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17/11/2010 – Ultimo dia em Torit / Chegada em Kakuma

Acordamos cedo para arrumar nossas malas e deixar tudo pronto para viagem. Às 09h já estava tudo preparado. Iríamos começar a preparar o almoço às 10h então aproveitei para passar os últimos momentos com as crianças em Torit.

Quando cheguei lá, não consegui me alegrar, pois em poucas horas estaria deixando a cidade. Foi tudo um clima de despedida, olhos cheios de lágrimas, nó na garganta. O pensamento que me passava era de quando será que terei a oportunidade de reve-los. A nossa oração é que após o Referendum as fronteiras não se fechem. Recebemos muitas cartinhas, algumas fotos e muito carinho.

Nem conseguimos almoçar direito. O vôo estava marcado para às 11h, mas veio após as 13:30h, enquanto esperávamos na porta da guest house (que fica ao lado do aeroporto) muito das crianças e adolescentes das casas de órfãos veio ficar conosco. O que mais escutei foi “Fabiricho, don’t go, stay here!”. Vou sentir falta de escutar Fabiricho e Rodirico.

Enfim escutamos o barulho do avião. Saíram todos eles correndo para o aeroporto, chegaram primeiro que nós. Enquanto o piloto guardava nossas malas fomos nos despedir. Apenas silêncio e lágrimas. Dizer o quê? Foi um tempo tão curto, mas muito marcante. Só quem foi até lá pode saber disso. Fiquei surpreso, pois vi algumas delas chorando sendo que pra mim eu não tinha feito nenhuma diferença na vida delas, mas me enganei. Ah Jesus! Deixa eu voltar em breve!

Partimos.

Paramos em Lokichokio para pegar o visto de entrada do Quênia. Lá nos encontramos com o Nicolau que havia preparado tudo para o restante do dia. Almoçamos novamente por volta das 15:30h e pegamos um taxi para Kakuma que fica a uns 40km de Lokichokio.

Chegando em Kakuma entramos em contato com uma senhora da ONU que nos recebeu no Campo de Refugiado Kakuma (o mairo do Quênia com 78000 refugiados de mais de 20 países). Fomos muito bem acolhidos nas dependências da ONU onde passamos a primeira noite em segurança após 10 dias de viagem.

Essas dependências são ocupadas por 12 grandes ONGs de várias partes do mundo, cada uma com uma função específica para os refugiados, uma é apra comida, outra para imigração, outra saúde e assim vai. São cerca de 1000 trabalhadores mais cerca de 10000 refugiados que ajudam no trabalho.

Amanhã vai ser um grande dia, pois vamos conhecer a igreja que a MCM apoia lá entre os refugiados. Essa igreja tem até casos de perseguição, pois grande parte dos refugiados são mulçumanos extremistas da Somália. Que Deus nos ajude lá.

Quanto ao clima, aqui é mais fresco que Torit, porém muito seco. É uma região desértica, estava fazendo um pouco menos que 40 graus.


13/11/2010 – Novo dia, novas experiências

Logo que acordei fui pra casa das crianças, mas fiquei só uns 40 minutos, pois teríamos uma reunião com os parentes e guardiões dos órfãos que se mudaram para Nairobe.

A reunião começou umas 11h. Pr Marcelo contou os milagres que Deus tem feito aqui e também mostrou dois vídeos com fotos da viagem dos órfãos ao Brasil e de como estão em Nairobe. Ficaram todos muitos felizes e agradecidos, teve uma senhora que não parava de dar tchau pra tela do computador enquanto as fotos passavam. Muito interessante a reação que cada um teve.

Pude conhecer alguns dos parentes dos meninos, tiramos fotos e dançamos. A reunião acabou às 13h. Passamos a tarde com as crianças conversando e rindo muito. Mostramos como nossas culturas são diferentes. Conhecemos a mais nova órfã da casa. Ela deve estar com no máximo 2 meses de idade. Chegou na casa muito magra, só por milagre não ter morrido. Seu nome é Glória, muito fofa e agora gordinha, muito bem cuidada. Seus pais morreram num acidente de carro a poucas semanas.

Pr Joshua veio e nos levou com mais um monte das crianças para uma reunião de oração. Lá cantaram, dançaram e oraram. Nos chamara para orar pela família daquela casa. Oramos e nos sentamos, logo veio uma mulher com uma bacia e água para lavar nossas mãos, atrás dela uma outra mulher trazendo a comida. Foi minha primeira experiência comendo usando as mãos. A comida estava uma delícia, tinha arroz, feijão, uma carne muito saborosa e pão. Com os dedos sujos eu automaticamente levei-os a boca como comumente fazemos no Brasil, imediatamente fui repreendido, pois esse gesto de limpar os dedos com a boca é uma ofensa aqui.

Após o jantar voltaram a dançar, mas antes de terminar tive que ir embora. Amanhã o dia começa cedo. Precisei descançar, pois no outro dia o pregador do culto seria eu.

 


12/11/2010 – Um tempo com as crianças

Uau! Foi a noite que mais dormimos, acredito que seja por causa do cansaço do dia anterior. Era umas 9h quando Rodrigo e eu fomos para a casa das crianças. A intenção era ir pesquisar o tamanho que elas vestinhas e suas necessidades quanto a roupas. Um obreiro, o Emmanuel se prontificou para fazer isso, então o Rodrigo teve uma idéia. Ele pegou seus fantoches africaninhos e foi contar uma história para as crianças. Como elas riram, acredito que nunca tinham visto fantoches antes. Depois cantamos, dançamos e brincamos com elas, eu até joguei bola, acredita nisso?

Voltamos para almoçar. Enquanto o comíamos o pr Marcelo nos deu uma grande aula de missiologia. Depois o pr Joshua chegou e fomos tratar alguns assuntos burocráticos e de segurança da casa das crianças. Tanto o pr Marcelo quanto o pr Joshua me surpreenderam por conta de tanta sabedoria que eles tem.

Rodrigo e eu fomos outra vez para casa das crianças, só que desta vez apenas conversamos com eles. Logo voltamos para ghest pois já havia escurecido. O dia passou muito rápido. A cada momento que passo com as crianças um pedaço de mim fica com eles, são muito amáveis.


11/11/2010 – Viagem para Kapoeta

Cada dia que passa as noites se tornam melhores e o calor tolerável, na verdade já até acostumei com o calor. Hoje pude escutar as crianças cantando e louvando a Deus por volta das 5h. Não consegui dormir mais, então fui me preparar para mais uma viagem. Agora iríamos para Kapoeta, uma pequena, mas importante cidade a uns 150km de Torit. Lá é a terra da tribo Toposa, são um povo muito primitivo e um tanto selvagem. A fronteira terrestre entre Sudão e Quênia foi fechada por que os Toposas estavam entrando no Quênia para matar e roubar o gado dos Turkanas que vivem perto da fronteira.

Por volta das 8h saímos para comprar e arrumar algumas coisas que faltavam e as 9h pegamos a estrada. Desta vez não paramos em nenhum lugar a não ser nas barreiras entre os distritos. Levamos quatro horas e meio para chegar lá. Segundo o pr Marcelo, a última vez que ele fez aquele mesmo percurso gastou cerca de sete horas e meio, mas agora algumas partes da estrada foram restauradas. No caminho vimos menos vilas do que no caminho para Ikotos, pois Capoeta fica numa região desértica. Muita poeira, ficamos todos marrom, sem exagero. Em particfular uma aldeia me chamou a atenção, ela ficava numa montanha de aproximadamente 2000m, lá de baixo apenas víamos as pontas dos tukos que se diferenciavam das árvores. Como será que subiram lá? Essa era minha pergunta. Provavelmente nunca viram um extrangeiro. Assim como eles existem milhares e milhares de pessoas que nunca viram ou ouviram falar de Jesus.

Na medida que nos aproximávamos de Capoeta avistávamos alguns Toposas todos adornados e com seus cajados e banquinhos. Quando chegmaos ficamos surpreendidos, pois vimos postes de eletricidade. Capoeta é a primeira cidade do Sudão do Sul a ter energia elétrica. A razão disso é que os Toposas controla todo gado do Sul além de terem minas de diamante e ouro.

A cidade em sim não é muito diferente das outras que fomos. Homens sentados por todo lado conversando e as mulheres carregando grandes sacos de farinha e toras de madeira na cabeça. Em todo lugar é assim, o homem conversa a mulher trabalha. Ninguém nos cumprimentava, todos muito sérios. Alguns com trajes normais e outros bem típicos com seus adornos, principalmente as mulheres e adolescentes. As mulheres são lindas com postura de bailarina, mas muito sisudas. Quase não vimos sorrisos, diferente de Ikotos e Dongotono onde todo mundo ria, vinham nos cumprimentar ou faziam festa. Em Kapoeta só uma mulher que ficou pulando (detalhe, com os seios de fora), é como se fosse um sinal de boas-vindas para os Toposas.

Chegamos na casa de Lorem, um obreiro que a MCM assiste naquela cidade. Conversamos e fomos preparar nosso almoço, pois já eram 15h. Quebramos todos os paradgmas possíveis naquela tarde. Três homens brancos fazendo comida e além disso para todos. Estávamos em 11 pessoas contando com a família do Oryen e pr Joshua. Comemos macarronada, as crianças riam muito, pois comiam usando a mão, estava muito quente (foi feito no carvão em brasa em meio a pedras) e ainda o macarrão ficava pindurado. Oryen tem 5 filhos, sua esposa estava grávida do quinto sexto filho. A sua casa deve ter 2x6m no máximo, apenas uma cama de solteiro, não pergunta como dormem 7 pessoas num espaço daquele.

Discutimos algumas coisas sobre a segurança deles e sobre o trabalho dele. Nos despedimos e retornamos para Torit. Chegamos muito sujos por volta das 22h. Cansados fomos comer e dormir.


10/11/2010 – Viagem pra Ikotos

Combinamos a viagem para Ikotos com o pr Joshua e até a plantação de batatas das viúvas que a MCM assiste. Sairiamos às 08:00. Ficamos na porta da guest hous esperando ele vir nos pegar. Enquanto esperávamos algumas crianças da casa veio e ficou conosco. Foi um tempo bom com elas, são tão lindas e muito alegres. Por volta das 11h o pr apareceu, mas apenas pegou nossas coisas e disse que já voltava para nos pegar. Mas como conhecemos o horário africano decidimos preparar nosso almoço. Ele chegou e comeu conosco.

Todos prontos fomos para o carro (uma camionete Toyota 4×4 doada por uma senhora americana que vive na Uganda). Muito espectativa de nós extrangeiro, pois passaríamos em tribos que nunca tiveram contato com homem branco. Seriam cerca de 45 km de muita emoção.

Nos primeiros 40 minutos andamos numa rodovia que a pouco tinha sido reformada, então pudemos correr entre 80 a 100 km/h. Mas quando tivemos que sair dessa boa estrada entramos em caminhos que só dava pra fazer 20 km/h. Foi verdadeiramente uma aventura. Atravessamos barro, buracos e até mesmo dentro de um rio (pode acreditar, a água chegou a cobrir a frente do carro quase chegando a água no parabrisa). Ikotos fica numa região montanhosa, então as paisagens eram divinas. De tempo em tempo cruzávamos tribos e possoas muito diferentes e exóticas.

Primeiro paramos em Lotukos para cumprimentar uam irmão do pr Joshua, tinha soldados e coca-cola por toda parte. Seguimos por uma estrada muito estreita de lamaçais e mato, damos graças a Deus pelo carro doado, sem dúvida um carro comum jamais passaria por aquelas estradas, sem contar que o motorista era experiênte naqueles tipo de estradas (ah, o motorista foi o pr Marcelo, profissional). Me senti no rali do sertão!

Segunda parada na plantação de batatas das viúvas. O campo deve ter uns 20x50m seguido de uma paisagem magnífica. Esse programa com as viúvas é corrdenado pelo pr Marcelo para que com essas batatas as viúvas possam ter seu sustento vendendo-as. Passamos por algumas tribos de onde algumas das nossas crianças vieram, umas em montanhas e outras em vales.

Terceira parada na tribo Dongotono. Nos deparamos com muitas crianças, talvez umas 60 delas sentadas debaixo de uma grande árvore. Ali, bem naquela árvore finciona a escola delas, sem carteiras, sem cadeiras e nem material apropriado. Conhecemos o líder da tribo, um senhor muito sorridente. Eles vivem uma vida muito simples sem energia ou comunicação e em paz, lá é um lugar onde a guerra não alcançou, tem água, solo fértil cercado de montanhas maravilhosas, um paraíso.

Hoje o povo Dongonoto daquela região são 100% animistas envolvidos com bruxarias, curandices e provavelmente com sacrifício de animais. Sengundo eles são aproximadamente 30000 pessoas espelhadas daquele lando da montanha e do outro lado pode chegar a uns 20000 pessoas. Só sabemos que é um povo que precisa muito conhecer a Jesus, estão em total trevas. Eles anseiam que um missionário fique lá para apresentar-lhes Jesus, quem sabe eu não volte lá e estabeleça uma obra? Estamos orando pra isso.

Seguimos viagem e paramos num outro vilarejo Dongotono que eles chamam de Center Village, lá tem escola, mercado, hospital, é bem estruturado. Fomos visitar um obreiro, mas ele não estava lá, tinha ido pra Ikotos. Ficamos conhecendo o diretor da escola e o pai do pr Joshua. Pela primeira vez entrei num tuko, é impressionante, do lado de fora fazendo mais 40 graus e dentro do tuko não passa de 28 graus.

Última parada em Ikotos. Parecia mais uma cidade de tukos do que um vilarejo, tem até prefeitura. Muita gente, muita criança, aliás, o que mais víamos nessa viagem foram crianças. Lá encontramos o obreiro e ele nos levou a um senhor chamado Wilson, ele é um tipo de vice-prefeito daquela vila, muito simpático e humilde, um cristão genuíno. Conversamos sobre o Referendum e a segurança das nossas crianças. Ali era o ponto mais seguro e próximo da fronteira da Uganda (apenas a 16km) caso haja necessidade de refugiarem lá, isso se estourar novamente a guerra.

Infelizmente chegamos muito tarde lá, então não tivemos tempo de fazer alguma atividade com as crianças de lá que a maioria delas nunca viram um branco. Voltamos e chegamos em casa por volta das 21h. Foi um dia maravilhoso e inesquecível para todos nós. Fizemos 45km em três horas e meia.


09/11/2010 – Tentando conhecer Torit

Dormimos bem tirando os barulhos que de vez enquando nos acordava ou visitas indesejadas de sapos, ratos, grilos mutantes e mosquitos. Aqui todos acordam cedo. Daqui pudemos ouvir as crianças cantando louvando a Deus e orando por volta das 5h da manhã, um pouco depois, creio que um pelotão do exército passou aqui na porta marchando e cantando suas rimas de guerra.

Conseguimos dormir mais um pouco depois dessas coisas e levantamos por volta das 8h, banhamos e tomamos nosso café (pão e leite). Saímos para conhecer a cidade, mas estava quase tudo fechado e soldados por todo lado com diversos tipos de uniformes, sabíamos então que algo importante estava acontecendo.

Encontramos um conhecido no mercado central (aliás, o único lugar aberto) e ele nos disse que todo dia 09 de cada mês até o Referendum é feriado nacional para celebrações do governo e orações pelo Referendum. E por falar no mercado central vimos gente por toda parte, muito peixe seco, verduras e frutas. Segundo pr Marcelo era um tempo de fartura por conta das chuvas, mas que no período de seca é difícil achar alguma coisa naquele mesmo mercado tão grande.

Em menos de uma hora conhecemos a cidade a pé. As únicas contruções de qualidade ou é prédio do governo ou da ONU, exceto o Hospital Estadual, muito triste, víamos os doentes deitados naquele chão de terra debaixo das árvores. Ali se alguém tiver alguma doênça grave não tem outro caminho senão a morte.

De um lado da rua um grande e milionário prédio do governo, e do outro tukos (tipo cabanas de índios brasileiros) e muita miséria. É um tipo de contradição social que se acha em todo mundo.

Depois de nossa visita a cidade fomos para a casa das crianças. Elas não foram para escola, estavam de folga durante a semana para estudarem para os exames na próxima semana. Os maiores estavam na escola que faz parte da “Hers of God Home” estudando inglês numa sala, matemática em outra e na terceira o Rodrigo estava brincando de macinha com os menores. Enquanto isso eu tirava algumas fotos e brincava de bola com alguns garotos.

Foi muito divertido e satisfatório em saber que em coisas tão simples podemos contribuir para alegria daquelas crianças. Algumas delas já se tornaram “meus brothers”, isso pra mim é tremendo demais. Voltamos para guest house para esperar o pr Joshua ir nos pegar para almoçar em sua casa. Aqui funciona o horário africano, se alguem marcou as 13h alguma coisa, pode saber que vai chegar depois das 14h. Sabendo disso fomos pra casa dele.

Quando chegamos o almoço estava sendo preparado por algumas das meninas da casa dos órfãos. A comida foi preparada no chão em cima de brasas e pedras, muito interessante e quente. Mesa pronta, pr Joshua não tinha chegado (estava numa reunião). Fomos comer sem ele, pois já eram quase 16h.Uma mulher veio com uma bacia e água para lavarmos as mãos.

Comemos carne de panela, ovo com tomate, arroz, ugali, chapati, uma carne seca e repolho refogado. Tudo muito gostoso, bem temperado, tivemos que repetir. Após terminar de comer descobrimos que a carne seca que comemos era uma parte muito peculiar do cabrito que prefiro nem citar qual é, dá pra acreditar?

Enfim pr Joshua chega e enquanto ele e outros convidados almoçavam conversamos sobre muitos assuntos, inclusive dos milagres que Deus tem realizado ali em Torit. Ao sair de lá levamos um garoto que estava muito doente pra fazer um exame de sangue, o resultado veio e confirmou que ele estava com malária. Demos o medicamento adequado e voltamos pra casa. Estava fresco a noite, pois havia chovido.

Confira algumas fotos:


08/11/2011 – Chegada em Torit | Sul do Sudão

Esse é o primeiro dia de muitos que serão relatados aqui. Foram 17 dias de muitas descobertas, experiências e emoções pelo sul do Sudão e norte do Quênia.

6:00 da manhã, malas prontas, deixamos nossa casa e fomos para Wilson Airport. Fizemos nosso check in na MAF, uma empresa aérea missionária. Às 8:00 entramos num monomotor de 9 lugares, ao todo éramos em 4 passageiros: pr Marcelo, Rodrigo, Catheryn (uma missionária que está morando numa montanha próxima de Torit entre as tribos Tukos há 4 anos) e eu. O piloto orou conosco e decolou, a previsão era de 4 horas de vôo.

Primeira parada em Lokichokio para pegar um casal de missionários. Logo decolamos e uma hora depois o piloto pousa em uma pista meio que improvisada no pé de uma montanha. Lá estava um casal muito jovem esperando pela Catheryn, deixamos ela e seguimos viagem. Menos de meia hora pousamos em Torit. Muita emoção.

De dentro do avião víamos as 120 crianças da casa dos órfãos (Heirs of God Sudan) cantando e batendo palmas. Rodrigo e eu não conseguimos conter as lágrimas (apenas de escrever relembrando aquele momneto lágrimas correm novamente). Fomos até elas e pegamos na mão de todas elas, uma por uma. Cantamos e dançamos duas músicas ali no aeroporto mesmo, nos despedimos e fomos para o centro da cidade.

Já no centro, tumo muito simples, compramos água, sabão em pó e mais algumas coisas que precisaríamos. Fomos para uma guest house e alugamos dois quartos, realmente tudo muito simples, mas bem limpo e organizado. Descançamos um pouco da viagem e fomos almoçar (isso já quase 16h). Depois disso nos arrumamos e fomos conheer as duas casa dos órfãos, logo virando a guest house.

Meu Deus! Rodrigo e eu ficamos profundamente impactados quando chegamos lá. Tudo muito, muito, muito simples (pra não dizer precário) ainda mais quando sabemos que é muitíssimo mais do que eles tinham antes de ir pra lá. Tudo isso me deixa indignado com o governo daqui no Sudão e com as igrejas brasileiras que gastam milhões em tijolos e megas extruturas para impressionar a homens (apenas a homens, pois Deus não olha para construções humanas que um dia vai passar) ao invés de investir no principal que são vidas. Acredito que se ajuntar apenas 5 igrejas brasileiras para investir pesado nessa obra no Sudão mudaria radicalmente a vida daquelas 120 crianças de lá além de poder dar mais extrutura pra receber novas crianças.

Aqui vimos onde eles estudam, deu vontade de chorar; olhei onde eles moram, deu vontade de chorar; vimos a igreja deles, deu vontade de chorar; vimos o quanto a igreja poderia fazer alguma coisa e não fez, deu vontande de chorar.

Quando vimos a alegria das crianças, os “bigs” sorrizos, o cuidado com elas, o amor e carinho, ah….. isso sim mata a gente. Mesmo nessa toda falta de infra-estrutura dá vontade de ficar aqui pra sempre. São tão amorosos, tão lindos, alguns com areia até na cabeça, mas tão fofas. Eles sim tocaram meu coração. Voltamos para guest house e fomos descansar mais um pouco, tomar banho e jantar. Alias, o clima aqui é muito quente, muito mesmo. Fomos dormir cedo, pois aqui na guest só tem energia das 18h às 22h. Chuveiro quente? Esquece. Vaso sanitário? Esquece.

Confira as fotos:


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