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Um evangelho escandaloso

por Paul Washer

“Não me envergonho do Evangelho de Cristo, pois é o poder de Deus para salvação de todo aquele que crê; primeiro do judeu, e também do grego.” Romanos 1:16
Paulo, na carne, tinha razões para se envergonhar do Evangelho que pregava, porque contradizia tudo o que se cria ser verdadeiro e sagrado entre os seus contemporâneos. Para os judeus, o Evangelho era a pior blasfêmia porque reivindicava que o Nazareno que morreu amaldiçoado no Calvário era o Messias. Para os gregos, era o pior absurdo porque reivindicava que este Messias Judeu era Deus feito carne. Assim, Paulo sabia que quando abrisse a boca para falar o Evangelho, seria completamente rejeitado e ridicularizado, desprezado, a menos que o Espírito Santo interviesse e se movesse nos corações e mentes dos seus ouvintes. Nos nossos dias, o Evangelho primitivo não é menos ultrajante, pois ainda contradiz os princípios, ou os “-ismos”, da cultura contemporânea: o relativismo, o pluralismo e o humanismo.

NÃO É TUDO RELATIVO
Vivemos na era do Relativismo – um sistema de crenças baseado na absoluta certeza de que não há absolutos. Hipocritamente aplaudimos homens que buscam a verdade, mas executamos em praça pública qualquer um que seja arrogante o suficiente para acreditar que a encontrou. Vivemos numa era de trevas auto-impostas, e a razão disso acontecer é clara. O homem natural é uma criatura decaída, é moralmente corrupto, obstinado na sua autonomia (i.e.,no seu auto-governo). Odeia a Deus porque Ele é Justo, e odeia as Suas leis porque censuram e restringem a sua maldade. Ele odeia a verdade porque revela o que ele realmente é. Ele quase acaba com o que ainda permanece na sua consciência. Portanto, o homem decaído busca empurrar a verdade – especialmente a verdade sobre Deus – para o mais longe possível. Ele vai até onde for preciso para suprimir a verdade, mesmo a ponto de fingir que tal coisa não existe ou que, se existe, não pode ser conhecida nem ter alguma coisa a ver com as nossas vidas. Não é Deus que se esconde, é o homem. O problema não é o intelecto, é a vontade. Como um homem que esconde a sua cabeça na areia para evitar o ataque de um rinoceronte, o homem moderno nega a verdade de um Deus justo e os Seus absolutos morais, na esperança de silenciar a sua consciência e de esquecer o julgamento que ele sabe ser inevitável. O Evangelho cristão é um escândalo para o homem e para a sua cultura, porque faz a única coisa que ele mais quer evitar – desperta-o do seu auto-imposto “sono” para a realidade da sua situação decaída, da sua rebelião; chama-o à rejeição da sua autonomia e à submissão a Deus, através do arrependimento e fé em Jesus Cristo.
NÃO ESTÃO TODOS CORRETOS
Vivemos numa era de Pluralismo – um sistema de crenças que põe fim à verdade, declaran do que tudo é verdade, especialmente no que diz respeito à religião. Pode ser difícil para o cristão contemporâneo entender, mas os cristãos que viveram nos primeiros séculos da fé foram marcados e perseguidos como se fossem ateus. A cultura que os envolvia estava imersa em teísmo. O mundo estava cheio de imagens de deuses, a religião era um negócio crescente. Os homens não só toleravam os deuses uns dos outros, como também os trocavam e partilhavam. O mundo religioso ia muito bem até chegarem os cristãos e declararem que “deuses feitos com as mãos não são deuses.” Eles negaram aos Césares as honras que eles exigiam, recusaram dobrar os joelhos aos outros ditos “deuses”, e confessaram Jesus apenas como Senhor de tudo. O mundo inteiro assistiu boquiaberto a tal arrogância e reagiu com fúria contra a intolerável intolerância dos cristãos à tolerância.
Este mesmo cenário abunda no nosso mundo hoje em dia. Contra toda a lógica, dizem-nos que todas as posições em relação à religião e moralidade são verdadeiras, não importa quão radicalmente diferente se contraditórias possam ser. O aspecto mais espantoso de tudo isto é que, através dos incansáveis esforços da mídia e do mundo acadêmico, isto rapidamente se tornou a opinião da maioria. Contudo, o pluralismo não lida com o problema nem cura a maleita. Apenas anestesia o paciente para que já não sinta nem pense mais. O Evangelho é um escândalo porque despertao homem do seu sono e recusa-se a deixá-lo descansar numa base tão ilógica. Força-o a chegar a alguma conclusão – “Até quando vão coxear entre dois pensamentos? Se o SENHOR é Deus, sigam-no; mas se é Baal, sigam-no.”
O verdadeiro Evangelho é radicalmente exclusivo. Jesus não é “um” caminho, mas “o” caminho. E todos os outros caminhos não são o caminho. Se o cristianismo desse mais um pequeno passo que fosse no sentido de um ecumenicalismo mais tolerante, e trocasse o artigo definido “o” pelo artigo indefinido “um”, o escândalo desapareceria; o mundo e o cristianismo podiam ser amigos. Contudo, quando isto acontecer, o cristianismo deixou de ser cristianismo. Cristo é negado e o mundo fica sem Salvador.
O HOMEM NÃO É A MEDIDA
Vivemos numa era de Humanismo. Nas últimas décadas, o homem tem lutado para expurgar Deus da sua consciência e da sua cultura. Derrubou todos os altares visíveis ao “Único Deus Vivo” e ergueu monumentos para si mesmo, com o zelo de um religioso fanático.Fez de si próprio o centro, a medida e o fim de todas as coisas. Louva o seu mérito inato, exige honra à sua auto-estima e promove a sua auto-satisfação e auto-realização como o maior bem. Justifica a sua consciência culpada com os resquícios de uma antiquada religião de culpa. Procura livrar-se de qualquer responsabilidade pelo caos moral que o envolve, culpando a sociedade, ou pelo menos a parte da sociedade que ainda não atingiu o seu nível de entendimento. A mínima sugestão de que a sua consciência pudesse estar certa no seu testemunho contra ele, ou que ele pudesse ser responsável pelas quase infinitas doenças que há no mundo, é impensável. Por este motivo, o Evangelho é um escândalo para o homem decaído, pois expõe a sua ilusão acerca de si mesmo e convence-o da sua situação decaída e da sua culpa. Esta é, essencialmente, a “primeira ação” do Evangelho; é por isso que o mundo detesta tanto a pregação do verdadeiro Evangelho. Arruína a sua festa – estraga prazeres – destrói a sua fantasia e expõe que “o rei vai nu”.
As Escrituras reconhecem que o Evangelho de Jesus Cristo é uma “pedra de tropeço” e “loucura” para os homens, em todas as gerações e culturas. Contudo, tentar remover o escândalo da mensagem é invalidar a cruz de Cristo e o seu poder salvador. Temos que entender que o Evangelho não apenas é escandaloso, mas que é suposto que o seja!Através da loucura do Evangelho, Deus destruiu a sabedoria dos sábios, frustrou a inteligência das grandes mentes e abateu o orgulho de todos os homens, para que no fim nenhuma carne se possa gloriar na Sua presença, mas como está escrito: “Aquele que se gloria, glorie-se no Senhor.”

O Evangelho de Paulo não só contradizia a religião, a filosofia e a cultura dos seus dias, mas declarava-lhes guerra. Recusava tréguas ou tratados com o mundo e satisfazia-se com nada menos do que absoluta rendição da cultura ao senhorio de Jesus Cristo. Fazemos bem em seguir o exemplo de Paulo. Temos que ser cuidadosos para evitar qualquer tentação de conformarmos o nosso Evangelho às modas de hoje ou aos desejos de homens carnais. Não temos o direito de deturpar, de suavizar a sua ofensa nem de civilizar as suas exigências radicais, para o tornarmos mais atraente a um mundo caído ou a carnais membros de igrejas. As nossas igrejas estão cheias de estratégias para serem mais “agradáveis”, pondo o Evangelho noutra embalagem, removendo a pedra de tropeço e amaciando o gume da espada, para ser mais aceitável aos homens carnais. Devemos ser sensível ao que busca, mas devemos perceber que: há só Um que busca e este é Deus. Se nos esforçamos para fazer nossas igrejas e mensagens confortáveis, façamos confortáveis para Ele. Se queremos erguer uma igreja ou ministério, vamos fazê-lo com uma paixão por glorificar a Deus e com um desejo de não ofender a Sua glória. Não importa o que o mundo vai pensar de nós! Não buscamos honras na terra, mas a honra do céu deve ser o nosso desejo


Marcas da cruz revelam quem é Cristo

Em Lucas 24:13-35 narra-se quando dois discípulos iam a caminho de Emaús discutindo sobre os recentes acontecimentos: morte e recentes aparecimento de Jesus. O mesmo Jesus aproxima deles e começa a conversar. No verso 16 diz “Mas os olhos deles estavam como que fechados, para que o não conhecessem”.

Jesus conversou com eles a respeito dele mesmo por horas e mesmo assim não o reconheceram. No verso 30 e 31 diz:

“E aconteceu que, estando com eles à mesa, tomando o pão, o abençoou e partiu-o, e lho deu. Abriram-se-lhes então os olhos, e o conheceram, e ele desapareceu-lhes”.

Por quê seus discípulos foram reconhecê-Lo somente quando partiu o pão? Antes de responder essa questão, vamos tentar responder uma outra pergunta: Por quê os discípulos (que provavelmente conviveu diariamente cocm Jesus aproximadamente 3 anos) não conseguiu reconhecê-Lo?

Os olhos estavam fechados, como que com escamas. Um caso semelhante é o do apóstolo Paulo que após ter tido um encontro com Jesus ficou cego e precisou vir Ananias orar por ele, e a Palavra diz que escamas cairam de seus olhos (At 9:1-18).

A Bíblia diz que o principe deste mundo cegou o entendimento dos ímpios e em Ef 4.18 diz sobre aqueles que andam segundo a vaidade de suas mentes estão entenebrecidos no entendimento.

Segundo a própria Bíblia, ou os discípulos ainda andavam segundo as paixões do mundo sendo cegados pelo diabo, ou andavam segundo a vaidade de seus pensamentos. Eu prefiro a segunda opção, pois eles já conheciam a Jesus, já tiveram profundas experiências com Ele, mas por falta de entendimento e fé esqueceram d’Ele.

Quando Jesus repartiu o pão aconteceu o que está escrito em Ef 1.18: “Tendo iluminados os olhos do vosso entendimento…” e nisso o reconheceram. Mas o que eles viram?  Para responder essa pergunta, tenho que responder aquela primeira que fiz.

Os disípulos viram duas coisas que estão muito ligado um ao outro. Imaginem a cena comigo. Estava Jesus sentado em frente os dois discípulos e de um cesto de pão. Vestindo uma típica túnica de manga cumprida da época. Jesus pega um pão e o levanta um pouco acima de sua cabeça para dar graças, obviamente a manga de sua túnica levemente desce em seu antebraço.

Os discípulos regalam seus olhos e observam duas coisas que só veriam em Jesus: a maneira de dar graças pelo pão e os furos dos pregos em seus punhos.

Tanto uma coisa quanto a outra aponta diretamente para a obra da ruz. Em Lucas 22.19 Jesus diz após partir o pão “Isto é o meu corpo, que por vós é dado; fazei isto em memória de mim” e também o texto de Isaías 53.5 “mas Ele (Jesus) … foi moído por causa das nossas iniquidades…”. Em ICo 11.26 Paulo diz que todas as vezes que comermos do pão e bebermos do cálice estaremos anunciando a morte de Jesus.

Tomé teve uma experiência semelhante aos dos dois discípulos. Após o aparecimento de Jesus aos dez, Tomé ficou de fora e não acreditou quando lhe contaram que Jesus apareceu. Somente quando Jesus apareceu para ele e mostrou os furos da mão é que veio a acreditar dizendo: “Meu Senhor e meu Deus” (Jo 20:25-28). Jesus conclui esta passagem dizendo “bem aventurados os que não viram e creram” (Jo 20.29)

Hoje muitos não são diferentes dos dois discípulos e de Tomé. Jesus tem se manifestado diariamente de formas diferentes e em horários diferentes, Jesus tem ansiado a estar conosco, mas nós não O reconhecemos. Ou ainda estamos cegos pelo diabo ou pelos nossos próprios prazeres.

Jesus vem e fala conosco e não percebemos que é Ele. Nos livra de algum perigo, nos abençoa, nos dá a oportunidade de acordar e respirar. Jesus nos dá a oportunidade de nos relacionar com pessoas, oportunidade de comer, dormir, nos dá o privilégio de amar e ser amado e tantas outras coisas que eu poderia escrever  linhas e linhas e mesmo assim não vemos a Jesus.

Mas o que fazer? Devemos olhar para Ele, olhar para suas marcas. Jesus nos ensinou que quem quizer segui-Lo tem que tomar a sua cruz. Acredito que muitos tem feito isso e continuam no pecado, continuam no engano, continuam cegos e dominados pelas paixões. Sabe por quê? Porque estão apenas carregando a cruz. A cruz não foi feita somenta para carregar e sim para subir nela e morrer. Jesus falou isso “pegue a sua cruz e siga-me”, seguir para onde? Segui-Lo para o monte da Caveira, lá morrer, depois ser sepultado e aí então juntamente com Jesus ser ressucitado.

Se entendermos o que realmente significa o “partir do pão” e as “marcas de Cristo” não apenas deixaremos de esquecê-Lo como também seremos como um pão sendo repartido entre as nações e consequentemente as marcas de Cristo serão impressas em nós. É esse o ponto em que devemos chegar. Após esse processo de morte e ressurreição os que estão no mundo olharão para nós e dirão:

“Cristo em vós, a experança da Glória” (Col 1.27)


Remadores do Último Porão

Por Pr. José Rodrigues, presidente da MCM

Os textos originais da Bíblia não utilizavam a palavra “servo” quando se referiam àquelas pessoas subjugadas ao esquema escravocrata. Ao invés disso, emprega-se de fato a palavra: escravo. A língua grega apresenta pelo menos três variantes da palavra escravo. Uma delas é a palavra upêdêtê.
Os “upêdêtês” faziam parte de uma classe de escravos condenados à morte pelo Império Romano. A sentença desses condenados era de que deveriam remar até a morte. Até que esse sofrível destino se cumprisse, eles deveriam viver acorrentados nos últimos porões das embarcações romanas, empilhados em caixas e faziam ali mesmo todas as necessidades fisiológicas. A única fuga era a morte. À medida que se descia as apertadas escadas daqueles portões, maior se tornavam o calor, as trevas e o mau cheiro que vinham do último porão. Ali podia-se ver um dos mais deploráveis quadros de escravidão humana, um cenário simplesmente miserável e desumano.
Em I Coríntios 4:9 Paulo diz: “Porque a mim me parece que Deus nos pôs a nós, os apóstolos, em último lugar, como se fôssemos condenados à morte; porque nos tornamos espetáculo ao mundo, tanto a anjos, como a homens”. Interessante observar que a palavra utilizada para empregar o termo “último lugar” é exatamente  a palavra upêdêtê, “escravo do último porão”.
Parece um tanto contraditório comparar a vida cristã a um bando de condenados acorrentados no fundo de um navio malcheiroso. E para ser sincero, também resisti durante algum tempo para aceitar tal idéia como verdadeira. Paulo, como cidadão romano, conhecia muito bem quem eram e como viviam aqueles escravos, e por isso, não cometeria nenhum tipo de engano ao usar a palavra upêdêtê para dizer que somos escravos de Cristo.
Um obreiro aprovado está pronto para ser colocado em último lugar. Pronto para ser esquecido e para momentos de humilhação. Em tempos difíceis, tempos em que a maioria decide murmurar e criticar, esse obreiro silenciosamente desce as escadarias que levam ao último porão.
Você já ouviu alguma vez alguém condoído, choramingar:
-”Ah! Ninguém se lembrou de mim! No final da conferência, o pastor subiu ao púlpito carregando uma lista com mais de 20 nomes. Você acredita que ele citou o nome de todo o mundo, mas não citou o meu? É muita ingratidão depois de tudo que eu fiz”!
Manifestações desse tipo revelam o anseio por reconhecimento e evidenciam o despreparo ministerial de quem as faz. Um verdadeiro escravo não espera recompensa por seus serviços. Seu trabalho é feito em silêncio e não visa autopromoção. Esse é um trabalho que ecoará na eternidade: “um trabalho fabricado no escuro do derradeiro portão, onde não há sons de elogios e nem aplausos de multidões.
Lamentavelmente temos presenciado um tempo de estrelismo no cristianismo moderno. Julgamos possuir a teologia mais refinada de todos os tempos, nossos seminários são os mais respeitados; no entanto, é estranho que diante de uma bagagem tão ampla não tenhamos aprendido quase nada a respeito da importante lei do “crescer para baixo”, lei vivida e lecionada por João Batista.
É certo que ele nunca freqüentou uma sinagoga que pelo menos refletisse um pouco da estrutura que temos hoje. Contudo, ao olharmos para a vida desse homem rude, eu descubro que poucos de nós possuímos a teologia que ele aprendeu no deserto: “importa que eu diminua e Ele cresça”, João 3:30. A glória de Cristo em mim deve, de alguma forma, continuar me empurrando para algum canto escuro do palco, enquanto o círculo de luz acompanha centralmente a Pessoa de Cristo no cenário.
Que Deus abençoe os “remadores” que têm sido erguidos ao longo dos séculos em Sua Igreja.

“Não a nós, Senhor, não a nós, mas ao teu nome dá glória”. Salmo 115:1

Fonte: MCM Povos


Amor culposo

“Se você fosse preso por ser cristão, haveria provas suficientes para condená-lo?” (David Otis Fuller)

David Fuller pergunta: “há provas para condená-lo por ser cristão?” Prova é aquilo que mostra uma verdade, um testemunho, um indício, uma justificativa. Paulo, o apóstolo escreveu: … “Cristo Jesus, que diante de Pôncio Pilatos deu o testemunho de boa confissão” (1Tm 6.16). Não havia nenhum mal, dano, delito, crime, pecado, ou transgressão religiosa, para condenar Jesus Cristo. Pôncio Pilatos, governador da província romana da Judéia, declarou sobre Jesus: “Não acho culpa alguma neste homem” (Lc 23.4). Se fossemos preso por ser cristão, haveria provas suficientes para nos condenar? Um testemunho? Um indício? Uma justificativa? O que “prova” alguém ser cristão não é o que ele diz, mas o que ele faz (Mt 12.33/Lc 10.30-37). O que “prova” alguém ser cristão é a coerência de sua vida com o evangelho de Cristo (Lc 6.46). O que “prova” alguém ser cristão é seu autentico estilo de vida (Mt 23.3). Que o mundo encontre em nós a culpabilidade por ser cristão; que nos acuse por não amá-lo; que nos incrimine por amar a Deus e seu Cristo; que nos julgue por odiar o pecado e amar nossos inimigos. Que sejamos todos réus deste amor culposo. Que sejamos acusados pelo crime de servir a Deus de todo coração, chamados a juízo para responder por atos de misericórdia; culpados, acusados, incriminados, responsabilizados por ação prática contra o egoísmo do mundo. Que sejamos considerados como nosso o Amado Mestre: réu de morte; que incidiu em crime amar o pecador cuja pena foi a morte.

Por C. L. Costa


Somos útero de Deus sobre a terra!

“Meus filhos, por quem, de novo sofro as dores de parto, até ser Cristo formado em vós” Gl 4.19

Há uma oração que dá luz (no sentido de parir mesmo), é uma oração em dores de parto. É um tipo de oração que gera novo nascimento, amadurecimento e até mesmo milagres físicos. É fundamental, mas pouco falado e esninado, consequentemente pouco experimentado. Se a intercessão de dores de parto realmente ajuda as pessas à salvação, por que é tão difícil orar? Por que ela acontece tão raramente? Por que apenas algumas pessoas oram assim, e por que tem que ser tão alto e estranho? Por que o Senhor não falou mais sobre o que é e como orar? Antes de responder essas perguntas vamos esclarecer algumas coisas. Primeiro, devemos parar de assimilar manifestações externas com internas. O fato de uma pessoa ao receber uma oração chorar, cair no chão, gritar ou coisas semelhantes não significa necessariamente que está acontecendo um arrependimento ou uma manifestação sobrenatural. Quando uma pessoa ora com dores de parto não quer dizer que é com gritos, gemidos e lágrimas que isso acontecerá, mesmo que às vezes, possa acontecer. Por se tratar de “dores de parto” logo pensamos no parto natural que sempre acontece com dores, gemidos e lágrimas. O fato do apóstolo Paulo ter feito essa referência de “parto” estava se referindo do processo de gerar algo e não como gerar algo, o que ele deixa claroé que é uma coisa espiritual, não podemos confundir.É muito perigoso por causa de uma manifestação externa julgarmos o que de fato está acontecendo no espiritual, pode ser que uma pessoa ao receber uma oração não manifeste nem choro e nem risos, mas no seu íntimo foi profundamente tocado e transformado. Dutch Sheets diz algo interessante a esse respeito:

“Tenho presenciado reuniões nas quais observei esse fenômeno acontecer a ponto de ter certeza de que a ênfase e o alvo tornaram fazer as pessoas caírem, em vez de uma fé que permitisse o Espírito Santo fazer o que Ele quisesse, porém, Ele queria. Em outras palavras, começamos a julgar o que estava acontecendo no reino espiritualpelo que vemos naturalmente. Isto é um perigo e leva aos extremos, ao ensino desequilibrado, expectativas erradas e à luta da carne.”

O fato de associarmos dores de parto com os acontecimentos físicos limitamos nosso campo de ação e até mesmo perdemos o foco. Quando fazemos isso aceitamos uma mentira demoníaca de que só alguns podem entrar no trabalho de parto espiritual e que acontece raramente. Parto espiritual tem que ser algo que toda a Igreja experimenta com frequencia. A ênfase tem que estar em dar à luz espiritualmente e não nos acontecimentos físicos ou externos em nós. Nós somos “parideiras” para Deus e o Espírito Santo é quem deseja dar à luz através de nós, pelas orações. Em Jo 7.38: “… de seu interior fluirão rios de água viva”, a palavra “interior” no grego é koilia, que significa “útero”. Somos o útero de Deus sobre a terra. Não somos a fonte de vida, mas a portamos, não geramos, mas liberamos através da oração, Aquele que dá vida.

Para desmistificar esse assunto de dores de parto vamos ver alguns textos que falam sobre dores de parto sem usar esse termo propriamente dito. O primeiro é IRs 18:41-45. Elias estava numa posição em que as mulheres ficam no dia que dão à luz, de fato ele estava dando à luz através de uma intensa oração de “súplica” (Tg 5.16 fala sobre essa oração de Elias). Outras passagens estão em Sl 126:5,6; Is 66:7,8; Jo 11:33-43; Mt 26: 36-39; Rm 8:26,27; Gl 4.19. O Espírito Santo está envolvido, é associado com reprodução espiritual; ajuda no processo de amadurecimento de cristãos; pode ser muito intensa envolvendo fervor, lágrimas e até gemidos; como Lázaro e Elias produz milagres físicos, não apenas novo nascimento. É o Espírito Santo o agente de nascimento de Deus (Lc 1:34,35), Ele é a fonte de poder de Deus (At 1.8), Ele é o poder produtivo da criação (Gn 1).

“… Elias, como ser humano, não poderia gerar ou produzir chuva. Porém Tiago nos diz que suas orações trouxeram chuva. Paulo não poderia criar o novo nascimento nem a maturidade nos gálatas, porém, Gl 4.19 dá a entender que sua intercessão produziu isso. Não podemos produzir filhos ou filhas espirituais por meio de nossa capacidade humana, porém, Is 66:7,8 nos diz que nossas dores de parto podem gerar filhos espirituais. Se não podemos criar ou gerar essas e outras coisas através de nosso próprio poder ou capacidade, então parace óbvio que nossas orações devem, de alguma maneira, liberar o Espírito Santo para fazê-las”

Em Gn 1:1,2 a palavra “sem forma” é tohuw, que significa “uma desolação; devastação; deserto; sem ordem; estéril”. No v.2 a palavra “pairava” é rachaph que significa “chocar”. A palavra “chocar” está ligada com descendência, é no sentido da galinha chocando o ovo, ou seja, no início o Espírito Santo estava “dando à luz” vida. Rachaph está sempre ligada com reprodução. O que o Espírito Santo fez na criação é o que Ele deseja fazer através de nós gerando vidas. Ele (o Espírito Santo) deseja sair e pairar ao redor de indivíduos, liberando Seu imenso poder de convencer, quebrar escravidão, trazer revelação e atrai-los. Sim, o Espírito Santo deseja dar a luz através de nós”. Is 66.7,8 deixa claro esse processo: “Pois Sião, antes que lhe viessem as dores (chuwll), deu à luz (yalad) filhos”. Nas duas palavras em parênteses são as pricipais usadas para “trabalho de parto” no hebraico. Na concepção de Cristo, também mostra claramente o Espírito Santo gerando vida. O anjo disse a Maria que “descerá sobre ti o Espírito Santo e o poder do Altíssimo te envolverá com a sua sombra”. “Sombra” é episkiazo, que significa “lançar uma sombra sobre; envolver em uma névoa de resplendor; rodear de uma influência sobrenatural”. Episkiazo está ligado completamente com rachaph. Tayer diz que ela é usada “na ação do Espírito Santo de exercer energia criadora sobre o útero da virgem Maria”. É a mesma sobra citada em At 5.15 quando diz que a sobra de Pedro curava, ele estava, na verdade, envolvido (episkiazo) pelo poder de Deus, é ma sombra que gera vida.

A palavra “mover” é bem comum no meio evangélico. Geralmente é usada referindo a reuniões onde ouve muito poder, unção e manifestações de dons. Esse “mover” não é nada menos que o Espírito Santo pairando sobre o lugar “chocando” vida, atraindo pessoas para perto de Cristo. Já conheceu alguém que quando passou na porta da sua igreja e foi atraído para entrar sem ninguém ter convidado e depois não sair mais? Eu conheço. Isso é resultado do “pairar” do Espírito Santo.

Depois disso tudo, afinal o que são dores de parto espiritual? Bem suscinto, é uma forma de intercessão ue libera o poder ou a energia criadora do Espírito Santo em uma situação, para produzir, criar ou dar à luz algo. O “parto” pode acontecer em qualquer cristão que intercede e em qualquer lugar, pois é o Espírito Santo liberando Seu poder criativo através de nós, que dá vida. Ele vem em uma situação tohuw (sem vida, infrutífera, desolada, estéril), liberando Sua vida dentro delas.

Deus queria que chovesse, mas foi preciso que Elias tomasse uma posição para que isso acontecesse;

“Nossas orações podem levar, e realmente levam, o Espírito Santo a se mover em situações em que Ele, então, libera Seu poder para trazer vida. Temos nossa parte para produzir o pairar do Espírito Santo. O poder que criou o universo através de Sua rachaph – foi depositado sobre a igreja – enquanto milhões incalculáveis esperam o nascimento deles no Reino de Deus”.


Zombaria, zombadores e o devido lugar

“Zombem se quiserem, mas façam com que os demônios se juntem à sua zombaria; deixem que eles neguem que Cristo está voltando para julgar toda alma humana… Permitam-lhe negar que, por sua maldade, eles já estão condenados, que são guardados exatamente para aquele dia de julgamento, com todos os seus adoradores e suas obras. Ora, toda autoridade e poder que temos sobre eles é por usar o nome de Cristo, e trazer à sua lembrança as aflições com as quais Deus os ameaça… Temendo a Cristo em Deus e a Deus em Cristo, eles se tornam sujeitos aos servos de Deus e de Cristo. Assim, ao nosso toque e fôlego, subjugados pela idéia e conscientização daquele fogo de julgamento, eles deixam, por ordem nossa, os corpos nos quais entraram, relutantes e aborrecidos”

(por Tertuliano, um dos primeiros pais da igreja)


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