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Um verdadeiro clamor

Um profundo clamor de uma criança interpretado por Gregorio McNutt.


Somos útero de Deus sobre a terra!

“Meus filhos, por quem, de novo sofro as dores de parto, até ser Cristo formado em vós” Gl 4.19

Há uma oração que dá luz (no sentido de parir mesmo), é uma oração em dores de parto. É um tipo de oração que gera novo nascimento, amadurecimento e até mesmo milagres físicos. É fundamental, mas pouco falado e esninado, consequentemente pouco experimentado. Se a intercessão de dores de parto realmente ajuda as pessas à salvação, por que é tão difícil orar? Por que ela acontece tão raramente? Por que apenas algumas pessoas oram assim, e por que tem que ser tão alto e estranho? Por que o Senhor não falou mais sobre o que é e como orar? Antes de responder essas perguntas vamos esclarecer algumas coisas. Primeiro, devemos parar de assimilar manifestações externas com internas. O fato de uma pessoa ao receber uma oração chorar, cair no chão, gritar ou coisas semelhantes não significa necessariamente que está acontecendo um arrependimento ou uma manifestação sobrenatural. Quando uma pessoa ora com dores de parto não quer dizer que é com gritos, gemidos e lágrimas que isso acontecerá, mesmo que às vezes, possa acontecer. Por se tratar de “dores de parto” logo pensamos no parto natural que sempre acontece com dores, gemidos e lágrimas. O fato do apóstolo Paulo ter feito essa referência de “parto” estava se referindo do processo de gerar algo e não como gerar algo, o que ele deixa claroé que é uma coisa espiritual, não podemos confundir.É muito perigoso por causa de uma manifestação externa julgarmos o que de fato está acontecendo no espiritual, pode ser que uma pessoa ao receber uma oração não manifeste nem choro e nem risos, mas no seu íntimo foi profundamente tocado e transformado. Dutch Sheets diz algo interessante a esse respeito:

“Tenho presenciado reuniões nas quais observei esse fenômeno acontecer a ponto de ter certeza de que a ênfase e o alvo tornaram fazer as pessoas caírem, em vez de uma fé que permitisse o Espírito Santo fazer o que Ele quisesse, porém, Ele queria. Em outras palavras, começamos a julgar o que estava acontecendo no reino espiritualpelo que vemos naturalmente. Isto é um perigo e leva aos extremos, ao ensino desequilibrado, expectativas erradas e à luta da carne.”

O fato de associarmos dores de parto com os acontecimentos físicos limitamos nosso campo de ação e até mesmo perdemos o foco. Quando fazemos isso aceitamos uma mentira demoníaca de que só alguns podem entrar no trabalho de parto espiritual e que acontece raramente. Parto espiritual tem que ser algo que toda a Igreja experimenta com frequencia. A ênfase tem que estar em dar à luz espiritualmente e não nos acontecimentos físicos ou externos em nós. Nós somos “parideiras” para Deus e o Espírito Santo é quem deseja dar à luz através de nós, pelas orações. Em Jo 7.38: “… de seu interior fluirão rios de água viva”, a palavra “interior” no grego é koilia, que significa “útero”. Somos o útero de Deus sobre a terra. Não somos a fonte de vida, mas a portamos, não geramos, mas liberamos através da oração, Aquele que dá vida.

Para desmistificar esse assunto de dores de parto vamos ver alguns textos que falam sobre dores de parto sem usar esse termo propriamente dito. O primeiro é IRs 18:41-45. Elias estava numa posição em que as mulheres ficam no dia que dão à luz, de fato ele estava dando à luz através de uma intensa oração de “súplica” (Tg 5.16 fala sobre essa oração de Elias). Outras passagens estão em Sl 126:5,6; Is 66:7,8; Jo 11:33-43; Mt 26: 36-39; Rm 8:26,27; Gl 4.19. O Espírito Santo está envolvido, é associado com reprodução espiritual; ajuda no processo de amadurecimento de cristãos; pode ser muito intensa envolvendo fervor, lágrimas e até gemidos; como Lázaro e Elias produz milagres físicos, não apenas novo nascimento. É o Espírito Santo o agente de nascimento de Deus (Lc 1:34,35), Ele é a fonte de poder de Deus (At 1.8), Ele é o poder produtivo da criação (Gn 1).

“… Elias, como ser humano, não poderia gerar ou produzir chuva. Porém Tiago nos diz que suas orações trouxeram chuva. Paulo não poderia criar o novo nascimento nem a maturidade nos gálatas, porém, Gl 4.19 dá a entender que sua intercessão produziu isso. Não podemos produzir filhos ou filhas espirituais por meio de nossa capacidade humana, porém, Is 66:7,8 nos diz que nossas dores de parto podem gerar filhos espirituais. Se não podemos criar ou gerar essas e outras coisas através de nosso próprio poder ou capacidade, então parace óbvio que nossas orações devem, de alguma maneira, liberar o Espírito Santo para fazê-las”

Em Gn 1:1,2 a palavra “sem forma” é tohuw, que significa “uma desolação; devastação; deserto; sem ordem; estéril”. No v.2 a palavra “pairava” é rachaph que significa “chocar”. A palavra “chocar” está ligada com descendência, é no sentido da galinha chocando o ovo, ou seja, no início o Espírito Santo estava “dando à luz” vida. Rachaph está sempre ligada com reprodução. O que o Espírito Santo fez na criação é o que Ele deseja fazer através de nós gerando vidas. Ele (o Espírito Santo) deseja sair e pairar ao redor de indivíduos, liberando Seu imenso poder de convencer, quebrar escravidão, trazer revelação e atrai-los. Sim, o Espírito Santo deseja dar a luz através de nós”. Is 66.7,8 deixa claro esse processo: “Pois Sião, antes que lhe viessem as dores (chuwll), deu à luz (yalad) filhos”. Nas duas palavras em parênteses são as pricipais usadas para “trabalho de parto” no hebraico. Na concepção de Cristo, também mostra claramente o Espírito Santo gerando vida. O anjo disse a Maria que “descerá sobre ti o Espírito Santo e o poder do Altíssimo te envolverá com a sua sombra”. “Sombra” é episkiazo, que significa “lançar uma sombra sobre; envolver em uma névoa de resplendor; rodear de uma influência sobrenatural”. Episkiazo está ligado completamente com rachaph. Tayer diz que ela é usada “na ação do Espírito Santo de exercer energia criadora sobre o útero da virgem Maria”. É a mesma sobra citada em At 5.15 quando diz que a sobra de Pedro curava, ele estava, na verdade, envolvido (episkiazo) pelo poder de Deus, é ma sombra que gera vida.

A palavra “mover” é bem comum no meio evangélico. Geralmente é usada referindo a reuniões onde ouve muito poder, unção e manifestações de dons. Esse “mover” não é nada menos que o Espírito Santo pairando sobre o lugar “chocando” vida, atraindo pessoas para perto de Cristo. Já conheceu alguém que quando passou na porta da sua igreja e foi atraído para entrar sem ninguém ter convidado e depois não sair mais? Eu conheço. Isso é resultado do “pairar” do Espírito Santo.

Depois disso tudo, afinal o que são dores de parto espiritual? Bem suscinto, é uma forma de intercessão ue libera o poder ou a energia criadora do Espírito Santo em uma situação, para produzir, criar ou dar à luz algo. O “parto” pode acontecer em qualquer cristão que intercede e em qualquer lugar, pois é o Espírito Santo liberando Seu poder criativo através de nós, que dá vida. Ele vem em uma situação tohuw (sem vida, infrutífera, desolada, estéril), liberando Sua vida dentro delas.

Deus queria que chovesse, mas foi preciso que Elias tomasse uma posição para que isso acontecesse;

“Nossas orações podem levar, e realmente levam, o Espírito Santo a se mover em situações em que Ele, então, libera Seu poder para trazer vida. Temos nossa parte para produzir o pairar do Espírito Santo. O poder que criou o universo através de Sua rachaph – foi depositado sobre a igreja – enquanto milhões incalculáveis esperam o nascimento deles no Reino de Deus”.


Intercessão: levando as cargas uns dos outros

“Levai as cargas uns dos outros”.

Existe duas palavras usaas para “suportar”. A primeira é anechomai que significa “sustentar, suportar ou resistir contra algo”. Em Cl 3.13 3 Ef 4.2 “suportar” está no sentido de “aturar o irmão” mesmo, mas também no sentido de “escorar uns aos outros” não deixando que o mais fraco venha a cair. A segunda palavra é bastazo que quer dizer “suportar, erguer ou levar” alguma coisa, no sentido de remover (Rm 15:1-3; Gl 6.2). Quando compreendemos a obra de intercessão de Jesus nos ajuda a entender o caminho da nossa obra. Jesus levou sobre si. Jesus não apenas suportou a nossa carga, mas a rancou fora. Em Is 53:6,12 a palavra paga é traduzida como “lançar sobre” e como “interceder”, no N.T. identifico o que Ele fez por nós em IICo 5.21. Jesus levou embora nosso pecado e pronto, não os carrega até hoje, isso se extende a nós:

“É imperativo saber que nós não simplesmente levamos as cargas de alguém; suportamos (anechomai) a outra pessoa e levamos a carga embora (bastazo), ajudando-a a livrar-se de seus fardos!”

A obra redentora (expiatória) de Cristo no A.T. era representada pelo “bode expiatório”. Basicamente, o bode expiatório toma o lugar de um homem. O sacerdote coloca a mão na cabeça do bode e o solta no deserto para nunca mais voltar levando sobre si o pecado. Jesus foi crucificado fora da cidade levando embora toda nossa maldição. Nós estávamos com Jesus lá na cruz compartilhando da Sua morte (Rm 6.4,6). “Ao implementar o ministério sacerdotal de intercessão de Cristo, nós não devemos simplesmente carregar os fardos pelos outros, mas devemos levá-los embora dos outros, exatamente como Jesus fez”. Isso nao quer dizer que temos que “re-fazer” o que Ele já fez, mas re-apresentá-Lo. O grande Mèdico “cura” através de nós, Ele faz tudo através de nós.

Josué é um tipo de Cristo. Um texto que mostra o que Jesus fez representado por Josué encontra-se em Josué 10:22-27. Para entender o que aconteceu, antes é preciso saber sobre um ábito comum nas vitórias na época. Todo rei ou general vitorioso pisavam no percoço do rei derrotado numa atitude de exibir sua vitória humilhando o inimigo. Jesus humilhou satanás (Cl 2.15). Só que Josué fez diferente, em vez de colocar seu pé no percoço do inimigo, ele chamou alguns soldados e os mandou colocarem os pés nos pescoços dos reis. De forma profética o cumprimento desse ato foi de Jesus tendo derrotado Satanás e seus principados e potestades chamou Seu exército pra pisar na cabeça de Satanás:

“E o Deus de paz em breve esmagará debaixo de vossos pés a Satanás” Rm 16.29

“Eis aí vos dei autoridade para pisardes serpentes e escorpiões, e sobre todo poder do inimigo, e nada absolutamente vos causará dano” Lc 10.19

Executamos e pisamos. Às vezes um “lançar sobre” requer um “pisar em”. No Sl 110 mostra essa relação profética entre Cristo e a Igreja. Os inimigos estão debaixo dos pés de Jesus legalmente, estarão literalmente quando nós fazemos a nossa parte. No v.2,3 de Sl 110 a palavra “poder” é chayil também traduzida como “exército”. Nós somos esse exército que estenderá o cetro de Sua autoridade dominando e executando Sua vitória. Jesus colocou as autoridades sob Seus pés, nós executamos. Dutch Sheets diz:

“Em outras palvras, às vezes Cristo lança uma missão ou fardo de oração sobre nós (paga), para que possamos levar o fardo embora (bastazo). A tarefa envolve guerra. Nenhum estudioso sério da Bíblia poderia estudar a palavra intercessão (paga) e, ao mesmo tempo, separá-la do conceito de guerra”

As palavras usadas para “pisar”, darak (hebraica) e pateo (grega), envolve um conceito de guerra. A palavra darak era usada, também no sentido do brado “carragar armas”. As palavras descreve Is 63.3 e Ap 19.15 (“…pessoalmente pisa o lagar do vinho da ira de Deus Todo-Poderoso”). Em Js 1.3 (um versículo tão comum em que muitas vezes temos um entendimento muito superficial), usa a palavra darak, esse verso não diz sobed um perímetro que conquistamos quando caminhamos por ele, mas, numa paráfrase, quer dizer “Todo lugar em que vocês quiserem carregar suas armas e tomar, eu a darei a vocês”. Temos que tomar as armas da nossa milícia (IICo 10.4) e barak! Isto sim é intercessão, através de Cristo e de nós. Cristo pode viver através de nós.

É tão tremendo o que Jesus fez, tudo muito perfeito. Tudo que ele conquistou na Cruz repartiu conosco simplesmente por amor. Que amor exagerado é esse? O amor sim deve ser a nossa motivação, afinal eu O amo porque me amou primeiro e através desse amor aprendo a amar o que Ele ama: vidas. E com esse entendimento de Sua obra expiatória perfeita, toda vitória do Calvário, a derrota e o pisar de Sua ira, o re-apresenta-Lo, a consumação de Sua obra o ter tudo que Ele fez não posso omitir em não fazer nada pelos povos não-alcançados, em Cristo tempos as chaves das prisões para libertar todo cativo, Jesus já fez tudo, agora é hora de executarmos o que Ele fez para glória e honra do Senhor dos Exércitos. Sem amor jamais “suportaríamos” uns aos outros, sem amor jamais nos colocaríamos na brecha pelo outro, sem amor jamais nos gastaríamos e desgastaríamos em prol do Reino. Que Ele não seja envergonhado e sim exaltado entre as nações. Nós o amamos, que possamos amar não apenas de palavras, mas em ato e de verdade nos envolvendo com os perdidos:

“Antes de tudo, pois, exorto que se use a prática de súplicas, orações, intercessões, ações de graças, em favor de todos os homens” II Tm 2.1


Intercessão: um encontro de oração

Sempre que fazemos uma oração de intercessão haverá dois encontros: um bom e um ruim, um encontro com Deus em favor de uma pessoa ou nação, e um encontro com Satanás quebrando seu domíniu. A palavra paga usada como “intercessão” quer dizer “encontrar”. A intecessão cria um encontro. “Encontro de Oração” é um bom nome para representar oração de intercessão. Encontramo-nos com Deus, para que Ele venha ao encontro da outra pessoa. Foi isso que Jesus fez em nosso favor nos reconciliando com o Pai e nos deu também esse ministério de reconciliação. Intercessão gerará reconciliação e separação ao mesmo tempo, ligando e rompendo. Enquanto ligamos uma pessoa a Deus de um lado, do outro a desligamos de Satanás.

A ação da Cruz é completa. É na Cruz que a justiça de Deus foi consumada, mas também a misericórdia, a graça “aboliu” a Lei, mas a verdade foi estabelecida (Sl 85.10). Deus não pode simplesmente perdoar a humanidade caída e ficar por isso mesmo, o pecado tem que ser julgado junto com o pecador, a questão da Cruz é que o Sangue de Jesus nos purifica e nos libra do juízo de Deus encontrando a graça e misericórdia. Esse é o encontro com Deus. Milagres acontecem quando encontramos com Deus.

A palavra paga era usada comumente para textos relacionados ao campo de batalha, tem uma conotação de violência (Jz 8.21; 15.12; ISm 22.17,18; IISm 1.15; IRs 2.25-46). A intercessão pode ser violenta. Existe uma guerra real onde Satanás não vai soltar suas vítimas com facilidade. Oração de Intercessão pode até mesmo gerar grande desgaste físico, cansaço. Esse tipo de encontro pode ser desagradável, mas é necessário. Nesse encontro precisamos de muita perseverança até que a vitória do Calvário seja estabelecida na situação, não podemos retroceder. Jesus lá na Cruz pagou toda dívida, nós como seus representantes temos que anunciar o fim da escravidão a todos os povos. Tetelestai foi a palavra usada por Jesus que significa “completamente pago”. A dívida do pegado á foi paga, Satanás não tem mais legalidade para aprisionar as vidas, nosso papel é interpor encontrando com ele dissolvendo suas obras no nome de Jesus. No Calvário Jesus nos ligou a Deus e nos desligou de Satanás. No Calvário foi-nos entregue as chave para que possamos ligar e desligar (Mt 16.19).

A palavra “desligar” é luo também usada em IJo 3.8 como “destruir”:

“Por este propósito o Filho de Deus foi manifestado, para que pudesse destruir as obras do diabo”

No grego, luo tem uma conotação legal e física. COmo legal luo é pronunciar ou determinar que algo ou alguém não está mais preso e também dissolver ou invalidar um contrato ou alguma coisa que obriga legalmente. Jesus “invalidou o contrato” quebrando o domínio das trevas sobre nossas vidas. No sentido físico, luo é dissolver ou derreter, quebrar, pôr em pedaços ou desamarrar algo que está preso. Jesus não apenas nos libertou legalmente, mas manifestou toda libertação, cura desfazendo toda opressão maligna. Tanto a palavra paga quanto luo nos convida a sermos violentos espirituais contra toda força malígna estabelencendo as verdades daquilo que Jesus conquistou com sangue no Calvário. Como igreja temos a chave e nos foi dado poder e autoridade para quebrar os portões do inferno resgatando a muitos. Temos as chaves e o poder para libertar nações inteiras. O pastor José Rodrigues, presidente da MCM (Missão Cristã Mundial) certa vez disse que o missionário que não conhece de guerra espiritual e que não tem esse conhecimento de sua autoridade no nome de Jesus está fadado a dançar nas mãos do diabo.

“Embora Jesus tenha realizado completamente a tarefa de quebrar a autoridade de Satanás e invalidar seu domínio legal sobre a raça humana, alguém na terra deva representá-Lo nessa vitória e executá-la”.

Nós nos encontramos (paga) com as trevas e executamos a vitória de Cristo, que Ele executou quando se encontrou com as trevas através de Sua obra de intercessão. As orações de um intercessor que tem discernimento criará um encontro, quando acontecer algo será transformado. Com esse entendimento como facilita tudo, Jesus já fez tudo e ponto. É uma questão de fé. Nossa fé agrada a Deus. A fé nos satisfaz n’Ele e Ele em nós. Que tenhamos um encontro com Ele diariamente, hora após hora a favor de nós de de todos os povos, línguas, tribos e nações.


Afinal, o que é intercessão?

O que é intercessão? Lemos livros, temos ministérios, ouvimos sobre e até dizemos que intercedemos. Afinal, o que é intercessão? Existe alguma diferença de intercessão e oração de intercessão? Vamos entender primeiro o seguinte, intercessão não é necessariamente uma oração, já a oração de intercessão é uma oração, intercessão pode ser uma coisa que alguém faça enquanto ora, confuso? Interceder, no dicionário, significa “ir ou passar entre; atuar entre dois partidos com a intenção de reconciliar aqueles que se divergem ou contendem; interpor-se; mediar ou fazer intercessão; mediação”. A intercessão acontece nos tribunais todos os dias, quando advogados intercedem por seus clientes. Acontece na vida de procuradores, na vida de vendedores, na vida de representandes de alguma marca. Intercessão envolve delegação, envolve autoridade, resume-se em representação. Qualquer trabalho de representação entre dois lados é intercessão.

Se voltarmos para a Criação, Adão seria o intercessor/mediador perfeito entre Deus e a criação (isso antes da queda). A palavra “mediar” está totalmente ligada com “intercessão”, tem basicamente o mesmo significado que é “interpor-se entre dois partidos como amigo imparcial; mediar um acordo de paz entre pessoas que estão em desacordo”. Com a queda houve a necessidade de Deus enviar Seu Filho para interpor-se entre Ele e a criação caída. Jesus, na cruz, consumou seu ato de intercessão trazendo reconciliação entre os homens e Deus. Jesus é o único intercessor e mediador, isso não quer dizer que Jesus fica orando por nós o tempo todo diante do Pai, mas nos habilita a orar e quando oramos no nome de Jesus Ele intercede a nosso favor. Nossa oração de intercessão será uma extensão, e apenas isto, de Sua obra de intercessão (mediação). Jesus representou Deus aos homens, e os homens a Deus como Apóstolo e Sumo Sacerdote de nossa confissão (Hb 3.1). Como Apóstolo representou Deus aos homens, e como Sumo Sacerdote representou os homens perante Deus. Isso não quer dizer que Jesus orou por nós em intercessão e sim fez uma obra de intercessão/mediação que lhe custou a vida. Ele intercede para que possamos orar, por isso pedimos “em Seu nome”. Vai parecer redundante, mas é importante ficar claro e fixo: Jesus intercede, nós oramos. Dutch resume isso dizendo:

“Espero que você esteja preparado para ouvir isto: Eu não creio que a intercessão atribuída a Ele agora no céu em nosso favor seja oração. Estou certo de que essa intercessão se refere a Sua obra de mediação (ITm 2.5), a Sua obra como Advogado perante nosso Pai (IJo 2.1). Ele está atuando como nosso representante, garantindo nosso acesso ao Pai e ao nossos benefícios de redenção”.

Para que Jesus seja Advogado, é necessário a presença de um acusador, que é Satanás. A obra mediadora de Cristo tem 2 aspectos, uma de reconciliação e uma de separação. Como já dito, fomos reconciliados com Deus através de Jesus. Jesus se colocou entre eu e Satanás para me separar de toda obra das trevas. Jesus veio para destruir as obras do diabo (IJo 3.8). Sem a intercessão de Cristo não teríamos parte nem aceitação de Deus. Sem a Sua intercessão ainda estaríamos presos ao diabo. Um novo domínio foi estabelecido. Sem Jesus nada podemos fazer. Nossa oração de intercessão tem que ser com base no que Jesus já fez. Deus procura por quem se coloca na brecha e por que possa intercesseder, simplesmente por Ele mesmo ter se limitado às orações do Seu povo. Ele como Soberano poderia intervir na humanidade caída? Creio que sim, mas viria com justiça e juízo. Quando intercedemos a favor de um povo no nome de Jesus aplacamos a ira de Deus e Ele vem com misericórdia, os exemplos bíblicos bons para essa questão é de Moisés e Abraão. Deus decidiu destruir todo povo de Israel, mas pela oração de intercessão de Moisés Deus mudou de idéia. Deus quando destruiu Sodoma e Gomorra poupou Ló e sua família por causa da oração de intercessão de Abraão. Se Deus não precisasse de nossa oração Ele não procuraria.

Fomos chamados para distribuir e não para produzir. Jesus já produziu tudo, cabe a nós distribuir como cooperadores. Não fomos chamados para substituir Deus e sim compartilhá-Lo com os outros. Não temos poder para nada, Jesus tem todo poder. Dutch define intercessão como:

“…uma extensão do ministério de Jesus através de Seu Corpo, a Igreja, por meio do qual nós mediamos entre Deus e a humanidade com o propósito de reconciliar o mundo com Ele, ou entre Satanás e a humanidade com o propósito de reinvidicar a vistória do Calvário”.

Fomos enviados. Como enviados não temos valor em si, e sim quem tem valor é quem nos enviou. Jesus foi enviado por Deus. Em todo Seu ministério exaltou e glorificou o Pai. O centro de Jesus era o Pai, não fazia nada sem antes ter visto ou ouvido o Pai fazer e falar. Nós fomos enviados por Jesus para representá-Lo, devemos glorificá-Lo e exaltá-Lo, que Ele seja o centro. Enquanto agirmos em Sua capacidade, agimos na autoridade de Cristo, é a Ele que devemos todas as coisas, pois d’Ele, por Ele e para Ele são todas as coisas. Não a nós e sim a Jesus (Sl 115:1-3). Se é Ele que já fez tudo e que basta em oração interceder em Seu nome por alguém, ou uma família ou pelas nações que seremos ouvido. É uma oração de fé com base no que Jesus já fez. Quantos estão morrendo ao nosso redor e não nos voltamos em oração para ajudá-los? Por que oramos tão pouco mesmo sabendo que através da oração intercessória poderíamos resolver inumeráveis problemas no mundo inteiro? A obra de Deus é espiritual, cabe a nós usarmos das ferramentas espirituais para executarmos a obra na terra.

Existem milhares de órfãos no Sudão totalmente abandonados. Depois de uma pesquisa, a MCM (Missão Cristã Mundial) descobril que é a única organização que se mobilizou em prol dos órfãos e das viúvas nesse país. Hoje cerca de 30 órfãos estão sendo assistidos e há um alvo de até o fim de novembro estar com 150 órfãos. O que são 150 perto de milhares? A obra é muito grande, só será possível alcançá-los se a igreja se mobilizar em intercessão a fovor deles. As viúvas estão morrendo de fome aos milhares. O Sudão padece por uma guerra civil que durou mais de 20 anos, essa nação não produz nada, está em calamidade e trevas. Se não podemos ir, nos resta 2 opções: contribuir financeiramente para esta obra e principalmente interceder. Nós podemos ajudá-los, temos a chave, sabemos onde buscar que é na presença de Deus que TUDO pode. Vamos aproveitar e orar um pouco agora:

“Deus, venha sobre nós com Espírito de intercessão e súplica, gera fé e entendimento em toda obra consumada de Jesus. Ensina-nos a orar como convém. Em nome de Jesus nos apresentamos diante de Ti a favor do Sudão, tenha misericórdia das viúvas e dos órfãos Senhor, levante trabalhadores que vão até eles e levante recursos necessários para essa obra. Que haja acolhimento e seja repreendido toda orfandade, pois Tu és Pai. Encontre-os Senhor e jamais os desampare em nome de Jesus, amém!”


Intercessão – “imagem e semelhança” e autoridade

A Adão foi dado toda autoridade sobre a terra antes da queda. Ele era o representante mor de Deus ante toda criatura terrena. O papel de Adão era de domínio sobre todas as coisas. A palavra marshall traduzida como “domínio” quer dizer “mediador, intermediário, representante de Deus”. A Adão foi incubido o papel de se colocar entre Deus e a criação, esse é o papel do intercessor, de se colocar entre Deus e Sua criação “pós-queda”.

Ao intercessor (a igreja em geral) foi dado, em Cristo, a mesma autoridade que estava sobre Adão, e mais ainda, a mesma autoridade que estava em Jesus. Adão tinha uma auoridade apenas terrena, Jesus tem autoridade sobre o que está nos céus, na terra, e embaixo da terra, ou seja, autoridade sobre toda criação visível ou invisível.

Com a queda perdemos nossa verdadeira identidade de “imagem e semelhança” de Deus. A palavra “semelhança”, do hebraico demuwth, em Gn 1.26, vem do radical damath, que significa “comparar”, ou seja, Adão era comparado com Deus, era sem dúvida muito semelhante a Deus. Essa é a nossa verdadeira identidade. A palavra “imagem” é tselem, um conceito de “sombra” ou “aparição”. Adão era como uma aparição de Deus, provavelmente quando a criação via Adão chegar diziam “olha, Deus está vindo…. ah não, é Adão”, isso intensifica em muito o quanto eram parecidos. Jesus é a expressão exata de Deus, é o Último Adão, n’Ele há uma completa “imagem e semelhança” de Deus, certa vez Jesus disse “quem me vê, vê o Pai”. É com essa identidade que temos que aprender a nos colocar na “brecha”.

Há a questão de que de fato Deus precisa ou não da nossa oração mesmo sendo o Soberano sobre todas as coisas. Deus deu toda autoridade ao homem antes da queda que foi transmitida a Satanás depois que entrou o pecado. Satanás queria transferiu essa autoridade de um reino terreno para Jesus, caso o adorasse. Essa questão da autoridade mostra o quanto Deus queria agir através do homem na terra. Jesus veio recuperar essa autoridade cumprindo tudo que foi designado por Deus e em Deus. Outra coisa que nos aprofunda nisso é o fato de ter investido tanto na encarnação de Seu único Filho afim de conquistar o que Adão perdeu. Deus tornou-se parte da raça humana, “os seres humanos eram para ser sempre a ligação da autoridade de Deus na terra”.

Deus trabalha através da oração. Um exemplo claro é a história do profeta Elias quando orou para parar de chover e para chover, em Tg 5.17,18 diz que ele orou com muito fervor. Era da vontade de Deus que parasse de chover e de que chovesse novamente, a pergunta é: se era da vontade de Deus, por quê um homem teria que orar e orar fervorosamente? É Deus restabelecendo a autoridade do homem sobre a criação guiado pela Sua vontade debaixo da Sua Palavra. Outra história é a de Daniem (em 606 a.C.) quando leu o livro de Jeremias a respeito da profecia dos 70 anos que estavam se cumprindo em seus dias. Já estava no fim, próximo do fim (do grande “avivamento” da época), mas Daniel diferente de muitos de nós buscou com jejum, humilhação, orações e súplicas quanto a esse “avivamento” que estava por vir. Geralmente no lugar dele muitos se acomodariam dizendo que estava esperando em Deus. Assim que Daniel propôs a orar Deus enviou Gabriel que ficou retido 21 dias em pelan guerra mas regiões celestiais. Pouco tempo depois Israel foi liberto do cativeiro, será que a libertação teve influência da oração de Daniel? Provavelmente que sim.

Qual a nossa responsabilidade?

“Tu o fizeste um pouco menor que Deus, e o coroaste de glória e honra” Sl 8.5

A palavra “glória” é kabowd traduzida literalmente como “pesado” ser “importante”. Seria como estivesse dizendo que está “carregando grande peso”. Representar Deus na terra é um grande peso, uma responsabilidade muito séria, é o nome d’Ele que carregamos. Onde estivermos é a Ele que carregamos e representamos. Outra palavra para “glória” é doxa que quer dizer reconhecimento, ou seja, quando alguém é reconhecido pelo que realmente é. Por exemplo II Co 3.18, é Deus sendo reconhecido nos seres humanos. Como somos parte de uma humanidade caída, temos que nos transformar de “glória em glória” até que esse reconhecimento de Deus em nós seja totalmente estabelecido.

Há um grande peso e responsabilidade de representarmos Deus aqui na terra. Uma das formas mais eficazes e reais é atravéz da nossa intercessão estabelecendo com grande autoridade a vontade de Deus na Terra. Sermos achados como cooperadores de Deus é um convite e um privilégio tremendo de fazermos parte do plano eterno para todas as nações.


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