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Retorno ao Sudão – 23/09/2011

Retorno ao Sudão

 

Após 10 meses planejando, orando e sonhando, no dia 23/09 deixo Nairobe/Quênia, com destino a Ikotos/Sudão. Se eu disser que entrei no avião feliz estaria mentindo, pois havia me apegado muito a alguns de nossas crianças que estão em Nairobe, porém voei com muitas expectativas.

O avião foi até Lokichoggio que fica no extremo norte do Quênia bem perto da fronteira com o Sudão. Lá peguei um matato (transporte público) que me levaria para Kapoeta/Sudão, cidade onde encontraria com o pastor Joshua (responsável pelas nossas crianças no Sudão).

A viagem até a fronteira durou 1:30h onde paramos para dar baixa nos nossos vistos quenianos. Depois de quase uma hora partimos. Muito sol, muito calor. O matato tem lugar para 14 passageiros, estávamos em 19. Apenas 3, talvez 4, falavam inglês. Pude conversar bastante com um rapaz que mora na região de Nuba Mountains, onde aconteceu o último conflito. Segundo esse rapaz em 7 semanas morreram 7000 pessoas. Ele estava no Quênia estudando, agora deve estar em Juba trabalhando para conseguir dinheiro para voltar para sua terra.

No trajeto passamos por alguns vilarejos e cidadelas onde sempre pediam meus documentos e verificavam minhas bagagens, que, alias, creio que estavam mais curiosos do que preocupados com a segurança. Em toda parte muito soldados, muitas armas. Até garotos que estavam pastoreando trocaram seus cajados por metralhadoras.

Após umas 5 horas de viagem cheguei em Kapoeta. Consegui um telefone emprestado onde liguei para o Joshua. Para minha surpresa ele estava em Torit me esperando lá. Tinha que achar um lugar para dormir, pois só no outro dia teria um transporte público para Torit. Deus foi tão bom que em pouquíssimos minutos encontrei um pessoal cristão que me ajudou em tudo. Fui apresentado para um pastor e eles conseguiram um lugar para eu dormir. Tomei um banho, mas mesmo cansado e faminto fui derramar na presença de Deus.

No outro dia, renovado, mas ainda faminto (pois não havia comido nada desde Nairobe). Consegui encontrar apenas suco para beber. Fui até o ponto de ônibus (que na verdade não tinha ônibus). O matato que vai para Torit estava vazio, só sairia quando estivesse cheio, ou seja, talvez no outro dia hehe. Como eu precisava muito ir para Torit, peguei um taxi mesmo, caríssimo, mas depois da viagem vi que valeu a pena.

A estrada estava muito perigosa. Muita lama e os rios estavam cheio. Num desses rios ficamos parado 2 horas esperando a água baixar para prosseguirmos. Em certos trechos via a feição do motorista muito sério e preocupado. Ele me pediu para esconder meu dinheiro no carro, pois poderia aparecer ladrões a qualquer momento. Uma viagem que levaria 4:30 gastamos 7:30h, mas enfim chegamos sãos e salvos.

Chegando em Torit, mais uma vez não consegui encontrar o pastor Joshua. Por telefone ele me direcionou para uma guest house, a mesma em que havia ficado ano passado. Eu já estava doido para ir para Ikotos e ver as crianças, mas… paciência heheh. O pastor Joshua me encontrou lá, conversamos um pouco e daí ele me levou num lugar para comer, eu estava a quase 2 dias sem uma refeição.

No outro dia fui ao culto. Foi uma benção. O pastor Joshua pediu para eu me apresentar, fui muito bem recebido. Depois do culto fui resolver umas questões com um dos obreiros do pastor Marcelo Belitardo. Isso nos tomou a tarde toda. Só depois disso sai para comprar um chip para o celular e internet, daí onde foi meu primeiro contato com minha mãe e meu amor.

No outro dia, na segunda, fomos para Ikotos. Uma viagem de umas 4:30 horas de carro. Ikotos é uma cidade muito pacata cercada por uma belíssima paisagem cheia de montanhas, que alias, a montanha mais alta do Sudão fica aqui pertinho da minha casa. Enfim pude ver nossas crianças, que alegria, ver aqueles rostinhos e pegar na mão de um por um, uau, a muito desejava estar com eles.

Ikotos / Sudão

Depois disso o pastor Joshua foi me levar na minha nova casa, a apenas uns 100 metros, ou menos ainda, da casa deles. Um lugar muito jóia e seguro. Minha casa é um tukul, feito de barro, palha e cimento, sem energia elétrica, a latrina fica do lado de fora, e o banho é na caneca dentro da minha casa mesmo. É um tipo de condomínio que pertence a uma igreja. Tenho vários vizinhos, inclusive um casal de missionários americanos.

esse tipo de casa chama-se "tukul"

Acomodado fui jantar com as crianças. Encontrei a Marise, uma missionária brasileira (ex-aluna da MCM como eu) que esteve também em Naoribe ajudando nossas crianças lá. Ela está realmente fazendo um trabalho extraordinário aqui em Ikotos.

Na teça fui apresentado ao chefe da região de Ikotos, tipo um prefeito. Ele me deu as boas vindas e agradeceu muito pelo que a igreja brasileira tem feito aqui. O restante desse dia até hoje, o que tenho fieot é conhecer a cidade, me adaptar ao clima e ao novo estilo de vida e em ajudar na casa com o cuidado com as crianças.

Semana que vem irei visitar Isoke, região onde estão os dongotonos, o lugar que daremos início a primeira igreja entre eles.

Ah, dois detalhes que me esqueci. Já visitei dois funerais onde me pediram para orar e deixar uma palavra para os familiares. E o outro é que colocamos um painel solar aqui no meu tukul onde me possibilita recarregar meus eletro-eletrônicos, só a lâmpada que ainda não consegui fazer funcionar (não sei mexer com essas coisas heheh).

Enfim, obrigado por tudo, junto vamos mais longe e podemos mais.


Entrevista Pés Formosos com Fabrício Marra

entrevista retirada do site Pés Formosos – Missão Internacional até os confins da Terra!

Entrevista em dois momentos muito especiais com um querido irmão da Comunidade El Shadday de Araguari, que é uma igreja filha da Shalom Comunidade de Uberlândia. Hoje ele é um missionário. Um homem que ama as nações e deseja levar o amor de Jesus aos povos, seja onde for que o Pai o enviar. Foi um tempo muito descontraído e muito interessante. Olha, essa matéria está super especial e você não deve deixar de ler. Ele nos contará de suas experiências no Quênia, Sudão e Índia. Vale a pena conferir.

Todd e Joel

Mission Office Staff

Pés Formosos – Missao Internacional Dos Confins da Terra

Pés Formosos: Fale-nos um pouco sobre você e esse momento especial na sua vida.

Fabrício: Meu nome é Fabrício Marra da Silva. Sou membro da El Shadday em Araguari e fui a MCM para dedicar um tempo ao Senhor e entender melhor sobre missões e o chamado de Deus sobre minha vida. Ao término do meu curso teórico, fui desafiado a um tempo prático. A MCM – Missão Cristã Mundial, me enviou para o Quênia com o intuito claro de SERVIR naquela nação. O período proposto foi de 01 ano. A proposta seria de que no primeiro momento deveria me dedicar a aprender a língua local. No segundo período me envolveria mais com o ministério e chamado.

Pés Formosos: Para onde no Quênia você gostaria de ir ou intencionava ir?

Fabrício: O meu objetivo era de ir para o norte do Quênia, especificamente em meio aos Turkanas, mas isso seria no segundo momento. No primeiro momento o propósito seria de ir para Nairóbi para estar com o pr Marcelo Belitardo. Lá tem uma casa com 30 órfãos sudaneses (Heirs of God´s Home) entre 12 e 21 anos de idade, sendo 20 moças e 10 rapazes. Eu atendia em serviços gerais (desde faxina até cozinhar) e trabalhava com um discipulado pessoal, principalmente com os rapazes. A igreja se reúne dentro da própria casa das crianças. No início a igreja funcionava somente com as crianças e após a legalização da igreja, as portas se abriram para toda a comunidade. Na verdade o nome que usamos é World Mobilization Trust.  Oferecíamos também cursos para as crianças nas seguintes áreas: Corte e costura, música, violão (desejamos formar um grupo de dança e música), Informática (a maior necessidade nesse caso é de computadores), evangelismo com teatro. No Quênia, de uma maneira geral, telefonia e internet funcionam. Ah, um culto na África, onde passamos, começam o culto as 7 da manhã e muitas vezes terminam por volta das 5 da tarde ou mais.

Pés Formosos: Você precisou de visto para entrar no Quênia?

Fabricio: Sim. Entrei com visto de turista, tirado na entrada do país. Agora temos optado por outro tipo de visto. Incentivamos os novos a entrarem com visto “Business”. Enquanto nesse assunto, gostaria de dizer que no Sudão é diferente e muito mais difícil tirar visto. Existe o visto para a parte sul e outro para a parte norte. Se você tem um, não significa que tem acesso a outra parte do país. Após o referendum a situação ficou ainda mais complicado.

Pés Formosos: Vocês recebiam pessoas para ajudar no trabalho local?

Fabricio: Sim.  Recebemos grupos que vieram para apoiarem o trabalho. No tempo que estive por lá, recebemos um grupo de 10 pastores e dois irmãos brasileiros. Eles foram com o intuito conhecer as crianças do Sudão e toda obra realizada naquela região da África. Nós temos 120 crianças no Sudão, conhecidas hoje no Brasil como Órfãos do Sudão. Por conta do referedum as portas para o Sudão estávão fechadas para podermos levá-los, então ficaram apenas no Quênia ministrando cura e libertação com os nossos 30 e visitaram também o norte (Campo de Refugiado Kakuma e Turkanas). Recebemos também muitos quenianos de outras igrejas e instituições assim como representantes do governo queniano e sudanês. Todos sempre tinham a mesma reação, ficavam maravilhados com o cuidado que damos a esses nosso filhos, digo filhos pois é assim que os tratamos.

Pés Formosos: Qual é a visão quanto a liderança?

Fabricio: A visão que temos é de trabalhar os locais, os nativos para que eles venham a assumir o trabalho ou projeto. Por exemplo, no Nepal hoje temos 06 casas das Meninas dos Olhos de Deus. 03 ou 04 dessas foram abertas pelas próprias meninas (nativas). Na Índia temos 193 igrejas plantadas no norte do país e o alvo é de ter 365 até 2012, apenas o início foi através no pr Marcelo Belitardo, hoje são os nativos que dão continuidade.

Pés Formosos: O que se faz necessário para se ter uma igreja, ou um grupo ser chamado igreja?

Fabricio: Se temos um obreiro e um grupo de pessoas reunindo metodicamente e anunciando os ensinos de Jesus, consideramos igreja e tem o PR de cobertura que irá auxiliar até o amadurecimento daquela igreja.

Pés Formosos: Antes de avançarmos para outras nações, o que é o próximo alvo para o Quênia?

Fabrício: Nairóbi é uma cidade grande. O clima é agradável, como em Uberlândia. Até o final do ano o desejo é de estabelecer uma escola primária. Um dos motivos é que educação é muito caro para a população. O outro motivo é devido à maneira que entendem disciplina para o aluno. Eles têm direito de disciplinar na escola e acabam espancando muitas vezes, ou no mínimo exagerando. Procuraram se inspirar no modelo britânico.

Pés Formosos: O custo de vida é alto em Nairóbi?

Fabrício: É sim. O aluguel de lá é comparado com aluguel de Brasília, um dos mais caros do país. Para um solteiro viver lá sem muitos privilégios, custaria em torno de R$ 1.500.00 mês. Um casal custaria pelo menos uns R$ 2.500.00. E ainda salientando o ponto anterior, me lembrei que a MCM pretende fazer de Nairóbi sua base internacional. Isso devido a sua localização estratégica não somente na África, mas também visando a Ásia com treinamento de missões e melhorando a comunicação e suporte dos missionários já no campo.

Pés Formosos: Após o término do seu primeiro estágio, aprender a língua, surgiu o momento de definir o chamado. O que aconteceu?

Fabrício: Após esse tempo em Nairóbi fui convidado a viajar com o PR Marcelo Belitardo para conhecer algumas realidades e aberto a ouvir Deus para saber qual seria o próximo passo. O meu coração estava preso ao Turkanas, na região norte do Quênia. Um lugar muito quente e desértico mesmo. Mas, estava aberto a ouvir Deus nessa viagem. Fizemos uma viagem ao Sudão. Lá temos 2 casas de órfãos, hoje só tem um irmão que cuida das 120 crianças. Há uma necessidade urgente de trabalhadores. Ja temos algumas igrejas no sul e a idéia é dar continuidade a implantação de igrejas em locais onde Jesus nunca tinha sido pregado antes. As crianças foram conduzidas para Ikotos, um povoado no sul na região de Isohe. Uma das bênçãos que já temos vivenciado é o fato de que a taxa de infermidades caiu consideravelmente. Era comum que 20 a 30 crianças pegarem febre-tifóide ou malaria toda semana. Mas, nessa parte do país existe uma bênção, água boa, em 3 meses menos de 10 ficaram doentes.

Pés Formosos: O que se come nesses lugares?

Fabrício: Farinha. Farinha de tudo! Farinha em abundância nas ruas e nas vendas. Também comem muita batata, couve, cenoura e coisas do tipo.

Pés Formosos: Então, esse foi o lugar que sentiu chamado por Deus para investir sua vida?

Fabrício: Não. Fomos ainda adiante até que chegamos aos Dongotonos. Um pastor nosso amigo havia nos incentivado a ir até eles para os conhecerem. São cerca de 50.000 ao todo. Nesse vilarejo deles não tem um cristão sequer. Conversamos e falamos sobre Jesus. O líder daquele grupo implorou pedindo que por alguém para ficar com eles e contar a história de Jesus. Nunca haviam ouvido falar esse nome. Não tinham idéia alguma de quem era, mas queriam conhecê-lo. Eu e o pr Marcelo Belitardo começamos a orar por essa questão, foi quando Deus falou que ia me mandar pra lá. Vou passar dois anos em meio a esse povo. Vou trabalhar no sentido de levantar uma igreja e formar líderes. Estamos planejando a viagem para agosto, mas ainda não temos uma data exata . Passarei um tempo em Nairóbi antes de ir e há um grande desafio que será cooperar na tradução da Bíblia para a língua deles, não há nenhuma porção da Bíblia nessa língua Dongotono.

Pés Formosos: O que é Lotuko?

Fabrício: Lokuto é um povo muito grande no sul do Sudão e vivem perto dos dongotonos. A língua lotuko é muito semelhante ao dongotono e já possuem o novo testamento e sua língua. Acredito que isso facilitará no trabalho com os dongotonos.

Pés Formosos: Para isso acontecer, qual é o valor do investimento e qual é o preço a ser pago?

Fabrício: Terei que fazer a meu Tukul (tipo oca de índio). É feito de palha e barro como se vê em documentários. Vou precisar de moto, pois estarei a uns 150 km da cidade mais perto e a 30 km da casa das crianças. Também vou assistir na administração das casas das crianças (120). Preciso adquirir um painel solar, pois não tem energia na aldeia. Tem a passagem e outros detalhes. Para isso precisaria de R$ 6.000.00 para começar o projeto de mudança. Deus já moveu as águas. Fui testemunhar sobre o trabalho na África na Igreja Batista Nova Vida em Piracicaba e levantaram uma oferta de R$ 7.500.00. Além disso, recebi as passagens como oferta. Deus é maravilhoso. Quando ele manda, ele financia. Preciso ainda do meu sustento mensal, mas sei que Deus proverá.

Pés Formosos: Qual é a visão geral?

Fabrício: O desejo do pr Marcelo Belitardo, nosso coordenador, é de estabelecer igrejas, casas de crianças entre do Quênia até no Egito (extremo norte da África), sendo que o norte da África é mais complicado por ser solo mulçumano. Lembrando sempre que a meta é sempre de formar obreiros locais para que eles possam assumir o trabalho e levá-lo adiante.

Pés Formosos: Mesmo que já esteja definido o seu próximo lar, você teve oportunidade de ir aos Turkanas, no norte do Quênia?

Fabrício: Fizemos uma viagem aos Turkanas. Lodwar foi a primeira cidade a ser visitada. O pr Francis, local, da MCM, está atuando nesse local. Ele é responsável por 5 igrejas em meio as tribos. Tivemos oportunidade de visitar 4 das 5, pois uma era tão distante , 20 km a pé, e não teríamos tempo de ir até lá. Todos os pastores moram em Lodwar. Um caminha 15 km para chegar a sua congregação. O outro caminha 20 km e o terceiro caminha 40 km e o quarto uns 70km a pé. Isso acontece 2 vezes por semana. Na caminhada em areia se vê pessoas pastoreando cabritos de quando em quando. É um deserto mesmo.  Ao nos aproximarmos da aldeia ouvimos som de tambores e sentimos a clara e gloriosa presença de Deus. Foi demais!  Essa igreja que estávamos nos aproximando dela se reúne debaixo de uma árvore. Eles estão ali por mais de 10 anos.

Pés Formosos: O que mais te marcou sobre a reunião deles?

Fabrício: Primeiro o quanto Deus estava presente. Era notório. Outra coisa a alegria deles em louvar e adorar a Deus. É muita alegria! Essa tribo em especifico tem 100% de conversão, pelo que me disseram. Até mesmo os feiticeiros e bruxos já se converteram. Enquanto cultuávamos, a aldeia estava parada, sem movimento, exceto o culto, é claro.

Pés Formosos: O que mais te chocou?

Fabrício: A miséria… muita miséria. Doeu nosso coração ao sair daquela aldeia, pois demos carona para dois jovenzinhos buscar água. Eles não têm água na aldeia. Andamos aproximadamente uns 70 km até o poço onde ela poderia pegar água para levar a aldeia. Devido à escassez e mesmo falta de água existem muitos problemas renais, e de órgãos internos secarem… miséria, muita miséria. Estávamos em rota ainda, quando avistamos 03 garotos entre 08 e 10 anos de idade. Brincamos um pouco com eles. Então eles pediram algo que cortou nosso coração. Água, somente água.  Crianças normalmente não pedem água…

PAUSA…

Pés Formosos: Vocês seriam bem recebidos para morar em meio aos Turkanas?

Fabrício: Não. Hoje o branco ainda não é bem visto pelos Turkanas. Para muitos deles foi a primeira vez que viram pessoas brancas. Uma vez um grupo chegou de moto e eles saíram correndo, pois não conheciam moto. Mas, eles conhecem Jesus e rendem a ele uma genuína adoração. É algo lindo de se presenciar. Historicamente esse povo, Turkanas, tem uma rivalidade com os Toposas que são primitivos e guerreiros e moram no sul do Sudão. Mas, Deus trará paz nesse sentido também, pois o príncipe da paz está nascendo a cada dia em meio a eles. O conflito entre eles é por comida.

Pés Formosos: O grupo de pastores foi até o norte do Quênia?

Fabrício: Sim. Contamos a eles sobre a miséria e falta de água. Por favor, inclua a foto da garrafa de água nosso e a deles. Alem do problema de não se achar muita água a qualidade também é ruim. Eles levantaram uma oferta e com U$ 1.000.00 encheram um caminhão de suprimentos e água. O desafio em meio a essas 4 tribos é furar poços para que possam ter água. Foi proposto furar um poço e outras tribos se mudariam para perto para ter acesso a água. A intensão é 2 possos para atender em torno de 5000 pessoas entre um pouco mais de 1 milhão.

Pés Formosos: Qual é o percentual de cristãos no Quênia e Sudão?

Fabrício: 80 % cristãos no Quênia e 20 % (entre mulçumanos e as outras religiões); No Sudão é 80% de mulçumanos e 20% entre cristãos e outras religiões. Existe muita feitiçaria no Sudão, mesmo entre os cristãos e mulçumanos.

Pés Formosos: Você teve a oportunidade de ir a Índia também?

Fabrício: Sim e o que mais impressiona na Índia é gente. Tem gente para todo lado e tem buzina para todos os ouvidos. Lembrei-me dos relatos do seu, pr Ary, quando visitou a Índia pela primeira vez. Falei que achei a palavra que define a África é miséria e a palavra que define a Índia é macabro. Muito problema com higiene. Fui até um lugar que é um canteiro de fezes. Tem um muro baixo. As pessoas se abaixam, e defecam ali mesmo, em público ou nas ruas. É comum ver a pessoa se abaixar para fazer as suas necessidades, e não limpar, nem ela e nem a rua. Uma das coisas tristes da Índia é o abuso sexual das crianças. Até os sacerdotes dos templos aproveitam disso. Existe uma cerimônia pelo nome Puja, é de consagração, e acontece muita coisa macabra.

Pés Formosos: Quais são as maiores necessidades hoje?

Fabrício:  No Quênia e Sudão são:

  • Obreiros, solteiros e casais
  • Administradores
  • Conselheiros (nós e as crianças que estão no Quênia temem o retorno delas ao Sudão, pois pode resultar em casamento. Tem dote e tudo mais. Tem um caso que conheço que a criança se casou aos 08 anos de idade. Isso é algo comum. São casamentos arranjados) Outra coisa que precisamos ajudar é na mudança de mentalidade. O negro africano é conhecido por ser preguiçoso e violento. Abuso sexual é muito comum…. a mulher para se sentir amada tem que apanhar…
  • Precisamos formar essa geração de filhos que temos ali – oramos muito sobre esse assunto de casamento.
  • Perfuração de poços entre os Turkanas, agora em junho esterá sendo perfurado o primeiro.

 

Na Índia:

  • Batizar os eunucos. Estamos trabalhando com um grupo de eunucos e de 8 5 estavam prontos para batizar quando estivemos lá. Mas, por um estar doente e os outros não saírem de casa até que ele se recupere não foi possível. Ore por eles.
  • Fortalecimento dos irmãos. Aconteceu um batismo de 13 pessoas em Varanasi e de 02 em Kashmira
  • Pelas viagens pelo país. Na viagem que participei iniciamos 05 igrejas. Em poucos dias haviam viajado o proporcional a 06 dias de transportes públicos. Teve um caso que muito nos chamou a atenção. Um irmão que se converteu, pois Jesus se apresentou a ele esua vida foi mudada. Ele esta sendo acompanhado por nossos obreiros.
  • Que haja muitas curas como sinal da ação de Deus em meio a eles. Num local houve muitas curas e como resultado mais de 100 pessoas aceitaram Jesus como Senhor e Salvador.
  • Tanto no Quênia quanto na Índia obreiros precisam de transportes motorizados para poderem ter um alcance maior.

Agradecemos muito ao Fabrício pelo tempo e por partilhar algo tão maravilhoso conosco. Para encerrar gostaria de encerrar dizendo que fico muito feliz por esse novo momento da igreja brasileira. Um momento onde não somos somente receptores de missionários, mas onde temos o privilégio de enviar missionários. Faz-me pensar em Paulo na experiência de ser descido num cesto. Havia o que ia e os que seguravam as cordas. Certa vez a pergunta foi feita: Onde estão as marcas nas mãos dos que seguram as cordas dos missionários? Algo para pensar e refletir em oração. O que temos feito para o avanço do trabalho missionário ao redor do mundo?

Um abraço e até a próxima matéria…

Todd Scates


O lugar mais faminto do mundo

Akobo-A Cidade Mais Esfomeada do Mundo – Akobo (dados da ONU)

Sudão é o maior país da África. É um dos grandes produtores mundiais de petróleo. Suas riquezas minerais são imensas e boa parte ainda desconhecida.

O Sudão tem terras férteis e prontas para o plantio da maioria das lavouras do planeta.

O Sudão tem um lado turístico nunca explorado:

Ele reúne as pirâmides do tempo dos Faraós, mas tem também preciosos animais em suas montanhas e florestas. Ainda em suas belezas naturais, tem o Rio Nilo. Rio histórico, belo e navegável, amplamente cultivado em suas margens.

Sua capital, Cartum, é uma das maiores e mais lindas capitais africanas, contando com mais de quatro milhões de habitantes.

As estatísticas têm mostrado, desafortunadamente, um país que quase nada desfrutou de seus recursos naturais e humanos.

-A guerra civil mais longa do mundo, que na verdade nunca cessou totalmente. Os números são divergentes, entre 2 e 4 milhões de vítimas.

-O maior desastre humano deste século: Darfur.

-O maior número de refugiados do mundo.

-O Sudão tem, segundo a ONU, uma outra marca de dor e sofrimento:

A cidade mais esfomeada do mundo:

Akobo

O lugar é tão difícil e oprimido, que missionários locais evitam abrir campos naquele lugar. A miséria campeia por todos os lados. Literalmente a cidade está morrendo de fome e sede dia após dia.

Akobo é a terra da tribo Anuak.

Eles são facilmente identificados pelas inúmeras pintas que fazem na face. Estes sinais são feitos a ferro e a fogo pelos varões da tribo, quando o menino tem entre 8 e 10 anos. Sem estas marcas ele não terá direito a uma esposa. As marcas que o acompanharão até a morte, nem se comparam com as feridas da alma que este povo sem esperança carrega.

Eles também já sofreram seu genocídio próprio, isto ocorreu em 2003. Para ser mais exato, entre os dias 13 e 16 de dezembro de 2003. O genocídio foi tão cruel e violento que tornou-se indescritível (http://ww w.anuakjustice.org/downloads/GENOCIDEINWESTERNETHIOPIA.pdf).

Os anuaks pastoreiam ovelhas e cabras e têm pequenos jardins perto de suas casas. Eles cultivam a maior parte do que comem. Quando o solo de uma aldeia esgota-se, os anuaks mudam-se para outro lugar fértil próximo para cultivar. Não há cooperação ou trabalho de equipe entre as aldeias no cultivo do solo. Consequentemente, cada aldeia é auto suficiente e isolada das outras. Não há educação, não há eletricidade, água tratada e nem serviço médico. Isto para uma população de 30 mil pessoas.

Quase 95% dos anuaks são animistas (creem que objetos inanimados têm espírito), seguindo sua religião étnica tradicional. Também praticam a adivinhação e feitiçaria.

Não há informação de nenhum cristão entre eles. Realmente isto é quase impossível, pois, em todos os povos em contato com a civilização, existe algum testemunho de fé. Esta, no entanto, é a informação que se obtêm tanto nos meios de comunicação, como da liderança cristã sudanesa.

Líderes da Igreja no Sudão não sabem de nenhuma missão evangélica que esteja atuando lá, muito menos alguma tradução do evangelho em sua língua. Ouvi falar que os presbiterianos sudaneses estão tentando algo na tribo.

Teria alguém coragem de começar um compromisso sério de intercessão pelo pior lugar do mundo para se viver?

Teria algum intercessor, força para iniciar uma revolução em favor do povo que foi abandonado por quase todos?

Khartoum, Sudão – Verão de 2011.

Anézio Massuia

P.S. Se houver alguém, por favor, em nome de Yeshua, que deu Sua vida por este povo que só conhece o lado ruim da vida, coloque estes nomes no mural de seu coração: Akobo e Anuak.


Transcultural


Retrospectando – bye 2010

Uau! Como 2010 passou rápido. Entre erros e acertos apenas tenho motivos para glorificar a Deus, pois tudo coopera para o bem daqueles que O amam. Fazendo uma retrospectiva do que aconteceu, posso com facilidade me comparar com odiscípulo Pedro.

Tive meus momentos de contemplar os milagres do Senhor, momentos em que andei sobre as águas, momentos em que pensei que o barco iria afundar até que vi Jesus se levantar e repreender os fortes ventos. Tive também os momentos que assim como Pedro neguei a Jesus com meus pecados e minhas falhas. Como ele, tive os momentos de choros e amargura, tempo de confrontos e consolos.

Como foi forte ouvir Jesus perguntar “Fabrício, você me ama?” e não saber o que responder, até o dia em que Ele me perguntou novamente e com sinceridade pude responder “Sim!”. Foi quando ouvi Sua doce voz dizendo: “Apascenta a sminhas ovelhas!”.

Hoje estou aqua em Nairobe/Quênia obedecendo ao chamado que Jesus me fez. Até agora foram um pouco mais de 4 meses, mas tantas coisas tão preciosas e inesquecíveis aconteceram até aqui que parece que tem muito mais tempo.

Quando olho o crescimento da obra de Deus, do amor, das experiências passo a entender melhor o que é entrar na dimensão da eternidade através da fé. Agora sim posso dizer com propriedade que o tempo de Deus é diferente do meu.

Em 2010 finalizei a parte teórica do curso de Teologia e Missões (CFCO) na MCM, vim para Nairobe. Viagei para o Sudão e norte do Quênia onde Deus confirmou meu chamado missionário e mostrou que tipo de povo Ele deseja que eu trabalhe.

Iniciamos 4 programas de treinamento na casa Herdeiros de Deus Quênia, no qual dois deles é realizado por mim. Já estamos com nossa próxima viagem missionária marcada para Índia (já milagrosamente com todas as despesas com passagens e transportes pagas). E são muitos os testemunhos daquilo que Deus tem feito.

Tudo aconteceu tão rápido e maravilhosamente por ter pessoas como você que segura um lado da corda daí do Brasil, seja em orações, conselhos, contribuições financeiras e apoio de modo geral. Sou muito grato a Deus por você, somos UM, unidos pela Cruz de Cristo!

Não poderia deixar de agradecer em especial o meu pastor Carlos Luciano que entendeu o chamado de Deus para as nações e me abençoou para essa caminhada de fé. E também agradeço ao pastor Marcelo Belitardo que me acolheu aqui na África e tem sido como um pai me ensinando, corrigindo e insentivando.

Sempre peço orações em meus relatórios, mas desta vez sou eu que vou orar por você. Minha oração é que Deus retribua em bençãos espirituais muitas vezes mais diante daquilo que você tem me abençoado. Oro para que 2011 seja um ano de mudança e conhecimento de Deus. Oro para que Deus se revele cada dia mais a Si mesmo através de Seu filho Jesus Cristo para você.

Muito obrigado!

Em amor…

Fabrício Marra da Silva
“Que o Cordeiro receba a recompensa pelos Seus sofrimentos”
–http://fabriciomarra.wordpress.com

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17/11/2010 – Ultimo dia em Torit / Chegada em Kakuma

Acordamos cedo para arrumar nossas malas e deixar tudo pronto para viagem. Às 09h já estava tudo preparado. Iríamos começar a preparar o almoço às 10h então aproveitei para passar os últimos momentos com as crianças em Torit.

Quando cheguei lá, não consegui me alegrar, pois em poucas horas estaria deixando a cidade. Foi tudo um clima de despedida, olhos cheios de lágrimas, nó na garganta. O pensamento que me passava era de quando será que terei a oportunidade de reve-los. A nossa oração é que após o Referendum as fronteiras não se fechem. Recebemos muitas cartinhas, algumas fotos e muito carinho.

Nem conseguimos almoçar direito. O vôo estava marcado para às 11h, mas veio após as 13:30h, enquanto esperávamos na porta da guest house (que fica ao lado do aeroporto) muito das crianças e adolescentes das casas de órfãos veio ficar conosco. O que mais escutei foi “Fabiricho, don’t go, stay here!”. Vou sentir falta de escutar Fabiricho e Rodirico.

Enfim escutamos o barulho do avião. Saíram todos eles correndo para o aeroporto, chegaram primeiro que nós. Enquanto o piloto guardava nossas malas fomos nos despedir. Apenas silêncio e lágrimas. Dizer o quê? Foi um tempo tão curto, mas muito marcante. Só quem foi até lá pode saber disso. Fiquei surpreso, pois vi algumas delas chorando sendo que pra mim eu não tinha feito nenhuma diferença na vida delas, mas me enganei. Ah Jesus! Deixa eu voltar em breve!

Partimos.

Paramos em Lokichokio para pegar o visto de entrada do Quênia. Lá nos encontramos com o Nicolau que havia preparado tudo para o restante do dia. Almoçamos novamente por volta das 15:30h e pegamos um taxi para Kakuma que fica a uns 40km de Lokichokio.

Chegando em Kakuma entramos em contato com uma senhora da ONU que nos recebeu no Campo de Refugiado Kakuma (o mairo do Quênia com 78000 refugiados de mais de 20 países). Fomos muito bem acolhidos nas dependências da ONU onde passamos a primeira noite em segurança após 10 dias de viagem.

Essas dependências são ocupadas por 12 grandes ONGs de várias partes do mundo, cada uma com uma função específica para os refugiados, uma é apra comida, outra para imigração, outra saúde e assim vai. São cerca de 1000 trabalhadores mais cerca de 10000 refugiados que ajudam no trabalho.

Amanhã vai ser um grande dia, pois vamos conhecer a igreja que a MCM apoia lá entre os refugiados. Essa igreja tem até casos de perseguição, pois grande parte dos refugiados são mulçumanos extremistas da Somália. Que Deus nos ajude lá.

Quanto ao clima, aqui é mais fresco que Torit, porém muito seco. É uma região desértica, estava fazendo um pouco menos que 40 graus.


16/11/2010 – O que é o Referendum?

Nesse dia programamos algumas coisas para fazer no centro da cidade, mas descobrimos que foi decretado um feriado nacional por conta do cadastramento para votação do Referendum. Todas as pessoas que não nasceram em Torit deveriam voltar para suas tribos natais. Foi o dia todo caminhões indo e vindo lotados de pessoas (aqui não existe ônibus), eles precisam se cadastrar lá onde nasceram.

Citei muitas vezes o Referendum, mas afinal o que é? O Sudão passou por mais de vinte anos de guerra entre o Norte e o Sul. Em 2005 foi feito um acordo de paz de 6 anos que terminaria com um Referendum para decidir a independência do Sul ou não (como aconteceu com a Coréia). O povo do Sul estão muito felizes pois é a oportunidade de se tornarem um país independente, porém os políticos estão tensos, muito tensos. Tem duas razões para essa tensão. A primeira é que toda riqueza do Sudão fica no Sul (há possos de petróleo e terra fértil) e a outra é que o Norte é 100% mulçumano radical.

Se o país dividir dificilmente Al-Bashir, presidente do Sudão que vive no norte, permitirá que o Sul fique com as riquezas, então tomaria os poços a força, uma nova guerra civil pode começar. Ele é condenado pelo Tribunal Internacional (acho que é esse o nome) por genocídio, foi acusado de matar mais de 4 milhões de pessoas. O outro problema é que se unificar o país Al-Bashir já decretou que vai estabelecer a Sharia em todo o Sudão, ou seja, todos os cristão e animistas que vivem no Sul devem se converter ao islamismo ou morrerão, as igrejas fecharão, os missionários serão deportados, as portas do evangelho serão fechada e Al-Bashir já disse que mandará todas as ONGs de ajuda humanitária pra fora do país. Os sulistas não vão aceitar isso, então uma nova guerra civil pode começar. Independente dos resultados a guerra civil pode recomeçar, apenas um milagre de Deus pra tudo ocorrer em paz. Esse é o Sudão!

Bom, Rodrigo e eu aproveitamos para passar o dia todo na casa das crianças. O assunto principal foi a nossa partida que seria no outro dia, elas diziam que iriam chorar muito, acredito que eu também. Para mim foi o melhor dia que passei com elas, recebemos muitas cartinhas com folhas e flores desenhadas, com palavras do tipo “I love you” e “I’ll miss you”, ah….. vou sentir falta delas, muita falta, são lindas e fofas. Fomos embora e a espectativa da partida só aumentando, a primeira parte da viagem estava chegando ao fim.

 


14/11/2010 – Culto africano e pré-casamento

Essa última noite não foi tão tranquila quanto as outras. 00:15h acordei com um rato mexendo nas comidas e um pernilongo dentro do meu “mosquito-net” (aquelas redinhas que coloca por sobre a cama). Levei uns 30min para espantá-los sem acordar o Rodrigo. Estava muito quente e abafado.

Consegui dormir novamnete, mas por volta das 3:00h sonhei com uma feiticeira típica da região com dois acompanhantes. No sonho, muito real por sinal, a feiticeira invade a casa onde eu estava e diz para mim: “É melhor você acreditar no seu Deus senão não vai conseguir sair daqui”, na mesma hora o Rodrigo começou a definhar desesperadamente e muito rápido. No tempo em que eu declarei “te repreendo em nome de Jesus” a feiticeira me levanta pelo pescoço e então acordo. No quarto não conseguia ver nem um palmo na minha frente, mas pude sentir uma presença muito malígna. Só me restou orar e depois de algum tempo consegui dormir. Quando acordei pela manhã entendi que era uma guerra espiritual por que hoje eu seria o pregador do dia (e acredite se quiser, a partir desse sonho minha garganta ficou muito ruim, como se tivesse realmente levado uma pancada muito forte nela, custava engolir até minha própria saliva, só foi melhorar quando cheguei em Nairobi).

O culto começou as 7:00h e foi até umas 14:00h (muito diferente do Brasil que geralmente os cultos tem apenas cerca de 2 horas de duração). Muita música, muita dança e apresentações. Chegou minha vez de pregar. Apesar de conseguir me comunicar bem em inglês preferi pregar em português, assim seria mais fácil pra mim. O pr Marcelo me traduziu para inglês e uma mulher o traduziu para árabe. Me senti importante com esse tanto de tradutores! Foi uma mensagem simples e edificante sobre o obstinado amor de Deus manifesto na Cruz para nos salvar. Voltamos correndo pra casa para fazer almoço, pois em pouco tempo iniciaria o pré-casamento.

O evento foi na mesma igreja “Redeemed Church” do pr Joshua. Ao entrar, Rodrigo e eu tivemos que pagar cerca de R$ 7,00 e o pr Marcelo uns R$ 40,00 por ser um convidado especial. Teve música e pregação. Depois os noivos foram apresentados e iniciam um momento de recolher dinheiro dos convidados. Todo esse dinheiro é para ajudar a pagar o dote da noive (16 vacas no valor de mais ou menos R$ 350,00 cada) mais a festa que dura de 3 a 7 dias dando comida para os convidados e penetras, e ái do noivo se a comida não for boa.

Nesse pré-casamento os convidados especiais fazem tipo de uma comitiva ali mesmo para decidir como vão distribuir o dinheiro arrecadado. Os noivos não podem palpitar em nada. Saímos antes de acabar (começou as 15h e foi acabar depois das 20h). Não estávamos legal, pois além do calor estar muito forte nesse dia o som estava super ultra alto. Voltamos para guest house e fomos descansar.

Aqui na guest tem um barzinho funcionando junto. Das 18h às 22h o gerador de energia é ligado, então a TV fica ligada e os vizinhos vem para cá. Nesse dia passou futebol. Achei muito interessante, os sudaneses para assistir um jogo é muito parecido com os brasileiros, vibram, gritam, sofrem e aplaudem.

Fomos jantar e por mais de uma hora conversamos sobre missões e o papel das escolas de treinamneto missionário, mais uma grande aula com o pr Marcelo.  No outro dia seria só para descanso, sem nada para fazer, então não terei nada para escrever. Os dias em Torit estão chegando ao fim, daqui dois dias partiríamos para Kakuma, norte do Quênia com muitas experiências novas.


13/11/2010 – Novo dia, novas experiências

Logo que acordei fui pra casa das crianças, mas fiquei só uns 40 minutos, pois teríamos uma reunião com os parentes e guardiões dos órfãos que se mudaram para Nairobe.

A reunião começou umas 11h. Pr Marcelo contou os milagres que Deus tem feito aqui e também mostrou dois vídeos com fotos da viagem dos órfãos ao Brasil e de como estão em Nairobe. Ficaram todos muitos felizes e agradecidos, teve uma senhora que não parava de dar tchau pra tela do computador enquanto as fotos passavam. Muito interessante a reação que cada um teve.

Pude conhecer alguns dos parentes dos meninos, tiramos fotos e dançamos. A reunião acabou às 13h. Passamos a tarde com as crianças conversando e rindo muito. Mostramos como nossas culturas são diferentes. Conhecemos a mais nova órfã da casa. Ela deve estar com no máximo 2 meses de idade. Chegou na casa muito magra, só por milagre não ter morrido. Seu nome é Glória, muito fofa e agora gordinha, muito bem cuidada. Seus pais morreram num acidente de carro a poucas semanas.

Pr Joshua veio e nos levou com mais um monte das crianças para uma reunião de oração. Lá cantaram, dançaram e oraram. Nos chamara para orar pela família daquela casa. Oramos e nos sentamos, logo veio uma mulher com uma bacia e água para lavar nossas mãos, atrás dela uma outra mulher trazendo a comida. Foi minha primeira experiência comendo usando as mãos. A comida estava uma delícia, tinha arroz, feijão, uma carne muito saborosa e pão. Com os dedos sujos eu automaticamente levei-os a boca como comumente fazemos no Brasil, imediatamente fui repreendido, pois esse gesto de limpar os dedos com a boca é uma ofensa aqui.

Após o jantar voltaram a dançar, mas antes de terminar tive que ir embora. Amanhã o dia começa cedo. Precisei descançar, pois no outro dia o pregador do culto seria eu.

 


12/11/2010 – Um tempo com as crianças

Uau! Foi a noite que mais dormimos, acredito que seja por causa do cansaço do dia anterior. Era umas 9h quando Rodrigo e eu fomos para a casa das crianças. A intenção era ir pesquisar o tamanho que elas vestinhas e suas necessidades quanto a roupas. Um obreiro, o Emmanuel se prontificou para fazer isso, então o Rodrigo teve uma idéia. Ele pegou seus fantoches africaninhos e foi contar uma história para as crianças. Como elas riram, acredito que nunca tinham visto fantoches antes. Depois cantamos, dançamos e brincamos com elas, eu até joguei bola, acredita nisso?

Voltamos para almoçar. Enquanto o comíamos o pr Marcelo nos deu uma grande aula de missiologia. Depois o pr Joshua chegou e fomos tratar alguns assuntos burocráticos e de segurança da casa das crianças. Tanto o pr Marcelo quanto o pr Joshua me surpreenderam por conta de tanta sabedoria que eles tem.

Rodrigo e eu fomos outra vez para casa das crianças, só que desta vez apenas conversamos com eles. Logo voltamos para ghest pois já havia escurecido. O dia passou muito rápido. A cada momento que passo com as crianças um pedaço de mim fica com eles, são muito amáveis.


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