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20/11/2010 – Impactado pelas tribos Turkanas

Saímos por volta das 9:30h rumo as tribos Turkanas. As distâncias das cidades de Lodwar são 16, 22, 28 e 41km. Fomos apenas nas três primeiras, pois na última teríamos que andar cerca de 20km a pé, carro não consegue chegar lá.

Entramos deserto a dentro, uma paisagem muito branca com vegetação baixa totalmente seca. Imos dois redemoinhos de areia muito alto. Avistamos a primeira tribo. Estavam todos reunidos debaixo de uma grande árvore, ali era o templo deles, o culto havia começado, de longe conseguimos ouvir o barulho de tambor e vozes cantando.

Na medida que aproximamos as cores iam ficando mais vivas e a música mais bonita. O pr Francis disse que eles estavam adorando a Deus. Uma emoção muito forte tomou conta de mim, tentei conter as lágrimas. Como eles são lindos, tudo muito colorido, olhos brilhantes. Olhava em volta só deserto, me perguntei muitas vezes como eles conseguem adorar a Deus com tanta alegria sendo que lá não tinha nada. A resposta veio imediatamnete quando pude ver que Deus estava ali se deliciando com aquela adoração.

Não importa quão seco e quão inóspito seja um lugar, se Deus está ali, há vida.

Depois de algumas danças o pr Francis nos apresentou, então tivemos a oportunidade de nos apresentar. Muito interessante, eles são muito pentecostais, eles vibram, dão glória a Deus (Kipra Yessu, em turkana), realmente tremendo. Deram alguns testemunhos. Nos apresentaram o ex-feiticeiro e o ex-curandeiro da tribo que se converteram a Jesus, alías, toda a tribo havia se convertido. Também mudaram um dos costumes que era dos velhos se casarem com as moças, agora as moças só casam com os jovens moços mais ou menos da mesma idade.

Foram todos muito amáveis e receptíveis, partimos então para a próxima tribo. Essa segunda é a que tem a igreja mais antiga, cerca de 11 anos. Quando chegamos também coseguimos ouvir os tambores e canções a longa distância. Já era uma tribo com mais estrutura, vimos inclusive a escola primária que eles tem. Entramos na igreja (construção de barro) e tudo aconteceu muito parecido com a primeira tribo. Fomos também impactados por eles, pela beleza e alegria. Jesus estava lá. Nessa ficamos menos tempo e partimos para a outra.

Ficamos sabendo que os irmãos e irmãs da última tribo viria se ajuntar com a terceira, ou seja, várias pessoas andariam a pé cerca de 20 km só para se encontrarem conosco. Ficamos lisonjeados. De longe vimos aquelas pessoas debaixo de uma grande árvore, deveria ter mais de 60 pessoas contando com as crianças.

Ali passamos um tempo a mais com eles. São muito simples e amáveis. Deu vontade de ficar ali com eeles e de abraçar um minininho que saiu correndo e chorando de medo de mim, afinal um homem de cor esquisita, alto e segurando uma coisa estranha (minha câmara) até eu ficaria com medo! Ficaram todos surpresos quando mostrávamos as fotos que tiramos deles, acredito que nunca tinham visto antes.

Na despedida, quando entramos no carro, muitas crianças nos rodearam, rindo e brincando, achamos que era conosco até que percebemos que era com o reflexo deles na lataria do carro, imagina se tivéssemos um espelho ai?

Missão cumprida, fomos embora. Sem saber de nada fomos levado a uma outra tribo, já perto da cdade. Quando chegamos lá estava tendo um culto, entramos e umas crianças vieram apresentar uma dança. Depois o pr Francis pregou e falou do desafio que ele precisa vencer, que é de comprar 2 motos para os 4 pastores, pois até então eles andam a pé de Lodwar até seus destinos duas vezes por semana, um deles anda 41km pra ir e 41 pra voltar, estive lá, vi como é duro o caminho. Espero que alguns brasileiros se mobilizem e os ajudem na compra dessas motos, bicicleta não aguentaria o tranco.

Agora sim fomos embora. Almoçamos já quase as 16h. Comprei um típico banquinho e cajado turkana e fui descansar. O banquinho deve ter 20 cm apenas e é bem leve. Eles carregam pra todo lado. Bom esse foi o penúltimo dia da viagem, nem fui embora e já estava com saudades de tudo que vi.

 


18/11/2010 – Chegada em Lodwar

Arrumamos nossas malas, tomamos o último café da manhã e oramos juntos pela próxima viagem, pois as notícias que tínhamos sobre a estrada entre Kakuma e Lodwar frequentemente Turkanas armados paravam carros para roubar tudo que encontrassem, inclusive já tiveram conflito com trocas de tiro entre a polícia.

Pegamos a estrada e pela graça de Deus foi tudo em paz. Durante o percurso de uma hora e meia passamos por várias tribos e pessoas. Uma região muito desértica, não entendemos como as centenas de ovelhas e cabras que vimos por todo percurso conseguiam sobreviver.

Chegamos em Lodwar, uma cidade muito movimentada. A energia dela é fornecida por 4 geradores que funcionam individualmente um após o outro a cada 6 horas. As ruas são de areia. Nos encontramos com pr Francis, umhomem alto quase tão negro quanto aos sudaneses. Ele nos levou ao lugar onde passaríamos a noite. Após isso nos levou num lugar (tipo restaurante) para nos apresentar aos seus pastores que trabalham diretamente com as tribos Turkanas. Tudo aconteceu bem formalmente. Achei interessante que aqui eles servem a sobremesa antes do almoço.

Por volta das 16h o pr Francis nos pegou e nos levou até a sua casa. Um bairro afastado do centro. Tudo muito simples e primitivo (apesar de ter energia) e muita areia. Sua casa é bem simples, porém de bom tamanho. Ele mora com seus 4 filhos e 6 órfãos. Algumas crianças se ajuntaram a nós enquanto íamos conhecer a igreja dele que fica a uns 10 minutos a pé.

Chegamos lá. Maior que eu pensava, mas muito simples (alías, em todo lugar tudo é muito simples). Enquanto ele nos explicava como funcionava os cultos e o trabalho dele vinha crianças de toda parte, cinco, dez, quinze, quando saímos de lá deveria ter mais de vinte. Segundo o pr Francis, sua igreja tem cerca de 200 crianças, mas normalmente vão cerca de 400.

Parece um número exagerado. Mas enquanto voltávamos para o hotel a pé (cerca de 45 minutos) vimos crianças por todo lado, muitas mesmos. Quando cruzamos um centro comercial deveria ter umas 50 crianças ou mais nos acompanhando, elas brigavam entre si para ver quem segurava nossas mãos. Todo mundo parecia muito surpreso de ver 4 brancos andando por la, pela reação e pelos olhares curiosos acredito que fomos os primeiros brancos a passar por ali. Nos sentimos importantes, tudo parou porque quatro muzungosestava passando. Foram muito amáveis.

Quando cumprimentávamos em swahili ou em turkana eles riam muito. Novas crianças chegavam. Rodrigo e eu ficamos impactados com tudo que vimos. O pr Marcelo me disse assim “agora você sabe o que eu sinto quando venho para povos como esses”. Depois dessa experiência maravilhosa fomos jantar e depois descansar. No outro dia iríamos para o interior visitar 3 tribos turkanas diferentes, em duas delas provavelmente os primeiros brancos.

Tem uma tribo que começaram um trabalho recente que fica a 41km de Lodwar. Lá, segundo o pr Francis, ele e mais os outros pastores foram as primeiras pessoas vestidas de camisa e calça que aquela tribo viu. Eles chegaram lá de moto, ficaram todos desesperados de medo quando viu aquele negócio barulhento e rápido chegando, imagina quando virem 4 homens brancos chegando? Espero poder ir lá.


18/11/2010 – Visita ao interior do Campo de Refugiado Kakuma

O dia começou cedo, pois deveríamos tomar café da manhã antes das 8h e nos arrumar para ir ao interior do campo de Refugiado. Exatamente às 8h o pastor a quem temos contato lá dentro nos liga e dez minutos após nos encontra no portão principal (não citarei o nome do pastor por medidas de segurança dele).

Esse pastor tem igrejas dentro do campo cercado por mulçumanos. Entramos a pé no campo e fomos direto num ponto de taxi lá dentro. Assim que entramos no taxi (tipo vãn) fomos cercados por somalis. Um deles bem distinto, parecia um líder somali meio nervoso, questionava o pastor porque homens brancos estavam entrando lá. Ficamos tensos, eles queriam uma carta da ONU nos autorizando entrar. Fizeram algumas ligações e após uns 15 minutos nos liberaram.

No campo as etnias e famílias são separadas, algumas com cercas vivas de epinhos e outras com arame farpado. Passamos pela rua comercial, vimos muita gente, muitas lojingas tipo camelôs no Brasil, açougues extremamente precários. Algo realmente tremendo. Passamos pelo local onde fazem distribuição de comida, pré-escolas e hospitais. Tudo funciona como uma cidade.

Um tipo muito distinto de cidade, pois vimos mulheres de burca (só com os olhos de fora), mulhres com colares de 20 a 30 cm de altura cobrindo todo o pescoço, mulçumanos, animistas, cristãos, nativos muito primitivos tudo misturado. Uma mistura de 22 países e diversos grupos étnicos.

Andamos por 1:30h e mesmo assim não conseguimos ver tudo. Muito grande. Lá no meio passa um rio que agora está seco, mas que durante a época de chuva ele enche. Muito interessante a variedade da arquitetura da casas. Um ótimo lugar para fazer trabalhos antropológios e etnográficos.

Nossa parada foi na casa do pastor lá dentro do campo. Casa muito simples e pequena. Ali tivemos uma grande lição de vida e de trabalho evangelístico em povos tão diversificados. O pastor nos contou que já teve sua igreja apedrejada por mulçumanos somalis. A sua resposta quanto a isso foi amá-los abrindo um poço de água e os servindo. Hoje ele conta com alguns somalis convertidos, porém escondidos (quando um somali se converte ao cristianismo é condenado a morte, a Somália está em quarto lugar na classificação de países que perseguem cristãos), de inimigo passou a ser amigo do povo, pois decidiu amar.

Esteve conosco um outro pastor, que assim como o primeiro, também é assistido pela MCM e uma viúva de um ex-obreiro da MCM. Oramos juntos e voltamos para as dependências da ONU. Fiquei muito feliz e me senti privilegiado de conhecer verdadeiros heróis da fé que rompem em Deus em lugares tão inóspito ao evangelho como o campo de Refugiado Kakuma. Hoje a igreja desse pastor conta com cerca de 150 a 200 pessoas em sua igreja de vários paízes e grupos étnicos diferente. Fomos emboras jubilosos.


08/11/2011 – Chegada em Torit | Sul do Sudão

Esse é o primeiro dia de muitos que serão relatados aqui. Foram 17 dias de muitas descobertas, experiências e emoções pelo sul do Sudão e norte do Quênia.

6:00 da manhã, malas prontas, deixamos nossa casa e fomos para Wilson Airport. Fizemos nosso check in na MAF, uma empresa aérea missionária. Às 8:00 entramos num monomotor de 9 lugares, ao todo éramos em 4 passageiros: pr Marcelo, Rodrigo, Catheryn (uma missionária que está morando numa montanha próxima de Torit entre as tribos Tukos há 4 anos) e eu. O piloto orou conosco e decolou, a previsão era de 4 horas de vôo.

Primeira parada em Lokichokio para pegar um casal de missionários. Logo decolamos e uma hora depois o piloto pousa em uma pista meio que improvisada no pé de uma montanha. Lá estava um casal muito jovem esperando pela Catheryn, deixamos ela e seguimos viagem. Menos de meia hora pousamos em Torit. Muita emoção.

De dentro do avião víamos as 120 crianças da casa dos órfãos (Heirs of God Sudan) cantando e batendo palmas. Rodrigo e eu não conseguimos conter as lágrimas (apenas de escrever relembrando aquele momneto lágrimas correm novamente). Fomos até elas e pegamos na mão de todas elas, uma por uma. Cantamos e dançamos duas músicas ali no aeroporto mesmo, nos despedimos e fomos para o centro da cidade.

Já no centro, tumo muito simples, compramos água, sabão em pó e mais algumas coisas que precisaríamos. Fomos para uma guest house e alugamos dois quartos, realmente tudo muito simples, mas bem limpo e organizado. Descançamos um pouco da viagem e fomos almoçar (isso já quase 16h). Depois disso nos arrumamos e fomos conheer as duas casa dos órfãos, logo virando a guest house.

Meu Deus! Rodrigo e eu ficamos profundamente impactados quando chegamos lá. Tudo muito, muito, muito simples (pra não dizer precário) ainda mais quando sabemos que é muitíssimo mais do que eles tinham antes de ir pra lá. Tudo isso me deixa indignado com o governo daqui no Sudão e com as igrejas brasileiras que gastam milhões em tijolos e megas extruturas para impressionar a homens (apenas a homens, pois Deus não olha para construções humanas que um dia vai passar) ao invés de investir no principal que são vidas. Acredito que se ajuntar apenas 5 igrejas brasileiras para investir pesado nessa obra no Sudão mudaria radicalmente a vida daquelas 120 crianças de lá além de poder dar mais extrutura pra receber novas crianças.

Aqui vimos onde eles estudam, deu vontade de chorar; olhei onde eles moram, deu vontade de chorar; vimos a igreja deles, deu vontade de chorar; vimos o quanto a igreja poderia fazer alguma coisa e não fez, deu vontande de chorar.

Quando vimos a alegria das crianças, os “bigs” sorrizos, o cuidado com elas, o amor e carinho, ah….. isso sim mata a gente. Mesmo nessa toda falta de infra-estrutura dá vontade de ficar aqui pra sempre. São tão amorosos, tão lindos, alguns com areia até na cabeça, mas tão fofas. Eles sim tocaram meu coração. Voltamos para guest house e fomos descansar mais um pouco, tomar banho e jantar. Alias, o clima aqui é muito quente, muito mesmo. Fomos dormir cedo, pois aqui na guest só tem energia das 18h às 22h. Chuveiro quente? Esquece. Vaso sanitário? Esquece.

Confira as fotos:


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