Acordamos cedo para arrumar nossas malas e deixar tudo pronto para viagem. Às 09h já estava tudo preparado. Iríamos começar a preparar o almoço às 10h então aproveitei para passar os últimos momentos com as crianças em Torit.
Quando cheguei lá, não consegui me alegrar, pois em poucas horas estaria deixando a cidade. Foi tudo um clima de despedida, olhos cheios de lágrimas, nó na garganta. O pensamento que me passava era de quando será que terei a oportunidade de reve-los. A nossa oração é que após o Referendum as fronteiras não se fechem. Recebemos muitas cartinhas, algumas fotos e muito carinho.
Nem conseguimos almoçar direito. O vôo estava marcado para às 11h, mas veio após as 13:30h, enquanto esperávamos na porta da guest house (que fica ao lado do aeroporto) muito das crianças e adolescentes das casas de órfãos veio ficar conosco. O que mais escutei foi “Fabiricho, don’t go, stay here!”. Vou sentir falta de escutar Fabiricho e Rodirico.
Enfim escutamos o barulho do avião. Saíram todos eles correndo para o aeroporto, chegaram primeiro que nós. Enquanto o piloto guardava nossas malas fomos nos despedir. Apenas silêncio e lágrimas. Dizer o quê? Foi um tempo tão curto, mas muito marcante. Só quem foi até lá pode saber disso. Fiquei surpreso, pois vi algumas delas chorando sendo que pra mim eu não tinha feito nenhuma diferença na vida delas, mas me enganei. Ah Jesus! Deixa eu voltar em breve!
Partimos.
Paramos em Lokichokio para pegar o visto de entrada do Quênia. Lá nos encontramos com o Nicolau que havia preparado tudo para o restante do dia. Almoçamos novamente por volta das 15:30h e pegamos um taxi para Kakuma que fica a uns 40km de Lokichokio.
Chegando em Kakuma entramos em contato com uma senhora da ONU que nos recebeu no Campo de Refugiado Kakuma (o mairo do Quênia com 78000 refugiados de mais de 20 países). Fomos muito bem acolhidos nas dependências da ONU onde passamos a primeira noite em segurança após 10 dias de viagem.
Essas dependências são ocupadas por 12 grandes ONGs de várias partes do mundo, cada uma com uma função específica para os refugiados, uma é apra comida, outra para imigração, outra saúde e assim vai. São cerca de 1000 trabalhadores mais cerca de 10000 refugiados que ajudam no trabalho.
Amanhã vai ser um grande dia, pois vamos conhecer a igreja que a MCM apoia lá entre os refugiados. Essa igreja tem até casos de perseguição, pois grande parte dos refugiados são mulçumanos extremistas da Somália. Que Deus nos ajude lá.
Quanto ao clima, aqui é mais fresco que Torit, porém muito seco. É uma região desértica, estava fazendo um pouco menos que 40 graus.

































































































