entrevista retirada do site Pés Formosos – Missão Internacional até os confins da Terra!
Entrevista em dois momentos muito especiais com um querido irmão da Comunidade El Shadday de Araguari, que é uma igreja filha da Shalom Comunidade de Uberlândia. Hoje ele é um missionário. Um homem que ama as nações e deseja levar o amor de Jesus aos povos, seja onde for que o Pai o enviar. Foi um tempo muito descontraído e muito interessante. Olha, essa matéria está super especial e você não deve deixar de ler. Ele nos contará de suas experiências no Quênia, Sudão e Índia. Vale a pena conferir.
Todd e Joel
Mission Office Staff
Pés Formosos – Missao Internacional Dos Confins da Terra
Pés Formosos: Fale-nos um pouco sobre você e esse momento especial na sua vida.
Fabrício: Meu nome é Fabrício Marra da Silva. Sou membro da El Shadday em Araguari e fui a MCM para dedicar um tempo ao Senhor e entender melhor sobre missões e o chamado de Deus sobre minha vida. Ao término do meu curso teórico, fui desafiado a um tempo prático. A MCM – Missão Cristã Mundial, me enviou para o Quênia com o intuito claro de SERVIR naquela nação. O período proposto foi de 01 ano. A proposta seria de que no primeiro momento deveria me dedicar a aprender a língua local. No segundo período me envolveria mais com o ministério e chamado.
Pés Formosos: Para onde no Quênia você gostaria de ir ou intencionava ir?
Fabrício: O meu objetivo era de ir para o norte do Quênia, especificamente em meio aos Turkanas, mas isso seria no segundo momento. No primeiro momento o propósito seria de ir para Nairóbi para estar com o pr Marcelo Belitardo. Lá tem uma casa com 30 órfãos sudaneses (Heirs of God´s Home) entre 12 e 21 anos de idade, sendo 20 moças e 10 rapazes. Eu atendia em serviços gerais (desde faxina até cozinhar) e trabalhava com um discipulado pessoal, principalmente com os rapazes. A igreja se reúne dentro da própria casa das crianças. No início a igreja funcionava somente com as crianças e após a legalização da igreja, as portas se abriram para toda a comunidade. Na verdade o nome que usamos é World Mobilization Trust. Oferecíamos também cursos para as crianças nas seguintes áreas: Corte e costura, música, violão (desejamos formar um grupo de dança e música), Informática (a maior necessidade nesse caso é de computadores), evangelismo com teatro. No Quênia, de uma maneira geral, telefonia e internet funcionam. Ah, um culto na África, onde passamos, começam o culto as 7 da manhã e muitas vezes terminam por volta das 5 da tarde ou mais.
Pés Formosos: Você precisou de visto para entrar no Quênia?
Fabricio: Sim. Entrei com visto de turista, tirado na entrada do país. Agora temos optado por outro tipo de visto. Incentivamos os novos a entrarem com visto “Business”. Enquanto nesse assunto, gostaria de dizer que no Sudão é diferente e muito mais difícil tirar visto. Existe o visto para a parte sul e outro para a parte norte. Se você tem um, não significa que tem acesso a outra parte do país. Após o referendum a situação ficou ainda mais complicado.
Pés Formosos: Vocês recebiam pessoas para ajudar no trabalho local?
Fabricio: Sim. Recebemos grupos que vieram para apoiarem o trabalho. No tempo que estive por lá, recebemos um grupo de 10 pastores e dois irmãos brasileiros. Eles foram com o intuito conhecer as crianças do Sudão e toda obra realizada naquela região da África. Nós temos 120 crianças no Sudão, conhecidas hoje no Brasil como Órfãos do Sudão. Por conta do referedum as portas para o Sudão estávão fechadas para podermos levá-los, então ficaram apenas no Quênia ministrando cura e libertação com os nossos 30 e visitaram também o norte (Campo de Refugiado Kakuma e Turkanas). Recebemos também muitos quenianos de outras igrejas e instituições assim como representantes do governo queniano e sudanês. Todos sempre tinham a mesma reação, ficavam maravilhados com o cuidado que damos a esses nosso filhos, digo filhos pois é assim que os tratamos.
Pés Formosos: Qual é a visão quanto a liderança?
Fabricio: A visão que temos é de trabalhar os locais, os nativos para que eles venham a assumir o trabalho ou projeto. Por exemplo, no Nepal hoje temos 06 casas das Meninas dos Olhos de Deus. 03 ou 04 dessas foram abertas pelas próprias meninas (nativas). Na Índia temos 193 igrejas plantadas no norte do país e o alvo é de ter 365 até 2012, apenas o início foi através no pr Marcelo Belitardo, hoje são os nativos que dão continuidade.
Pés Formosos: O que se faz necessário para se ter uma igreja, ou um grupo ser chamado igreja?
Fabricio: Se temos um obreiro e um grupo de pessoas reunindo metodicamente e anunciando os ensinos de Jesus, consideramos igreja e tem o PR de cobertura que irá auxiliar até o amadurecimento daquela igreja.
Pés Formosos: Antes de avançarmos para outras nações, o que é o próximo alvo para o Quênia?
Fabrício: Nairóbi é uma cidade grande. O clima é agradável, como em Uberlândia. Até o final do ano o desejo é de estabelecer uma escola primária. Um dos motivos é que educação é muito caro para a população. O outro motivo é devido à maneira que entendem disciplina para o aluno. Eles têm direito de disciplinar na escola e acabam espancando muitas vezes, ou no mínimo exagerando. Procuraram se inspirar no modelo britânico.
Pés Formosos: O custo de vida é alto em Nairóbi?
Fabrício: É sim. O aluguel de lá é comparado com aluguel de Brasília, um dos mais caros do país. Para um solteiro viver lá sem muitos privilégios, custaria em torno de R$ 1.500.00 mês. Um casal custaria pelo menos uns R$ 2.500.00. E ainda salientando o ponto anterior, me lembrei que a MCM pretende fazer de Nairóbi sua base internacional. Isso devido a sua localização estratégica não somente na África, mas também visando a Ásia com treinamento de missões e melhorando a comunicação e suporte dos missionários já no campo.
Pés Formosos: Após o término do seu primeiro estágio, aprender a língua, surgiu o momento de definir o chamado. O que aconteceu?
Fabrício: Após esse tempo em Nairóbi fui convidado a viajar com o PR Marcelo Belitardo para conhecer algumas realidades e aberto a ouvir Deus para saber qual seria o próximo passo. O meu coração estava preso ao Turkanas, na região norte do Quênia. Um lugar muito quente e desértico mesmo. Mas, estava aberto a ouvir Deus nessa viagem. Fizemos uma viagem ao Sudão. Lá temos 2 casas de órfãos, hoje só tem um irmão que cuida das 120 crianças. Há uma necessidade urgente de trabalhadores. Ja temos algumas igrejas no sul e a idéia é dar continuidade a implantação de igrejas em locais onde Jesus nunca tinha sido pregado antes. As crianças foram conduzidas para Ikotos, um povoado no sul na região de Isohe. Uma das bênçãos que já temos vivenciado é o fato de que a taxa de infermidades caiu consideravelmente. Era comum que 20 a 30 crianças pegarem febre-tifóide ou malaria toda semana. Mas, nessa parte do país existe uma bênção, água boa, em 3 meses menos de 10 ficaram doentes.
Pés Formosos: O que se come nesses lugares?
Fabrício: Farinha. Farinha de tudo! Farinha em abundância nas ruas e nas vendas. Também comem muita batata, couve, cenoura e coisas do tipo.
Pés Formosos: Então, esse foi o lugar que sentiu chamado por Deus para investir sua vida?
Fabrício: Não. Fomos ainda adiante até que chegamos aos Dongotonos. Um pastor nosso amigo havia nos incentivado a ir até eles para os conhecerem. São cerca de 50.000 ao todo. Nesse vilarejo deles não tem um cristão sequer. Conversamos e falamos sobre Jesus. O líder daquele grupo implorou pedindo que por alguém para ficar com eles e contar a história de Jesus. Nunca haviam ouvido falar esse nome. Não tinham idéia alguma de quem era, mas queriam conhecê-lo. Eu e o pr Marcelo Belitardo começamos a orar por essa questão, foi quando Deus falou que ia me mandar pra lá. Vou passar dois anos em meio a esse povo. Vou trabalhar no sentido de levantar uma igreja e formar líderes. Estamos planejando a viagem para agosto, mas ainda não temos uma data exata . Passarei um tempo em Nairóbi antes de ir e há um grande desafio que será cooperar na tradução da Bíblia para a língua deles, não há nenhuma porção da Bíblia nessa língua Dongotono.
Pés Formosos: O que é Lotuko?
Fabrício: Lokuto é um povo muito grande no sul do Sudão e vivem perto dos dongotonos. A língua lotuko é muito semelhante ao dongotono e já possuem o novo testamento e sua língua. Acredito que isso facilitará no trabalho com os dongotonos.
Pés Formosos: Para isso acontecer, qual é o valor do investimento e qual é o preço a ser pago?
Fabrício: Terei que fazer a meu Tukul (tipo oca de índio). É feito de palha e barro como se vê em documentários. Vou precisar de moto, pois estarei a uns 150 km da cidade mais perto e a 30 km da casa das crianças. Também vou assistir na administração das casas das crianças (120). Preciso adquirir um painel solar, pois não tem energia na aldeia. Tem a passagem e outros detalhes. Para isso precisaria de R$ 6.000.00 para começar o projeto de mudança. Deus já moveu as águas. Fui testemunhar sobre o trabalho na África na Igreja Batista Nova Vida em Piracicaba e levantaram uma oferta de R$ 7.500.00. Além disso, recebi as passagens como oferta. Deus é maravilhoso. Quando ele manda, ele financia. Preciso ainda do meu sustento mensal, mas sei que Deus proverá.
Pés Formosos: Qual é a visão geral?
Fabrício: O desejo do pr Marcelo Belitardo, nosso coordenador, é de estabelecer igrejas, casas de crianças entre do Quênia até no Egito (extremo norte da África), sendo que o norte da África é mais complicado por ser solo mulçumano. Lembrando sempre que a meta é sempre de formar obreiros locais para que eles possam assumir o trabalho e levá-lo adiante.
Pés Formosos: Mesmo que já esteja definido o seu próximo lar, você teve oportunidade de ir aos Turkanas, no norte do Quênia?
Fabrício: Fizemos uma viagem aos Turkanas. Lodwar foi a primeira cidade a ser visitada. O pr Francis, local, da MCM, está atuando nesse local. Ele é responsável por 5 igrejas em meio as tribos. Tivemos oportunidade de visitar 4 das 5, pois uma era tão distante , 20 km a pé, e não teríamos tempo de ir até lá. Todos os pastores moram em Lodwar. Um caminha 15 km para chegar a sua congregação. O outro caminha 20 km e o terceiro caminha 40 km e o quarto uns 70km a pé. Isso acontece 2 vezes por semana. Na caminhada em areia se vê pessoas pastoreando cabritos de quando em quando. É um deserto mesmo. Ao nos aproximarmos da aldeia ouvimos som de tambores e sentimos a clara e gloriosa presença de Deus. Foi demais! Essa igreja que estávamos nos aproximando dela se reúne debaixo de uma árvore. Eles estão ali por mais de 10 anos.
Pés Formosos: O que mais te marcou sobre a reunião deles?
Fabrício: Primeiro o quanto Deus estava presente. Era notório. Outra coisa a alegria deles em louvar e adorar a Deus. É muita alegria! Essa tribo em especifico tem 100% de conversão, pelo que me disseram. Até mesmo os feiticeiros e bruxos já se converteram. Enquanto cultuávamos, a aldeia estava parada, sem movimento, exceto o culto, é claro.
Pés Formosos: O que mais te chocou?
Fabrício: A miséria… muita miséria. Doeu nosso coração ao sair daquela aldeia, pois demos carona para dois jovenzinhos buscar água. Eles não têm água na aldeia. Andamos aproximadamente uns 70 km até o poço onde ela poderia pegar água para levar a aldeia. Devido à escassez e mesmo falta de água existem muitos problemas renais, e de órgãos internos secarem… miséria, muita miséria. Estávamos em rota ainda, quando avistamos 03 garotos entre 08 e 10 anos de idade. Brincamos um pouco com eles. Então eles pediram algo que cortou nosso coração. Água, somente água. Crianças normalmente não pedem água…
PAUSA…
Pés Formosos: Vocês seriam bem recebidos para morar em meio aos Turkanas?
Fabrício: Não. Hoje o branco ainda não é bem visto pelos Turkanas. Para muitos deles foi a primeira vez que viram pessoas brancas. Uma vez um grupo chegou de moto e eles saíram correndo, pois não conheciam moto. Mas, eles conhecem Jesus e rendem a ele uma genuína adoração. É algo lindo de se presenciar. Historicamente esse povo, Turkanas, tem uma rivalidade com os Toposas que são primitivos e guerreiros e moram no sul do Sudão. Mas, Deus trará paz nesse sentido também, pois o príncipe da paz está nascendo a cada dia em meio a eles. O conflito entre eles é por comida.
Pés Formosos: O grupo de pastores foi até o norte do Quênia?
Fabrício: Sim. Contamos a eles sobre a miséria e falta de água. Por favor, inclua a foto da garrafa de água nosso e a deles. Alem do problema de não se achar muita água a qualidade também é ruim. Eles levantaram uma oferta e com U$ 1.000.00 encheram um caminhão de suprimentos e água. O desafio em meio a essas 4 tribos é furar poços para que possam ter água. Foi proposto furar um poço e outras tribos se mudariam para perto para ter acesso a água. A intensão é 2 possos para atender em torno de 5000 pessoas entre um pouco mais de 1 milhão.
Pés Formosos: Qual é o percentual de cristãos no Quênia e Sudão?
Fabrício: 80 % cristãos no Quênia e 20 % (entre mulçumanos e as outras religiões); No Sudão é 80% de mulçumanos e 20% entre cristãos e outras religiões. Existe muita feitiçaria no Sudão, mesmo entre os cristãos e mulçumanos.
Pés Formosos: Você teve a oportunidade de ir a Índia também?
Fabrício: Sim e o que mais impressiona na Índia é gente. Tem gente para todo lado e tem buzina para todos os ouvidos. Lembrei-me dos relatos do seu, pr Ary, quando visitou a Índia pela primeira vez. Falei que achei a palavra que define a África é miséria e a palavra que define a Índia é macabro. Muito problema com higiene. Fui até um lugar que é um canteiro de fezes. Tem um muro baixo. As pessoas se abaixam, e defecam ali mesmo, em público ou nas ruas. É comum ver a pessoa se abaixar para fazer as suas necessidades, e não limpar, nem ela e nem a rua. Uma das coisas tristes da Índia é o abuso sexual das crianças. Até os sacerdotes dos templos aproveitam disso. Existe uma cerimônia pelo nome Puja, é de consagração, e acontece muita coisa macabra.
Pés Formosos: Quais são as maiores necessidades hoje?
Fabrício: No Quênia e Sudão são:
- Obreiros, solteiros e casais
- Administradores
- Conselheiros (nós e as crianças que estão no Quênia temem o retorno delas ao Sudão, pois pode resultar em casamento. Tem dote e tudo mais. Tem um caso que conheço que a criança se casou aos 08 anos de idade. Isso é algo comum. São casamentos arranjados) Outra coisa que precisamos ajudar é na mudança de mentalidade. O negro africano é conhecido por ser preguiçoso e violento. Abuso sexual é muito comum…. a mulher para se sentir amada tem que apanhar…
- Precisamos formar essa geração de filhos que temos ali – oramos muito sobre esse assunto de casamento.
- Perfuração de poços entre os Turkanas, agora em junho esterá sendo perfurado o primeiro.
Na Índia:
- Batizar os eunucos. Estamos trabalhando com um grupo de eunucos e de 8 5 estavam prontos para batizar quando estivemos lá. Mas, por um estar doente e os outros não saírem de casa até que ele se recupere não foi possível. Ore por eles.
- Fortalecimento dos irmãos. Aconteceu um batismo de 13 pessoas em Varanasi e de 02 em Kashmira
- Pelas viagens pelo país. Na viagem que participei iniciamos 05 igrejas. Em poucos dias hav
iam viajado o proporcional a 06 dias de transportes públicos. Teve um caso que muito nos chamou a atenção. Um irmão que se converteu, pois Jesus se apresentou a ele esua vida foi mudada. Ele esta sendo acompanhado por nossos obreiros. - Que haja muitas curas como sinal da ação de Deus em meio a eles. Num local houve muitas curas e como resultado mais de 100 pessoas aceitaram Jesus como Senhor e Salvador.
- Tanto no Quênia quanto na Índia obreiros precisam de transportes motorizados para poderem ter um alcance maior.
Agradecemos muito ao Fabrício pelo tempo e por partilhar algo tão maravilhoso conosco. Para encerrar gostaria de encerrar dizendo que fico muito feliz por esse novo momento da igreja brasileira. Um momento onde não somos somente receptores de missionários, mas onde temos o privilégio de enviar missionários. Faz-me pensar em Paulo na experiência de ser descido num cesto. Havia o que ia e os que seguravam as cordas. Certa vez a pergunta foi feita: Onde estão as marcas nas mãos dos que seguram as cordas dos missionários? Algo para pensar e refletir em oração. O que temos feito para o avanço do trabalho missionário ao redor do mundo?
Um abraço e até a próxima matéria…
Todd Scates




























































































