Cada dia que passa as noites se tornam melhores e o calor tolerável, na verdade já até acostumei com o calor. Hoje pude escutar as crianças cantando e louvando a Deus por volta das 5h. Não consegui dormir mais, então fui me preparar para mais uma viagem. Agora iríamos para Kapoeta, uma pequena, mas importante cidade a uns 150km de Torit. Lá é a terra da tribo Toposa, são um povo muito primitivo e um tanto selvagem. A fronteira terrestre entre Sudão e Quênia foi fechada por que os Toposas estavam entrando no Quênia para matar e roubar o gado dos Turkanas que vivem perto da fronteira.
Por volta das 8h saímos para comprar e arrumar algumas coisas que faltavam e as 9h pegamos a estrada. Desta vez não paramos em nenhum lugar a não ser nas barreiras entre os distritos. Levamos quatro horas e meio para chegar lá. Segundo o pr Marcelo, a última vez que ele fez aquele mesmo percurso gastou cerca de sete horas e meio, mas agora algumas partes da estrada foram restauradas. No caminho vimos menos vilas do que no caminho para Ikotos, pois Capoeta fica numa região desértica. Muita poeira, ficamos todos marrom, sem exagero. Em particfular uma aldeia me chamou a atenção, ela ficava numa montanha de aproximadamente 2000m, lá de baixo apenas víamos as pontas dos tukos que se diferenciavam das árvores. Como será que subiram lá? Essa era minha pergunta. Provavelmente nunca viram um extrangeiro. Assim como eles existem milhares e milhares de pessoas que nunca viram ou ouviram falar de Jesus.
Na medida que nos aproximávamos de Capoeta avistávamos alguns Toposas todos adornados e com seus cajados e banquinhos. Quando chegmaos ficamos surpreendidos, pois vimos postes de eletricidade. Capoeta é a primeira cidade do Sudão do Sul a ter energia elétrica. A razão disso é que os Toposas controla todo gado do Sul além de terem minas de diamante e ouro.
A cidade em sim não é muito diferente das outras que fomos. Homens sentados por todo lado conversando e as mulheres carregando grandes sacos de farinha e toras de madeira na cabeça. Em todo lugar é assim, o homem conversa a mulher trabalha. Ninguém nos cumprimentava, todos muito sérios. Alguns com trajes normais e outros bem típicos com seus adornos, principalmente as mulheres e adolescentes. As mulheres são lindas com postura de bailarina, mas muito sisudas. Quase não vimos sorrisos, diferente de Ikotos e Dongotono onde todo mundo ria, vinham nos cumprimentar ou faziam festa. Em Kapoeta só uma mulher que ficou pulando (detalhe, com os seios de fora), é como se fosse um sinal de boas-vindas para os Toposas.
Chegamos na casa de Lorem, um obreiro que a MCM assiste naquela cidade. Conversamos e fomos preparar nosso almoço, pois já eram 15h. Quebramos todos os paradgmas possíveis naquela tarde. Três homens brancos fazendo comida e além disso para todos. Estávamos em 11 pessoas contando com a família do Oryen e pr Joshua. Comemos macarronada, as crianças riam muito, pois comiam usando a mão, estava muito quente (foi feito no carvão em brasa em meio a pedras) e ainda o macarrão ficava pindurado. Oryen tem 5 filhos, sua esposa estava grávida do quinto sexto filho. A sua casa deve ter 2x6m no máximo, apenas uma cama de solteiro, não pergunta como dormem 7 pessoas num espaço daquele.
Discutimos algumas coisas sobre a segurança deles e sobre o trabalho dele. Nos despedimos e retornamos para Torit. Chegamos muito sujos por volta das 22h. Cansados fomos comer e dormir.












































