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Sexo Cristão

por C. S. Lewis

A castidade é a menos popular das virtudes cristãs. Porém, não existe escapatória. A regra cristã é clara: “Ou o casamento, com fidelidade completa ao cônjuge, ou a abstinência total.” Isso é tão difícil de aceitar, e tão contrário a nossos instintos, que das duas, uma: ou o cristianismo está errado ou o nosso instinto sexual, tal como é hoje em dia, se encontra deturpado. E claro que, sendo cristão, penso que foi o instinto que se deturpou. (…)

Dizem que o sexo se tornou um problema grave porque não se falava sobre o assunto. Nos últimos vinte anos, não foi isso que aconteceu. Todo o dia se fala sobre o assunto, mas ele continua sendo um problema. Se o silêncio fosse a causa do problema, a conversa seria a solução. Mas não foi. Acho que é exatamente o contrário. Acredito que a raça humana só passou a tratar do tema com discrição porque ele já tinha se tornado um problema. Os modernos sempre dizem que “o sexo não é algo de que devemos nos envergonhar”. Com isso, podem estar querendo dizer duas coisas.


Uma delas é que “não há nada de errado no fato de a raça humana se reproduzir de um determinado modo, nem no fato de esse modo gerar prazer”. Se é isso o que têm em mente, estão cobertos de razão. O cristianismo diz a mesma coisa. O problema não está nem na coisa em si, nem no prazer. Os velhos pregadores cristãos diziam que, se o homem não tivesse sofrido a queda, o prazer sexual não seria menor do que é hoje, mas maior. Bem sei que alguns cristãos de mente tacanha dizem por aí que o cristianismo julga o sexo, o corpo e o prazer como coisas intrinsecamente más. Mas estão errados. O cristianismo é praticamente a única entre as grandes religiões que aprova por completo o corpo — que acredita que a matéria é uma coisa boa, que o próprio Deus tomou a forma humana e que um novo tipo de corpo nos será dado no Paraíso e será parte essencial da nossa felicidade, beleza e energia. O cristianismo exaltou o casamento mais que qualquer outra religião; e quase todos os grandes poemas de amor foram compostos por cristãos. Se alguém disser que o sexo, em si, é algo mau, o cristianismo refuta essa afirmativa instantaneamente. Mas é claro que, quando as pessoas dizem “o sexo não é algo de que devemos nos envergonhar”, elas podem estar querendo dizer que “o estado em que se encontra nosso instinto sexual não é algo de que devemos sentir vergonha”.

Se é isso que querem dizer, penso que estão erradas. Penso que temos todos os motivos do mundo para sentir vergonha. Não há nada de vergonhoso em apreciar o alimento, mas deveríamos nos cobrir de vergonha se metade das pessoas fizesse do alimento o maior interesse de sua vida e passasse os dias a espiar figuras de pratos, com água na boca e estalando os lábios. Não digo que você ou eu sejamos individualmente responsáveis pela situação atual. Nossos ancestrais nos legaram organismos que, sob este aspecto, são pervertidos; e crescemos cercados de propaganda a favor da libertinagem. Existem pessoas que querem manter o nosso instinto sexual em chamas para lucrar com ele; afinal de contas, não há dúvida de que um homem obcecado é um homem com baixa resistência à publicidade. Deus conhece nossa situação; ele não nos julgará como se não tivéssemos dificuldades a superar. O que realmente importa é a sinceridade e a firme vontade de superá-las.

Fonte: Pérolas do Evangelho


Os 10 mais da Classificação de países por perseguição

Os 10 primeiros países da Classificação da igreja perseguida


Amor culposo

“Se você fosse preso por ser cristão, haveria provas suficientes para condená-lo?” (David Otis Fuller)

David Fuller pergunta: “há provas para condená-lo por ser cristão?” Prova é aquilo que mostra uma verdade, um testemunho, um indício, uma justificativa. Paulo, o apóstolo escreveu: … “Cristo Jesus, que diante de Pôncio Pilatos deu o testemunho de boa confissão” (1Tm 6.16). Não havia nenhum mal, dano, delito, crime, pecado, ou transgressão religiosa, para condenar Jesus Cristo. Pôncio Pilatos, governador da província romana da Judéia, declarou sobre Jesus: “Não acho culpa alguma neste homem” (Lc 23.4). Se fossemos preso por ser cristão, haveria provas suficientes para nos condenar? Um testemunho? Um indício? Uma justificativa? O que “prova” alguém ser cristão não é o que ele diz, mas o que ele faz (Mt 12.33/Lc 10.30-37). O que “prova” alguém ser cristão é a coerência de sua vida com o evangelho de Cristo (Lc 6.46). O que “prova” alguém ser cristão é seu autentico estilo de vida (Mt 23.3). Que o mundo encontre em nós a culpabilidade por ser cristão; que nos acuse por não amá-lo; que nos incrimine por amar a Deus e seu Cristo; que nos julgue por odiar o pecado e amar nossos inimigos. Que sejamos todos réus deste amor culposo. Que sejamos acusados pelo crime de servir a Deus de todo coração, chamados a juízo para responder por atos de misericórdia; culpados, acusados, incriminados, responsabilizados por ação prática contra o egoísmo do mundo. Que sejamos considerados como nosso o Amado Mestre: réu de morte; que incidiu em crime amar o pecador cuja pena foi a morte.

Por C. L. Costa


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