Arquivo da tag: missionária

27-02-2011 – Último dia missionário na Índia

Desde que chegamos na Índia, esse foi o dia mais agitado. Primeiro fomos a um vilarejo perto da cidade no estado de Haryana. Ficamos surpresos pelo lugar e a quantidade de gente. O culto foi em cima do telhado da casa de um obreiro, fomos recebidos com comida e segundo a cultura desse estado nós temos que comer o que eles ofereceme toda vez que recebe uma visita eles devem dar algo para comer, ou seja, se você visitar 10 casas num dia, vai ter que comer as 10 vezes.

O culto foi em céu aberto por se tratar de uma região onde não há tanta perseguição (a primeira vez que fomos num lugar assim até agora), mas percebemos que as pessoas eram mais frias em relação onde a perseguição é algo grave e forte. Enfim, pudemos ministrar com liberdade, oramos pelos enfermos, expulsamos demônios e glorificamos o nome de Jesus. Fomos para outro vilarejo.

No vilarejo seguinte fomos recebidos com muita honra como nunca antes. Famíliares, amigos e vizinhos estávam nos aguardando com tapete vermelho, confetes e muita alegria. O anfitrião, um homem muito humilde e especial, se convertera a apenas 3 meses atrás. Deixa eu contar a sua história: Hindú seguidor de Shiva, bancário, casado e com quatro filhos. A mulher depois de ter sido liberta de demônios entregou a vida pra Jesus e desde então orava para que o marido tivesse uma experiência forte com Jesus. Atéque 3 meses atrás Jesus apareceu em pessoa pra ele e disse “Eu sou o Verdadeiro Deus, é a mim que você vai seguir e essa situação em sua vida vai mudar”, aconteceu como Jesus disse a ele e a partir de então está servindo a Ele fervorosamente.

Lá tivemos que comer 2 vezes, assim que chegamos e no almoço. Comi demais. Logo fomos para o culto, ali no quintal do irmão. Tinha praticamente só crianças, umas 30, aos poucos os adultos foram aparecendo e mais crianças. A maioria estava ouvindo o evangelho pela primeira vez e todos eles sem exceção nunca tinha visto um extrangeiro pessoalmente. Nos sentimos honrados, ministramos uma palavra de salvação, oramos por todos eles, mais de 100, vimos milagres no físico de alguns deles, Jesus foi exaltado, todos eles entregaram suas vidas pra Jesus, do menor ao maior. Ali vimos uma igreja, que já estava sendo gerada, nascer.

Fomos para casa do pastor, o mais novo obreiro do pastor Marcelo, e adivinha? Comemos mais, já não aguentava mais, estava muito cheio. Então oramos com sua família e vimos a avó da esposa dele de 100 anos, cega, sendo guiada por um bebê de menos de 2 anos ao banheiro, pode acreditar, e você tinha que ver a seriedade que aquela coisinha que nem anda direito coloca em sua função.

Após ali fomos em outra casa, sem muita supresa, comemos mais uma vez. Era uma família de sikhs. O assunto da roda foi por que a Bíblia fala pra comermos carne, pois eles, como 95% da Índia, são vegetarianos (e radicais), foi um papo não muito agradável, mas no fim deu tudo certo. Fomos embora e quando cheguei em casa fui direto pro banheiro e então descansar.

Esse foi o último dia da viagem missionária propriamente dito. Os próximos quatro dias é apenas as conexões que vamos pegar até chegar em Nairobe passando por Delhi, Mombai, Addis Ababa e enfim my home.


25-02-2011 – Himachal Pradesh

Direto de Himachal Pradesh, estado fronteirisso com o Tibet, após experimentar uma cura divina em meu corpo, escrevo essas palavras com louvores a Deus. Acordei como se nada tivesse acontecido comigo nesses últimos 2 dias; até consegui tomar meu café da manhã!

Logo cedo fomos visitar mais uma igreja “underground”. O nosso jovem obreiro é um ex-Sikh, sério e muito simples. Acredito que foi o culto mais cheio da presença de Deus até agora, tinha apenas 15 pessoas. Aqui é uma região de 65% hindu, 25% budista e 10% mulçumano, os cristãos não chegam a 1% (segundo eles nos informaram).

Acredito que por ser vizinho do Tibet, aqui a arquitetura e roupas são muito parecida com a de lá. Tivemos a oportunidade de visitar o monastério onde Dalai Lama mora (ele vive como exilado), parece realmente que estamos no Tibet. No fundo uma paisagem deslumbrante do pré-Himalaia, tibetanos e monges por todo lado, cada templo budista mais suntuoso que o outro e muito frio.

Aproveitamos para comprar roupas de frio para nós, pois a que trouxemos não era adequada e também aproveitamos para comprar para duas crianças que estávam conosco no culto, uma doente e a outra tremia de frio, pois não tinha nenhuma blusa.

Aqui foi um tempo muito curto, mas precioso, amanhã sairemos bem cedo daqui.


24-02-2011 – Nova viagem, novo estado

Hoje acordei muito ruim, na verdade nem dormi direito, quando levantei parece que alguém tinha me espancado. Pelos sintomas parecia febre tifóide. Logo íamos viajar, então tive que tomar um remédio senão seria muito difícil viajar.

Começamos nossa viagem por volta das 10h e chegamos no nosso destino às 18h, Himachal Pradesh. De onde estamos podemos ver o pré-Himaláia, esse estado faz fronteira com o Tibet. Tudo muito lindo e frio.

A noite tentei comer um pouco, mas consegui só uma colher de arroz. Fui pra cama cedo, e um pouco antes disso meus irmãos oraram comigo. Acho que por causa da fraqueza eu tremia de frio, mesmo debaixo de cobertas e edredons, foi preciso alugar um aquecedor aqui mesmo do hotel. Só assim consegui dormir. Espero acordar sarado.


22-02-2011 – Mais uma igreja

Acordamos cedo, tomamos um café da manhã e logo fomos para a casa do obreiro. Lá já tinha algumas pessoas nos esperando. Um lugar muito interessante, íamos subindo escadas que viram aqui e ali, que liga muitas casas até chegar na dele, parecia um labirinto o caminho. Fomos muito bem recebidos. Enquanto discutíamos como ia ser nosso tempo ali escutamos nossos irmãos darem início as orações no cômodo ao lado. Fomos até lá uma sala bem pequena quase cheia, talvez com umas 15 pessoas sentadas no chão.

Logo no fundo havia um homem muito estranho, era um mulçumano que estava indo pela primeira vez. Ficamos um pouco preocupado, pois se for um olheiro poderia por todos em risco e até mesmo um homem-bomba que é normal na Índia, ainda mais numa região de conflito entre hindus e mulçumanos como aquela. Bom, voltando ao culto, por ser uma igreja que chamamos de “underground” do tipo escondida, é uma igreja muito barulhenta, outro motivo que nos deixaram preocupados, vai que um vizinho nos escute e denuncie… Após os cânticos no estilo “curdu” (não sei se é assim que escreve) teve o momento das boas vindas e uma palavra tremenda do pastor Marcelo, oramos por eles, muitos vieram pedir oração, inclusive um senhorzinho cego. Nessa hora já havia mais de 30 pessoas naquela sala tão pequena.

Como é de costume, são os líderes religiosos que dão os nomes as crianças. O obreiro pediu para o pastor Marcelo dar o nome ao garoto, agora ele chama-se Isaac, mas na língua deles é algo mais ou menos Disaic. Aproveitaram para celebrar o aniversário do filho mais velho, 3 anos. Oramos com eles, almoçamos e por conta do risco tivemos que ir embora.

Segundo o pastor que nos levou lá, aquele lugar é só de cristãos liberado pelo governo para fazerem suas reuniãos, mas sem proselitismo, então fez sentido a barulheira. Chegamos em casa um pouco antes das cinco da tarde e aproveitamos o restante do dia para descansar, exceto o pastor Marcelo que teve reunião até a hora do jantar. O próximo dia haverá novas experiências no Senhor.


20-02-2011 – Batismo na Índia

Essa noite pudemos dormir mais, acordamos as 6:30h. As 7:30h fomos conhecer a igreja do pastor que nos recebeu.

Antes de continuar deixa eu apenas explicar um detalhe importante. O pastor Marcelo Belitardo quando morou na Índia, implantou cerca de 160 igrejas em vários estados onde grande parte deles há forte perseguição. Quando ele teve que ser enviado para a África, deixou um pastor responsável por todo o probrama que é o pastor que nos recebeu e está nos acompanhando em todas as viagens. A maioria das igrejas que serão citadas são de obreiros que estávam em treinamento e que com nossa visita estaremos oficializando essas igrejas. Por motivos de segurança não vou mencionar o nome dele e nem de alguns lugares onde há a igreja do Senhor Jesus.

Continuando. Aqui na índia as mulheres nunca se misturam com os homens, tanto é que só algumas entre as cristãs que geralmente pega na mão de um homem para cumprimentar. Na igreja de um lado as mulheres e de outro os homens, como sempre sentados em tapetes. Era um culto especial com os líderes e obreiros da região. Ali o pastor Marcelo deixou uma palavra de fortalecimento para os irmãos quanto as perseguições para que cada vez se tornem mais parecidos com Jesus. Nos apresentaram várias pessoas que iríamos batizar naquele dia.

Por questões do horário tivemos que sair antes de terminar o culta para o batismo que seria no fundo da casa do pastor. Aguardávamos os eunucos para serem batizados a tanto esperado, mas que por motivo de envermidade não puderam aparecer, ficamos muito tristes com essa notícia (oro para que em breve se recuperem e sejam batizados. Entretanto tivemos a oportunidade de batizar 13 pessoas (3 homens e 10 mulheres), em particular, me senti honrado por Deus de poder batizar pela minha primeira vez numa nação como a Índia. Foi tudo muito lindo e sem fazer barulho por conta dos vizinhos, caso contrário poderiam nos denunciar, daí seria muito problema. Tremendo foi quando uma senhora com problemas nas pernas entrou naquela água gelada (aqui o inverno acabou muito recente), creio que pela reação dela hoje foi a primeira vez que entrou num lugar com tanta água. Às vezes não nos contíamos daí saia um “aleluia” ou alguma palma.

Ao terminar saímos na correria, as 14h deixaríamos Varanasi. Apenas comemos alguma coisa rapidamente, pegamos nossas malas e fomos pra estação de trem. Chegamos em cima da hora, esperamos nem 5 minutos e o trem chegou, em poucos minutos partimos. Essa seria minha primeira viagem de trem. Os vagões de terceira classe estávam lotados, de longe sentíamos o mal cheiro. Quando digo lotado, realmente é lotado, talvez aquelas pessoas nem conseguem mexer direito, fazem suas necessidades ali mesmo. Fomos de segunda classe. A viagem estava programada para chegarmos ao destino em 24 horas. Enquanto isso pude realmente descansar pela primeira vez desde que chegamos na Índia e colocar o diário e minha leitura em dia.


19-02-2011 – Gaya e região

Acordamos cerca de 3h, nos arrumamos e as 3:40h deixamos o hotel rumo ao estado de Bihar, fronteira com o Nepal, região conhecida pelas “cidades sem lei”. A estrada estava tranquila até o dia amanhecer, e que ao invés de ver muita gente, nos deparamos com muitos caminhões ainda estacionados. Milhares e milhares de caminhões, foram mais de hora e a linha de caminhões não acabava. Cada hora que passava a estrada ficava mais movimentada.

Fizemos uma parada em Gaya, o segundo lugar mais importante para o budismo, uma cidade quase que toda tibetana. Fomos ao templo Mahabalhi Mahavihrev, o maior que vi até agora com mais gente. Monges fazendo seus mantras por todos os lados. Uma arquitetura fantástica cercada de túmulos (bom, pelo menos parecia túmulos). Na entrada lebrosos, deficientes, pessoas sem pernas e braços e muitas mulheres e crianças mendigando. Ficamos apenas meia hora.

Quanto mais nos aproximávamos do nosso destino, mais pobre ficavam as cidades. Chegamos lá 1:30h depois do esperado, a igreja nos esperávamos. Tudo muito simples, nos cederam o quarto do pastor como é de costume para fazerem uma “salinha” antes de irmos para o culto que seria na casa do visinho. Nos ofereceram água que consegui tomar só um gole, pois era muito amarga. Ouvimos os cânticos começarem, então fomos para lá. Era apenas uma salinha cheia de tapetes, colocaram cadeiras apenas para nós 5. O costume em toda Índia é de sentar no tapete. Após terminarem os cânticos de adoração a Jesus vieram nos dar as boas vindas com colares de flores amarelas para cada um de nós. Nos apresentamos e o pastor Marcelo deixou uma palavra forte sobre fé em Jesus, oramos pelos enfermos e então terminamos o culto.

Uma garotinha de talvez 10 aninhos nos chamou muito a a atenção de nós brasileiros. Desde o momento em que chegamos, ela se destacava em tudo, na beleza, no comportamento, na devoção a Deus, na autoridade e intensidade de como lia a Bíblia, realmente muito além do que se espera de uma criança daquela idade, até mesmo não se vê muitos jovens e adolescentes como ela. Em quanto almoçávamos (uma pequena porção de batata com um molho delicioso e picante servido com uns dois pãezinhos típico, era o melhor que podiam oferecer) ouvíamos a história dessa garota. Recentemente o pai quando ia para o trabalho foi atropelado por um trem e morreu na hora. Sua mãe não tem condições de bancar os estudos, por esse motivo ela teve que sairo da escola. Assim como ela, na Índia há milhares, talvez milhões com histórias parecida. Só das crianças das igrejas ligadas ao pastor Marcelo aqui na Índia são cerca de 250 que recebiam bolsa-escola, mas que por uma razão, que fomos descobrir apenas agora nessa visita, a bolsa foi retirada e elas tiveram que deixar suas escolas. Segundo o pastor que coordena as igrejas, com apenas 400 dólares mensais é o suficiente para colocá-las novamente na escola, estamos falando de menos que 3 reais por criança.

Não nos demoramos muito, pois já era tarde. Pegamos o carro e voltamos para casa. Chegamos já era mais de 20h muito cansados da viagem, mas felizes de ver o trabalho naquela vila funcionando, segundo informações, é uma vila dominado por feiticeiros, onde agora a luz do evangelho tem brilhado.


Um mundo chamado Índia (resumo)

aqui apenas um resumo de nossa viagem missionária a Índia, em breve dia por dia

Após 15 dias na Índia a impressão que tive é que lá é a terra do exagero.  São exagerados na buzina, na quantidade de gente nas ruas, na pimenta, na quantidade de deuses e na forma como adoram, é tudo muito tudo.

O nosso alvo da viagem foi visitar algumas igrejas em área de grande perseguição, encorajar os irmãos, estabelecer novas igrejas em tais reiões e batizar 5 eunucos. De tudos esses alvos, apenas batizar os eunucos não foi possível, por motivos de saúde eles terão que ser batizados em outra oportunidade, mas em compensação Deus nos deu a oportunidade de batizar 15 pessoas em 2 diferentes estados.

Por motivo de segurança não vou citar nomes de obreiros e nem de cidades. Os estados que passamos foram: 1) Bihar, conhecido pelas cidades sem lei e pela segunda cidade mais importante para o Budismo, faz fronteira com o Nepal. 2) Jammu e Kashimir, fronteira com Paquistão e China, um estado de muitos conflitos com seus vizinhos, praticamente uma região que habita apenas soldados, batizamos duas pessoas num rio formado por neve derretida, será que estava frio?. 3) Uttar Pradesh, estado da cidade santa para os hindús e onde passa o rio Gange, cenário das coisas mais macabras que já vi na vida, como por exemplo cachorros brigando por um cadáver desfigurado na margem do rio, foi nessa região em que batizamos 13 pessoas e estabelecemos uma igreja. 4) Himachal Pradesh, boa parte da população formada por budistas tibetanos, acredito que é por fazer fronteira com o Tibet; é um estado conhecido pela pré-Cordilheira dos Himalaias, realmente um espetáculo de beleza da criação de Deus, aqui estabelecemos mais uma igreja. 5) Haryana, foi o estado de menos pressão religiosa, vimos mais uma igreja nascer, foi um lugar que testemunhamos muitos milagres da parte do Senhor.

Foi uma viagem muito intensa, no todo passamos 6 dias e meio dentro de carros, trens e aviões, percorremos milhares de quilômetros a dentro enfrentando temperaturas abaixo de zero (com neve e tudo) até regiões desertas acima de 35 graus. Sempre nos deparando com igrejas do Senhor apaixonadas por Ele mesmo sofrendo perseguições. A obra a ser feita na Índia é muito grande, somos apenas 5% contando com católicos e ortodoxos, os 95% dividem em hindus, budistas e mulçumanos. Realmente só uma mobilização mundial da parte das igrejas é que consegueria fazer um trabalho de grandes expressões na Índia, o nível de destruição e escravidão é muito grande lá, exageradamente crônico. O sentimento que tive foi de vergonha, pois mesmo eu conhecendo o Deus verdadeiro, minha devoção a Ele não chega aos pés da devoção que os hindus e budistas tem para com seus falsos deuses.

Impactado pela viagem escrevo essas palavras. Obrigado por todos que seguraram e ainda seguram a corda aí do Brasil. Sozinho não faríamos nada. Toda honra e glória seja apenas a Jesus. Paz a todos.


Seguir

Obtenha todo post novo entregue na sua caixa de entrada.