muito quente (foi feito no carvão em brasa em meio a pedras) e ainda o macarrão ficava pindurado. Oryen tem 5 filhos, sua esposa estava grávida do quinto sexto filho. A sua casa deve ter 2x6m no máximo, apenas uma cama de solteiro, não pergunta como dormem 7 pessoas num espaço daquele.

Discutimos algumas coisas sobre a segurança deles e sobre o trabalho dele. Nos despedimos e retornamos para Torit. Chegamos muito sujos por volta das 22h. Cansados fomos comer e dormir.


09/11/2010 – Tentando conhecer Torit

Dormimos bem tirando os barulhos que de vez enquando nos acordava ou visitas indesejadas de sapos, ratos, grilos mutantes e mosquitos. Aqui todos acordam cedo. Daqui pudemos ouvir as crianças cantando louvando a Deus e orando por volta das 5h da manhã, um pouco depois, creio que um pelotão do exército passou aqui na porta marchando e cantando suas rimas de guerra.

Conseguimos dormir mais um pouco depois dessas coisas e levantamos por volta das 8h, banhamos e tomamos nosso café (pão e leite). Saímos para conhecer a cidade, mas estava quase tudo fechado e soldados por todo lado com diversos tipos de uniformes, sabíamos então que algo importante estava acontecendo.

Encontramos um conhecido no mercado central (aliás, o único lugar aberto) e ele nos disse que todo dia 09 de cada mês até o Referendum é feriado nacional para celebrações do governo e orações pelo Referendum. E por falar no mercado central vimos gente por toda parte, muito peixe seco, verduras e frutas. Segundo pr Marcelo era um tempo de fartura por conta das chuvas, mas que no período de seca é difícil achar alguma coisa naquele mesmo mercado tão grande.

Em menos de uma hora conhecemos a cidade a pé. As únicas contruções de qualidade ou é prédio do governo ou da ONU, exceto o Hospital Estadual, muito triste, víamos os doentes deitados naquele chão de terra debaixo das árvores. Ali se alguém tiver alguma doênça grave não tem outro caminho senão a morte.

De um lado da rua um grande e milionário prédio do governo, e do outro tukos (tipo cabanas de índios brasileiros) e muita miséria. É um tipo de contradição social que se acha em todo mundo.

Depois de nossa visita a cidade fomos para a casa das crianças. Elas não foram para escola, estavam de folga durante a semana para estudarem para os exames na próxima semana. Os maiores estavam na escola que faz parte da “Hers of God Home” estudando inglês numa sala, matemática em outra e na terceira o Rodrigo estava brincando de macinha com os menores. Enquanto isso eu tirava algumas fotos e brincava de bola com alguns garotos.

Foi muito divertido e satisfatório em saber que em coisas tão simples podemos contribuir para alegria daquelas crianças. Algumas delas já se tornaram “meus brothers”, isso pra mim é tremendo demais. Voltamos para guest house para esperar o pr Joshua ir nos pegar para almoçar em sua casa. Aqui funciona o horário africano, se alguem marcou as 13h alguma coisa, pode saber que vai chegar depois das 14h. Sabendo disso fomos pra casa dele.

Quando chegamos o almoço estava sendo preparado por algumas das meninas da casa dos órfãos. A comida foi preparada no chão em cima de brasas e pedras, muito interessante e quente. Mesa pronta, pr Joshua não tinha chegado (estava numa reunião). Fomos comer sem ele, pois já eram quase 16h.Uma mulher veio com uma bacia e água para lavarmos as mãos.

Comemos carne de panela, ovo com tomate, arroz, ugali, chapati, uma carne seca e repolho refogado. Tudo muito gostoso, bem temperado, tivemos que repetir. Após terminar de comer descobrimos que a carne seca que comemos era uma parte muito peculiar do cabrito que prefiro nem citar qual é, dá pra acreditar?

Enfim pr Joshua chega e enquanto ele e outros convidados almoçavam conversamos sobre muitos assuntos, inclusive dos milagres que Deus tem realizado ali em Torit. Ao sair de lá levamos um garoto que estava muito doente pra fazer um exame de sangue, o resultado veio e confirmou que ele estava com malária. Demos o medicamento adequado e voltamos pra casa. Estava fresco a noite, pois havia chovido.

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